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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Revisitar Ruben A.


Uma nostalgia, talvez literária, talvez existencial mas, seguramente, provocada pela reflexão que suscita o pensar o "ser português", essa dimensão identitária que, de Camões a António Lobo Antunes, faz dizer que esta pertença nacional inflama orgulho (mesmo aos que, como F.Pessoa -exímio utilizador da nossa língua num registo polifónico criativo que a heteronimia consagrou- consideraram os traços da personalidade cultural da sua época, "um caso mental" eivado de provincianismo), trouxe-me à memória a escrita e a produção de Ruben Andersen Leitão, mais conhecido por Ruben A.... Escritor, dramaturgo, investigador nas áreas da Filosofia, da História, da Etnografia, da Literatura e da Política como o denotam as suas publicações sobre o Método e o Pensamento de Pascal, os Templos de Abu Simbel, a correspondência de D.Pedro com o Conde de Lavradio, o Anil, os Moinhos Manuais de Café, as Fontes, Ruben A. foi autor de uma extraordinária obra literária que vale a pena revisitar. Apesar de ser difícil destacar um ou outro título, fica a referência a: "Caranguejo", "Júlia",  "Um Adeus aos Deuses", "Cores", "Silêncio para 4", "O Outro Que Era Eu", "A Torre de Barbela", "O Mundo à Minha Procura" (3 vols.), "Páginas" (6 vols.) e "Kaos"... e, para os que procuram razões para não deixar de sentir orgulho em ser português, fica a sugestão: revisitem Ruben A.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

António Feio, o Belo...


António Feio morreu... um actor e encenador contemporâneo de primeira água, com 55 anos, morreu de cancro no pâncreas?! É verdade!... não, não é verdade! Um Homem não morre!... um homem prolonga-se na memória que evidencia o ridículo da cultura urbana em que a civilização nos consome, transfigurados pela pressa com que o tempo nos obriga a andar vestidos e com que as pessoas vão entretendo os dias, na ilusão do entendimento do mundo... para pôr a nu a pobreza do papel que nos levam a desempenhar esquecendo o essencial que, ao pressentir a chamada do fim, enunciou assim: "Não deixem nada por dizer... não deixem nada por fazer!"... Obrigado, António! Até sempre!

sábado, 21 de novembro de 2009

Teatro Mário Barradas... em Évora


Morreu Mário Barradas. Acabei de o saber... e, para além de pensar que o Teatro Garcia de Resende deveria passar a chamar-se: Teatro Mário Barradas, assinalo este momento com a evocação de uma pequena e insignificante história suscitada pelo luto... porque o luto dos amigos, em nós, evoca o seu melhor... De facto, não deixa de me ocorrer a imagem de um encontro que com ele tive, sob os arcos que vão do Largo Luís de Camões para o Garcia, lá, em Évora, quando a cidade era a capital da cultura e o povo a vivia de peito aberto, na rua... Eu tinha 16 anos e encontrara-o em boa hora porque me pairava na cabeça o projecto de abraçar as artes que o Centro Cultural de Évora em mim despertara... disse-lhe!... ele, demorou um pouco para retorquir e perguntou-me: "Estás a acabar o Liceu, não é? Mas pensaste ir para a Universidade... diz lá que curso querias fazer" e eu, um pouco desiludida por pensar que ele ia ficar entusiasmado por haver jovens que acompanhavam o trabalho cultural que a Companhia levara, depois do 25 de Abril, ao coração do Alentejo, respondi: "Filosofia..."... o Mário parou, olhou para mim e disse: "Vai para a Faculdade... tira Filosofia"... eu tentei ripostar: "mas... posso fazer as duas coisas até porque o teatro pode articular-se com o estudo e a leitura"... ele voltou a parar e, em frente da Violeta (a pastelaria, claro), disse-me, muito sério: "És muito nova... vai primeiro fazer Filosofia... depois, se ainda quiseres vir, vem"... Acompanhei o trabalho de Mário Barradas e do grupo de actores que criou, do Centro Cultural de Évora ao Cendrev e à Companhia... devo à sua arte e à sua forma de estar na vida, uma parte do que sou. Por isso, hoje, sinto que todos perdemos um Amigo e um Mestre... mas se sinto que a minha vida ganhou muito por habitar o espaço que ele escolheu para trabalhar, imagino a perda dos meus amigos que, com ele, partilharam uma vida inteira de quotidianos, mágoas, alegrias e trabalho... conforta-me saber que a herança que o Mário Barradas deixou a este país tem na Ana Meira, no Alvaro Corte-Real, na Isabel Bilou, na Rosário Gonzaga, no Rui Nuno, no Vitor Zambujo, no Zé Russo e em tantos outros (de que não posso deixar de destacar o Fernando Mora Ramos), a garantia de continuidade de que as novas gerações já dão sinal. Um grande, grande abraço a todos... por todos nós, os que aprendemos a construção do ser também convosco!... dele deixo a fotografia (na companhia de J.Benite) e um texto que pode ser lido AQUI.