... com excepção do repetente Primeiro-Ministro, do novo Ministro dos Negócios Estrangeiros e do recém-criado Ministro do Ordenamento do Território... todos os Ministérios são liderados pelo até há pouco considerado "partido minoritário da coligação governamental"... estarei a ver mal? - pergunto porque ainda não ouvi nenhum comentador afirmar tal dedução!... evidências?!?!?!
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terça-feira, 23 de julho de 2013
domingo, 14 de agosto de 2011
Da "lisura" de Marcelo...
Defendendo que a questão da decisão legislativa deveria ser "em pacote" para o Estado e os institutos públicos, Marcelo Rebelo de Sousa acabou de dizer, na TVI, que a decisão do governo de fazer preceder as nomeações (quer no Estado, quer nos institutos públicos) da realização de concursos públicos, pode ser (se feita com transparência!), uma medida positiva... mas que, se assim não for!, dado que a decisão final de selecção do nomeado depende do governo, resultará apenas numa forma "mascarada" de se nomear alguém previamente escolhido - deixando perceber que reitera a evidência decorrente do facto das formas democráticas de gestão dissimularem, muitas vezes!, formas autocráticas dessa mesma gestão!... mas, disse mais!... disse até que a nomeação de Santana Lopes para a Santa Casa da Misericórdia é, no fundo!, uma forma estratégica de contornar interesses recíprocos, o que, no caso!, quer dizer: partidários (por um lado, porque interessa ao Governo ter Santana Lopes como aliado e, por outro lado, por interessar a Santana Lopes desempenhar um lugar que lhe aumente o prestígio político ao ponto de lhe poder viabilizar a ascensão à CMLisboa)... interessante!... principalmente porque "Marcelo dixit"!
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domingo, 24 de julho de 2011
Da Nova Liderança Socialista...
António José Seguro foi eleito Secretário Geral do PS. O facto é importante não só pelo papel que se presume venha a ter a oposição parlamentar, como pela forma e o conteúdo que irá desenvolver no contexto de profunda crise económica e social que o país atravessa. Ontem, no Público, São José Almeida relembrava que, hoje, na UE, apenas 2 dos 27 Estados-membros são governados pos partidos socialistas e que esses, Grécia e Espanha, se não encontram em condições de ser exemplo para os seus parceiros pelo que considera que a reestruturação do PS deve fazer-se no âmbito da refundação do Partido Socialista Europeu e da própria Internacional Socialista... a jornalista escreveu ainda: "(...) o recentrar ideológico deve ser feito na busca de respostas para o inferno social e para a revolução estrutural das sociedades europeias, que está a ser levada a cabo sob a batuta da Comissão Europeia e do conselho Europeu e que tem como objectivo o empobrecimento das populações e uma nova redistribuição de riqueza, concentrando-a nos mais ricos e nos mais poderosos. (...) para cumprir a sua função social como partido político, o PS tem de passar a fase de autismo em que permanece e que foi patente na campanha interna feita pelos dois candidatos, incapazes ambos de discutir o que quer que fosse realmente importante e consistente em termos de proposta política e ideológica. E foram incapazes pela simples razão de que não tiveram coragem política, nem autonomia suficientes para fazerem a ruptura com o passado. (...) Sem balanço crítico dos últimos anos, o PS não terá condições de reencontrar um projecto político para a sociedade portuguesa.(...)" Eleito com 70% dos votos de 30.000 militantes (ler aqui), valeria a pena começar por saber, por um lado, quantos foram os militantes do PS que não votaram efectivamente e, por outro lado, aferir o que esperam os portugueses do maior partido da oposição.
terça-feira, 21 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Propostas para a Segunda Figura de Estado!!??...
Indigitado Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho acabou por confirmar que convidou Fernando Nobre para, em caso de vitória do PSD, exercer o cargo de Presidente da Assembleia da República. E é o nome de Fernando Nobre que vai propôr à AR para segunda figura de Estado!... Surpresa?!
segunda-feira, 14 de março de 2011
Marcelo Rebelo de Sousa e Jorge Miranda - da diletância demagógica à seriedade política ou os extremos, afinal, não se tocam!
Enquanto Marcelo Rebelo de Sousa deu hoje um triste espectáculo de diletância demagógica, ao serviço do PSD e em tom de insinuante novela mexicana ao exagerar ridiculamente a entoação escolhida para expor o argumentário contra Sócrates (que afinal se reduziu a afirmar -numa vã expectativa de convencer os portugueses!- que as medidas que o Primeiro-Ministro levou a Bruxelas para evitar uma ameaça de intervenção externa na economia nacional no mais curto prazo, só não são boas porque não tiveram o aval de Passos Coelho e Cavaco Silva - os quais, segundo indicam as reacções, primeiro do líder do PSD e agora do comentador, gostariam de ter partilhado "os louros" que a Europa dirigiu a J.Sócrates ao receber o anúncio!), Jorge Miranda deu uma excelente entrevista à TSF e ao DN que vale a pena ouvir Aqui.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Dos Discursos dos Presidentes, Hoje (Actualizado!)
A Assembleia da República é o garante da democracia e da representatividade da sociedade portuguesa... por isso lhe cabe, nos termos definidos pela Constituição da República Portuguesa, dar posse ao Presidente da República e ao Governo. Hoje, no acto de posse do 2º mandato de Aníbal Cavaco Silva como Presidente da República, o discurso do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, emergiu como testemunho de uma democracia viva, dotada de um autêntico sentido de Estado, inequivocamente colocado ao lado dos interesses colectivos da população e da sociedade portuguesas. As palavras de Jaime Gama merecem, por isso, a nossa melhor atenção por se constituirem como corpo de um verdadeiro manifesto do compromisso político dos eleitos com a democracia!... e se o discurso do Presidente da República não surpreendeu por corresponder ao que do seu perfil se espera e por dar continuidade à leitura económica que, desde os tempos de Primeiro-Ministro, tem vindo a fazer, surpreendeu, pela positiva assertividade reflexiva, o discurso do Presidente da Assembleia da República cuja leitura, cuidada e atenta, é, de facto, recomendável a todos os que se preocupam com o país que somos e que temos e com a objectividade de que precisamos para gerir a crise que vivemos! sábado, 12 de fevereiro de 2011
Do Sentido das Propostas de Moções de Censura...

Primeiro, foi Jerónimo de Sousa a surpreender os portugueses e os próprios comunistas, ao afirmar que apoiaria uma moção de censura ao Governo mesmo que a sua origem fosse a dos protagonistas das políticas de direita! Agora, vem o Bloco de Esquerda dizer que vai apresentar uma moção de censura, com o objectivo de condenar e castigar a governação. O argumento destas duas forças de esquerda reside, segundo dizem!, no combate às políticas de direita! Ora, acontece que, como todos sabemos, se o governo liderado pelo PS fosse destituído e novas eleições fossem agendadas, a governação do futuro próximo só poderia ser igual (caso o PS voltasse a ganhar) ou ainda mais à direita, uma vez que, como é sabido!, o PSD afirma e assume uma ideologia e um programa de governação mais neoliberal e mais redutor do Estado Social que, por enquanto!, ainda temos. Por isso, o argumento "cai por terra" e não é essa, seguramente!, a motivação desta súbita intenção da esquerda em censurar e, porque não dizê-lo?, derrubar o Governo. No caso do PCP, poderá tal motivação residir na vontade de afirmar o seu poder como vanguarda da condenação das políticas governamentais, na sequência de um resultado eleitoral pouco lisonjeiro, que é preciso relativizar... Quanto ao Bloco de Esquerda, num momento em que foi conhecida a expulsão de um dos seus militantes (João Pereira) e em que está assumida uma tendência anti-Louçã no seio deste partido, depois do péssimo resultado que significou o seu apoio à candidatura de Manuel Alegre, vir falar em moção de censura nesta altura é, nada mais nada menos, do que uma corrida "para a frente" no sentido de querer antecipar-se ao PCP, na tentativa de protagonizar a oposição à esquerda do PS. Erros crassos! As propostas de apresentação de moções de censura ao Governo não são, neste momento, mais do que um novo argumento para a descredibilização da esquerda que se requer sólida, credível e responsável. É pena que o modo de fazer política da esquerda, ao invés de apresentar propostas programáticas esclarecedoras e sérias, potencialmente eficazes e viáveis, para defender os interesses económico-sociais dos portugueses, esteja já, apenas e só!, ao nível do copiar a direita no seu pior: o tacitismo gratuito e o populismo... uma esquerda capaz de viabilizar governações mais à direita não é uma esquerda mas, isso sim!, uma outra forma de direita... ora do que Portugal precisa é de uma esquerda capaz de fazer acreditar os portugueses que é possível viver melhor!... infelizmente, não é esta a mensagem que os portugueses recebem com estas ameaças balofas e bafientas que insistem em propostas de moções de censura inoportunas e desnecessárias.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Menos Deputados na AR? Porquê e Para Quê?
A redução do número de deputados de 230 para 180 é uma espécie de "tiro no pé" da democracia, aceitável e compreensível apenas para os que defendem um sistema tendencialmente bicéfalo de exercício do poder. A tese, corroborando a regra da alternância do poder, diminui drasticamente a possibilidade de representação dos pequenos partidos na Assembleia da República e, consequentemente, condiciona o direito à liberdade de escolha dos eleitores. Para quem defende o carácter meramente funcional da política e reduz o interesse ideológico à categoria de opinião de senso-comum, a redução do número de deputados surge, de facto, como um modelo economicista do exercício do poder. Contudo, quem defende a diversidade, a pluralidade de opiniões, crenças, costumes e compreende o papel sociológico da pluri-culturalidade e da inter-culturalidade na sociedade contemporânea não pode defender uma redução do número de deputados porque o facto se não esgota em si próprio - já que altera as regras e diminui efectivamente a igualdade de oportunidades no acesso à prática política. Por isso, é de destacar a afirmação quer do Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, quer do próprio Primeiro-Ministro, José Sócrates, de que o Governo não pretende apresentar qualquer proposta legislativa nesse sentido (ler Aqui e Aqui)... tal como se compreende que o PSD defenda exactamente o seu contrário (ler Aqui). O que, de facto, na actual situação política nacional e internacional, se não compreende, é que o Ministro dos Assuntos Parlamentares, apesar da sua opinião sobre a matéria, venha defender publicamente essa medida que colhe apoios apenas entre os sociais-democratas e os populistas que pensam que a redução de deputados resolve a crise económica do país...
domingo, 30 de janeiro de 2011
Participação Político-Partidária Portuguesa...

... reuniu hoje, em Lisboa, a Comissão Nacional do Partido Socialista cujo principal objectivo foi, além da análise da situação política nacional e dos resultados das eleições presidenciais, marcar a data das próximas eleições internas do PS. A recandidatura de José Sócrates reconfirma-se, sendo já conhecida a direcção da sua campanha. Entre silêncios e cortesias, as excepções protocolares da comunicação com os jornalistas foram de Almeida Santos e Francisco Assis, para desdramatizar o discurso da vitória eleitoral de Cavaco Silva... e de Ana Gomes que assinalou a necessidade do Partido Socialista ser "exigente, crítico e vigilante" em relação à governação. A eurodeputada e diplomata acrescentou que, apesar disso, dada a situação político-económica nacional, é natural que o Congresso a reunir em Abril e em que será realizado o referido acto eleitoral, seja o da reeleição de José Sócrates - apesar de, em democracia, ser sempre desejável que apareçam várias candidaturas... A sensação com que se fica é a de que a livre participação político-partidária e o debate político aberto e sério ficaram à margem do evento, sendo, potencialmente, remetidos para a realização do Forum Novas Fronteiras, previsto para 20 de Fevereiro... seria bom para a sociedade portuguesa que a abertura do forum à participação fosse um facto, ao invés de se manter como um palco onde desfilam as comunicações dos históricos e previsíveis interlocutores "de serviço"... para que a sociedade se aproxime da política e não continue a ter motivos para persistir no afastamento de um modelo político cada vez menos representativo e, obviamente!, menos participado.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Um Cravo por Vitor Alves - O Homem que não Falava Demais
Vitor Alves, o inesquecível Capitão de Abril, morreu hoje, vítima de doença prolongada (ler aqui). O país fica mais pobre e menos seguro porque a existência dos grandes homens dá sempre aos cidadãos o sentimento de segurança e tranquilidade, como se a sua presença, algures!, garantisse que, se necessário, se irão pronunciar e assumir a posição justa e adequada, a cada momento. Vitor Alves é um rosto que se registou na minha memória como se de um cravo humano se tratasse. A minha homenagem fica aqui, registada e sentida, pela admiração que sempre me mereceu o Capitão cujos olhos diziam da atenção, da razão e da compaixão profunda com que pensava e via o mundo e o país mas que, nunca!, falou demais, deixando a democracia e a liberdade seguir o caminho natural da sua construção - ainda que, estou certa!, acompanhasse, circunspecto e sério, a gravidade dos desvios que a Revolução e o Espírito de Abril sofreram ao longo dos anos! Viva o 25 de Abril! Viva o Major Vitor Alves, Capitão de Abril!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A Ineficácia da Mensagem Política do Primeiro-Ministro...
Para os comentadores, a mensagem de Natal do Primeiro-Ministro foi irrealista; para o Governo e para o PS, foi "um exercício de realismo", para a oposição um exercício de propaganda (ler aqui, aqui e aqui). A verdade é que José Sócrates dirigiu a sua mensagem à ideia de construção de uma imagem interna e externa do país, visando um público político no caso português e político-económico no plano europeu e internacional. Ó Primeiro-Ministro esqueceu, contudo, o essencial: num país católico e em que o "espírito de Natal" tem significado cultural para todos, o facto é que os cidadãos esperavam do seu Primeiro-Ministro uma outra mensagem: uma mensagem solidária, capaz de sublinhar a consciência da crise e do seu profundo impacto social, uma mensagem que sublinhasse a importância que o extraordinário número de pessoas desempregadas tem no panorama de preocupações do Governo... só assim teria sido eficaz o presumível "acordar a esperança" que se supõe ter sido a intenção do Primeiro-Ministro que perdeu uma oportunidade de reconquistar ou, pelo menos, de contribuir para reconfigurar a opinião pública sobre os esforços governamentais para responder à crise e aos mercados. Ao optar pelo tipo de discurso que apresentou aos portugueses, José Sócrates, além de não ter sido ouvido, foi mal recebido e deu inequivocamente "o flanco" às acusações de "propaganda" e "irrealismo" que ninguém perdeu tempo a sublinhar... é pena! O tal "espírito de Natal" e os cidadãos mereciam mais.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Freeport - Investigação, Direito e Intencionalidade Política
Paula Lourenço, advogada de Charles Smith e Manuel Pedro, não tem dúvidas sobre a intencionalidade política do processo Freeport. Sublinhando que a mesma percorreu e justificou todo o processo desde a sua origem e até ao final, Paula Lourenço destaca o envolvimento inicial de João Bual, ex-Vereador da Câmara Muncipal de Alcochete e alegado autor da carta anónima que deu origem ao processo (ver AQUI). A advogada chama ainda a atenção para o facto do desfecho judicial do processo ter sido redigido de forma também intencionalmente preparada com o objectivo de manter o clima de "suspeição" designadamente, política.
terça-feira, 27 de julho de 2010
José Sócrates, Cidadão e Primeiro-Ministro de Portugal

Seis anos depois de uma saga tortuosa que perseguiu o cidadão José Sócrates no exercício do mais alto cargo do Governo da República Portuguesa, hoje, o actual Primeiro-Ministro do nosso país, teve a justa alegria de falar a todos os portugueses através das televisões, para se congratular com o desfecho desse tenebroso caso chamado Freeport, suscitado pela cobardia subjacente à apresentação de uma carta anónima que ninguém, políticos ou comunicação social, teve pejo em explorar apesar do seu conteúdo pôr em causa o Executivo democraticamente eleito por sufrágio universal. Nada de novo no discurso de José Sócrates nesta declaração pública que fez, de pleno direito, porque sempre afirmou que nenhuma das suspeitas sobre ele levantadas, tinha fundamento. Ficámos nós, os cidadãos, a ganhar por termos confiado nas instituições e por não termos sido tentados pela intensiva teia de boatos e oportunismos com que fomos bombardeados. É isto a democracia!
domingo, 25 de julho de 2010
O Passeio de Passos Coelho...

Passos Coelho revelou-se um político imaturo que, na ânsia de consolidação do poder, opta pela falta de escrúpulos... e, nessa exacta medida, necessariamente maquiavélico. Desesperado, Passos Coelho é um líder sem norte que se esgota entre dois extremos: por um lado, a necessidade de compatibilizar a imagem de credibilidade democrática que os iniciais entendimentos com o PS pareciam deixar antever e que o PSD de Manuela Ferreira Leite lesara ao ponto dessa ser agora uma tarefa prioritária; por outro lado, para consolidação de indicadores que viabilizem a convocação de eleições, a necessidade de se apresentar perante o eleitorado de direita como o seu homem de confiança. Resultado: uma proposta de revisão da Constituição da República Portuguesa, ultra-liberal, contrária em tudo aos interesses e necessidades da sociedade portuguesa, reflexo de um deslumbramento obsessivo com uma espécie de El-Dourado em que já ninguém acredita e que nos remete para projectos ideológicos falidos desde os anos 80, que abrem caminho aos valores de uma direita conservadora, alheia à solidariedade, inimiga do Estado Social, indiferente aos dramas humanos individuais e colectivos do desemprego, progressivamente reforçadora de um autoritarismo incompatível com os valores democráticos que se pretendem vigentes no mundo contemporâneo. É tudo. Passos Coelho já nada tem a dizer a Portugal porque os seus preconceitos ideológicos, a sua demogogia e a sua vontade de encontrar receitas de fast food não só não convencem ninguém como afastam cada vez mais diferentes sensibilidades políticas. Pode ser cedo para o vaticínio mas, por ora, a radiografia do "estado da arte" da liderança do PSD denota uma pressa de efeitos potencialmente irreversíveis. Passos Coelho começou por passear na avenida, distraiu-se numa rotunda, avançou em alta velocidade por uma auto-estrada sem portagens e foi parar a um descampado sem saída...
domingo, 18 de julho de 2010
Da Descredibilidade Política (2) - O PSD

A ansiedade na procura desesperada por um discurso político alternativo conduziu a liderança do PSD à reedição do liberalismo e à insistência na revisão constitucional - como se a actual Constituição da República fosse a razão pela qual o país não tem ultrapassado as estruturais dificuldades económicas que os novos compromissos políticos decorrentes da economia globalizada, agravam (sem que a Constituição tenha aí qualquer influência)... Aos olhos da opinião pública, cada vez mais, o discurso do PSD vai emergindo como mero instrumento de propaganda - até porque se não viu até ao momento qualquer debate sobre o Estado da Nação em que o líder do PSD se confronte, de facto!, com o Governo ou com o Primeiro-Ministro para uma discussão séria sobre a economia e a sociedade portuguesa em que, para além do recíproco exercício demogógico, sejam analisadas situações factuais e medidas económicas concretas que permitam ao país uma eventualmente mais equilibrada governabilidade do que a que temos. A única realidade que da mediatização do PSD resulta é a sua quase incontrolada vontade de poder (apesar das palavras do seu líder alegando que só irá para o Governo após eleições), denotável numa estratégia pobre, ambiciosa e inequívoca sobre a intenção de centralização absoluta do poder: ganhar as Presidenciais com Cavaco Silva, apoiar a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições pelo seu Presidente num hipotético e possível novo mandato, ganhar as legislativas (mais por desgaste da imagem do Governo de Sócrates massacrado de todas as formas desde que chegou ao poder e apesar do seu trabalho, do que por mérito próprio) e rever a Constituição (legitimando o total liberalismo do mercado de trabalho e demolindo os fundamentos do Estado Social, indispensável ao combate à pobreza e à gestão das oportunidades de uma sociedade cuja classe média está à beira da extinção)... para, por fim!. governar a sós e de forma blindada (ou não é isso que subjaz à sua proposta de reforço dos poderes do Presidente da República que se pode ler Aqui?), em todas as esferas do poder deste nosso pequeno país... Não se trata aqui de combater gratuitamente o PSD ou Passos Coelho... trata-se de evidenciar que as suas propostas estão muito aquém do que se requer para que se acredite no seu empenho desinteressado de defesa do bem-comum que urge reforçar no país e que implicaria mais acordos, mais diálogo e maior concertação entre o espectro político - ao invés do rol de acusações que inquina o entendimento e compromete ainda mais o nosso futuro. Na verdade, ninguém acredita que o discurso de Passos Coelho enuncie um cenário adequado à nossa realidade... por isso, a pergunta que se coloca é a de saber se todo o espectro político-partidário português vai permitir que assim aconteça, por mera negligência e incapacidade política, fruto de cegas vaidades narcisistas e corporativas!?
domingo, 13 de junho de 2010
Caprichos contra o Direito - o caso da CPI

Pacheco Pereira já não sabe como obter credibilidade e hipoteca o seu partido a uma guerra que, no máximo, lhe valerá outra vitória de Pirro. A insistência em moldar as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso TVI, levam o caprichoso deputado a violar a Constituição pela repetição capciosa de um argumento inválido, a saber a consideração e divulgação de "escutas" como elemento pró-probatório de um Relatório que, à falta de factos, quer ver redigido em termos impressivos e opinativos, ou seja, subjectivos. Para quem defende um Estado de Direito é claro o entendimento que dele resulta. Da inconstitucionalidade da consideração das "escutas" vale a pena ler aqui o que tem sido escrito e sobre a sua irrelevância para o processo considere-se o que pode ser lido aqui. O Direito não se combate com birras... resta-nos agora esperar para ver o que fará Passos Coelho com tão pouco!
terça-feira, 4 de maio de 2010
Das ajudas de custo parlamentares à ética e à deontologia

Peca por tardia a decisão da deputada do PS, Inês de Medeiros, em recusar o pagamento das viagens Lisboa-Paris/Paris-Lisboa pela Assembleia da República. Uma decisão desta natureza é da ordem do simples bom-senso, da razoabilidade e da boa-fé, não carecendo de exercícios de reflexão ética ou jurídica sofisticados e, eventualmente, demorados... talvez por isso, considere a possibilidade da deputada ter sido muito pressionada, quiçá familiarmente, para conseguir dar este corajoso (?) passo na senda da transparência, da honestidade e da solidariedade política com o Parlamento mas, acima de tudo, com os cidadãos que, a gosto e contragosto, contribuem decisivamente para o combate à crise. Já agora, a título explicativo, devo dizer que se me não pronunciara antes sobre esta matéria foi por puro esforço de contenção e delicadeza - ou talvez pelo crédito de confiança que uma figura como o Maestro António Vitorino de Almeida me merece. Valeu a pena? ... sim porque, afinal, "mais vale tarde que nunca"!... de lamentável apenas o facto de uma deputada independente ter perdido a oportunidade de demonstrar que a política se faz de atitudes éticas, de altruísmo e respeito pelos eleitores.
sábado, 10 de abril de 2010
Da Primavera Social-Democrata...

Tenho acompanhado muito superficialmente o congresso do PSD... porque, por um lado, se trata da agenda formal da vida regular de um partido e, por outro lado, por não haver tempo para que, desde as eleições directas ganhas pelo seu novo líder, Pedro Passos Coelho, se possa esperar algo de efectivamente novo no correr dos dias políticos desta actualidade que Cavaco Silva hoje se lembrou de classificar como "insustentável", dizendo, nas cerimónias do Dia do Combatente, que cada português deve ser um "combatente"?!?!... confesso que ainda me "passou pela cabeça" que o Presidente da República ia começar a defender a extinção das Forças Armadas em nome da contenção de gastos do país (depois dos submarinos e outras aquisições polémicas poderia ser, ainda que inesperada, uma punição eficaz para o sector negocial da área) e propôr um serviço militar obrigatório para todos os portugueses, homens e mulheres, "à maneira", não direi de Israel mas, por exemplo, da Suiça!!!... mas, não!... não era nada disso!... Desculpem o "à parte" mas isto de protagonismos ideológico-partidários, no caso social-democrata - ou em qualquer outro, diga-se em abono da verdade! - é, como as conversas e as cerejas... porque o que aqui quero registar, por me ter chamado a atenção, pela sua coerência sistemática e actualidade política, é o discurso de Luís Filipe Menezes neste Congresso do PSD. Esclarecendo o sentido de "unidade" - quiçá para integrar eventuais assomos dissidentes de Morais Sarmento ou de Paulo Rangel e até mesmo, de Aguiar Branco - e incidindo na re-construção de uma identidade partidária de índole ideológica, Luís Filipe Menezes surgiu hoje como uma espécie de ideólogo social-democrata... a ver vamos se algum resultado interessante para a democracia portuguesa daqui pode resultar.
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