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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
sábado, 17 de novembro de 2012
sábado, 7 de agosto de 2010
Violência Contra as Mulheres - os casos de Portugal e da Europa
Inspirada no blogue de Osvaldo Castro A Carta a Garcia, ocorreu-me que seria interessante evocar aqui o problema da violência, através da fabulosa analogia que a trilogia literária de Stieg Larsson evoca e retrata, mostrando como, através da vida de uma personagem, constatamos a forma multifacetada dos percursos da violência que, estruturalmente, percorrem a vida nas sociedades contemporâneas ditas desenvolvidas, ainda e sempre de forma particular, no que às mulheres diz respeito. O problema da violência doméstica que começa a ter visibilidade (inclusivé na sociedade portuguesa onde só no 1º semestre do ano em curso fez já 14 vítimas mortais - vale a pena ler AQUI), é parte de um problema mais grave onde se oculta a história da construção cultural de uma civilização assente na lógica do exercício violento do poder e que hoje se designa já por "violência de género". O problema requer, de facto e antes de mais, uma intervencão assistencial imediata às vítimas que vão da violência familiar à vulnerabilidade face às redes de tráfico de seres humanos mas, implica também, indiscutivelmente, uma compreensão transversal das relações interpessoais e sociais configuradas culturalmente que, para serem coerentes e se poderem assumir como parte integrante da pretendida coesão social das sociedades democráticas, devem ser vividas de modo a permitir a construção de representações mentais do mundo humano onde a violência física e psicológica não seja encarada com naturalidade ou negligência mas, isso sim, como patologia, desvio e crime. É neste contexto que a trilogia de Stieg Larsson é exemplar... pela forma crua, interessante e complexa de exposição de um problema que toca a todos, através de uma narrativa policial contemporânea de excelente qualidade de que podemos ter uma amostra nos vídeos que se seguem e que correspondem a excertos de cada um dos 3 volumes desta obra - sobre a qual importa reflectir, para além da sua dimensão de entretenimento que tanto prazer proporciona aos leitores e que tão bem se adequa ao período estival.
Millenium - 1 - OS Homens Que Odeiam as Mulheres:
Millenium - 1 - OS Homens Que Odeiam as Mulheres:
Millenium 2 - A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo:
Millenium 3 - A Rainha no Palácio das Correntes de Ar:
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Hiroshima - Não ao Nuclear

Foi há 65 anos que as bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, destruiram as 2 cidades, iniciando a chamada "era atómica". Herança deste momento tenebroso é a luta travada por ONG's, cientistas, cidadãos e alguns Governos (entre os quais, felizmente!, se conta Portugal) que, em todo o mundo, resistem ao desenvolvimento da energia nuclear que, para além dos pretensos baixos custos energéticos, possui um potencial de destruição massiva que é preciso evitar a todo o custo uma vez que o acesso ao seu uso para fins bélicos e terroristas é uma possibilidade real que nos cabe a todos procurar evitar. Do catastrófico efeito causado pelas bombas lançadas há 65 anos são testemunhas vivas 235.000 pessoas que sofreram e sofrem diariamente os seus efeitos (ler Aqui e Aqui). Hoje, Hiroshima relembrou a tragédia (que contou pela primeira vez com a presença de uma representação dos Estados Unidos da América, responsável pelo desastre) com o objectivo de obrigar o mundo a não esquecer a catástrofe que se mantém como ameaça iminente no horizonte do desenvolvimento global.
sábado, 23 de maio de 2009
Invisibilidade e Dissimulação no Incentivo à Violência...

A violência é, se assim podemos dizer, gestora da organização social. Podemos constatá-lo na história da humanidade ao ponto de verificarmos a sua existência como um factor estrutural das relações sociais e dos comportamentos... tinha razão Friedrich Nietzsche ao enunciar a sua "vontade do poder" como modo de apropriação do mundo... contudo, o que surpreende é o facto de, mais de meio século depois de uma permanente insistência em apelos à paz, continuarmos a assistir ao recurso à violência como forma processual e legítima das relações sociais, laborais e políticas. Por isso, quando se fala de Guantanamo, quando o mundo se espanta e regozija com a intenção de Barack Obama em encerrar as suas instalações e proibir a tortura e quando todos nós nos sentimos defraudados com os retrocessos a que o Senado norte-americano obriga a actuação do Presidente dos EUA, constatamos que, apesar da realidade assustadora a que nos referimos sempre que se fala em violência, é a ela que se recorre como mecanismo de gestão económica e política. Os múltiplos rostos da violência, mais ou menos in-visíveis ou dissimulados, desempenham nas posturas socio-políticas e, consequentemente, cívicas, um papel ambíguo que se esconde e revela hoje sob a capa do velho pretexto da necessidade que justifica os mais pequenos e os maiores detalhes da vida social em que se reflectem, de facto, no seu todo, valores e práticas contemporâneas. Como um binóculo que de um lado aproxima e do outro afasta, a violência é um dos nexos da persistência das respostas à qualidade dos estímulos... no plano da comunicação social - de que ontem foi exemplo a excelente reacção do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, à continuada violência de Manuela Moura Guedes (ver Filipe Tourais no País do Burro), em termos do exercício da autoridade (ver Francisco Seixas da Costa no Duas ou Três Coisas), no plano político (ver JMCorreia Pinto no Politeia) ou no plano laboral (ver Carlos Santos no Valor das Ideias)... se a todos estes exemplos somarmos o reconhecido dogmatismo religioso protagonizado pelas declarações mais ou menos dissimuladas da maior parte dos representantes das confissões religiosas, a questão que se coloca é a de saber, entre legitimidades ao abrigo de múltiplos argumentos que institucionalizam a violência como regulador social, que juízo ético ou moral justifica o apontar da delinquência como fenómeno gratuito, isolado e estranho à lógica institucional das relações humanas?... é que, nesta perspectiva, todas as manifestações exemplificadas surgem como respostas violentas adequadas aos diferentes contextos, ficando apenas o vazio no lugar do exemplo, da pedagogia e da própria autoridade.
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