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segunda-feira, 14 de julho de 2014

À procura de título...

"Respiro o Teu Corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água...

ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,

ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca."

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Da Eternidade da Poesia no Feminino - Sofia no Panteão

"Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome



E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

segunda-feira, 17 de março de 2014

Não te Rendas...


"Não te rendas

Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,

Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo."


Mario Benedetti

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Poema Viajeiro...

... é para ti, o poema... o "Poema Viajeiro":

São viajeiros
os olhos quentes
que atravessam o coração
dos tempos
e encontram a cada passo
a eternidade
de que se fazem os instantes
onde se guarda o conteúdo da vida...

São viajeiros os olhos,
as mãos e as (in)certezas
com que, como caravelas,
cruzamos as águas
que nos conduzem às terras
feitas céu e feitas chão
onde, libertos de ferros, lançam âncora
os corpos feitos matéria de navegação...


São viajeiras
as palavras com que se forma o poema
porque é em voo
que as gaivotas fazem pontes
com asas
a unir margens
onde da paixão nasce a esperança
e do amar a confiança...

São viajeiros
os cais e os destinos,
certos à partida,
do chegar...
e são sem medo
todas as viagens
com que, de tanto o abraçarmos,
seremos mar.

sábado, 3 de agosto de 2013

Da eterna (re)criação do entendimento...


(via Manuel Duran Clemente no Facebook)

domingo, 28 de julho de 2013

Mensagem...



"Há mulheres que trazem o mar nos olhos

Não pela cor

... Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos

Ficam para além do tempo

Como se a maré nunca as levasse

Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos

pela grandeza da imensidão da alma

pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...

Há mulheres que são maré em noites de tardes

e calma."

Sofia de Melo Breyner Andersen in "Obra Poética", ed. Caminho, 2010

(via Isabel Castro no Facebook)

sábado, 18 de agosto de 2012

Sentidos e Percursos...

"Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar!
Quando voltar, é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
...
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça, é tudo tão verdade!
"

(A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros)
 
(via António Silva no Facebook)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Se...

... "If" de Rudyard Kipling... na voz de João Villaret...

sábado, 24 de março de 2012

A Palavra...

"Março voltou, esta 
ácida loucura de pássaros 
está outra vez à nossa porta, 
o ar 
de vidro vai direito ao coração.´


Eugénio de Andrade
(via Sara Falcão Casaca no Facebook)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sons com Sentido...


... "Cântico Negro" de José Régio... por Maria Bethânia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Jorge de Sena


«Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero.»
(...) Jorge de Sena
(Poema partilhado pela minha amiga M.José M.Manuelito na caixa de comentários do post: Mineiros! A Lição da Nossa Grande Humanidade)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Não vou por aí..." ...



"Cântico Negro" de José Régio é um poema que nos devolve à essência do que somos, quando o ritmo do mundo nos aproxima da dissolução do "eu" em "si"... resistir - é a palavra de ordem... convictamente, como o transmite a voz de Maria Bethânica, no modo de o dizer...

"Tabacaria" de Fernando Pessoa



Na voz de João Villaret, o poema "Tabacaria", de Fernando Pessoa... não se comenta, ouve-se! ... como quem ouve uma certa lucidez do pensamento em acção...

sábado, 31 de janeiro de 2009

A Pedra...


"A Pedra


O distraído nela tropeçou.


O bruto a usou como projétil.


O empreendedor, usando-a, construiu.


O camponês, cansado da lida, dela fez assento.


Para meninos, foi brinquedo.


Drummond a poetizou.


Já David matou Golias,


e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...


E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!


Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento."


(Texto de autor não identificado enviado por Paula Brito)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Dies irae...


"Dies irae

Apetece cantar, mas ninguém canta.

Apetece chorar, mas ninguém chora.

Um fantasma levanta

A mão do medo sobre a nossa hora.


Apetece gritar, mas ninguém grita.

Apetece fugir, mas ninguém foge.

Um fantasma limita

Todo o futuro a este dia de hoje.


Apetece morrer, mas ninguém morre.

Apetece matar, mas ninguém mata.

Um fantasma percorre

Os motins onde a alma se arrebata.


Oh! maldição do tempo em que vivemos,

Sepultura de grades cinzeladas,

Que deixam ver a vida que não temos

E as angústias paradas!"

Miguel Torga


(Poema e Fotografia enviados por: Paula Brito)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

A arte, a vida e a humanidade



As palavras dos poetas iluminam as noites dos silêncios...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Expressões


É com atenção que se escreve

o que o coração nos dita,

filtrando o que o olhar o mundo

nos dá a pensar...

... assim se empresta às palavras,

o sentir

com que vamos fazendo pontes

nos intervalos

das longas estradas

a cumprir...

... enquanto o tempo corre

como as águas

para um mar que, entre o azul e o cinza,

se torna, na distância sem limite dos horizontes,

uma outra expressão do ar a que também,

infantil ou metaforicamente,

chamamos céu.