É chocante o que está a acontecer no Serviço Nacional de Saúde (ler aqui e aqui). Porque se é verdade que há um imoral desperdício de verbas, seriam bom que os cidadãos soubessem em que sectores ocorrem as brutais despesas que todos vamos pagar: com menos saúde, menos assistência, mais doenças e, previsivelmente, mais mortes que seriam, seguramente!, evitáveis porque é inequívoca a relação entre diagnóstico precoce e eficácia terapêutica. É por isso incompreensível que se associe directamente o excesso de gastos à qualidade dos serviços pelo que seria muito interessante aferir questões colaterais mas decisivas como, por exemplo: a quem beneficiou o dinheiro desperdiçado e qual a natureza e justeza dos critérios de elegibilidade de espesas que, nesta área, tudo pagam a "peso de ouro": formações, deslocações, representações, e outros "ões"... Injusto e socialmente lesivo do interesse público é o facto dos exames de diagnóstico, o preço das consultas de urgência e as taxas moderadoras, tornam o acesso à saúde num luxo e num risco!... porque, para além destes aumentos revelarem um completo distanciamento das condições de vida dos portugueses (que se não reflectem linearmente nas fórmulas de cálculo económico-financeiro), perde credibilidade quem, avaliando a questão à "vol d'oiseaux" não recorre a critérios de avaliação clínica desinteressada e respeitadora do Juramento de Hipócrates para, com rigor, aliar os resultados das auditorias do Tribunal de Contas à realidade e aos objectivos do Serviço Nacional de Saúde, protegendo os cidadãos dos interesses corporativos... ... porque este caminhar a grande velocidade para um serviço de saúde tipo norte-americano não interessa a ninguém... nem aos americanos! É, por isso, indispensável exigir com eficácia uma gestão política da saúde assente numa elevada ética da responsabilidade social... ou, dito de outro modo, haja moral e competência!
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Justiça ao SNS - Hospital de São José
Não conhecia o Hospital de São José e, confesso!, não aspirava conhecê-lo até por dele ter a imagem de senso-comum de um grande hospital central, com um elevadissimo número de politraumatizados e onde o tempo de espera faria esgotar a paciência... imaginava, por isso, um hospital com corredores cheio de macas com pessoas doentes, a gemer, feridos, à espera. Contudo, ontem, uma urgência levou a que tivesse que recorrer aos seus serviços e... vale a pena registar que, para além de muito bem recebida, encaminhada e atendida, no espaço de cerca de 3 horas, fui consultada em medicina interna, sujeita a exames complementares de diagnóstico, tratada e medicada... E se muito há a dizer sobre as insuficiências do SNS, é digno de registo o seu atendimento quando profissionalismo e competência nele dão as mãos e permitem a quem entra doente, sair tranquilo, melhor e confiante na rápida recuperação. Por isso, é bom não esquecer, quando o rol de críticas cita inúmeros exemplos que nos deixam perplexos, que, felizmente!, temos um SNS que funciona e que não podemos, de todo!, deixar degradar ou perder. Bem-hajam os profissionais que, com seriedade, levam a sua missão a cabo com eficácia, dignidade e humanismo!
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