segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Leituras Cruzadas...

Depois do sol e do mar com que se recarregam energias ou com que, pelo menos, se reforça e se dilata a nossa paciência para os paradoxos e impasses com que vemos o poder gastar o tempo enquanto os cidadãos prolongam a sua capacidade de sobrevivência e resistência, eis que regressamos de forma a resgatar, pouco a pouco, os intervalos comunicativos e as sempre saudáveis e estimulantes pontes do pensar e do dizer, sob a égide de uma bondade que emana da amizade que subjaz à interacção desinteressada e autêntica que torna os dias mais belos e mais ricos. E neste regresso, hoje, ao invés de cruzar, limito-me apenas a enunciar alguns dos textos que me despertaram a atenção e cujo sentido se cruzará, seguramente, sob o olhar da sensibilidade e da mente de todos nós, seus leitores:
Levantando a Voz Contra a Fome in Sustentabilidade é Acção;
A Consciência de Participar in Outros Cadernos de Saramago;
Para os que não querem que a Europa continue a medina-carreirar in Ladrões de Bicicletas;
Histórias que não se Repetem? in Arrastão;
Artigo 13º da Constituição da República in Câmara Corporativa;
27 de Maio in Duas ou Três Coisas;
Homilias Dominicais (citando Saramago) - 7 in Conversa Avinagrada;
O Regresso da Política Industrial in Ladrões de Bicicletas;
Absolvido no Tribunal da Televisão in Delito de Opinião.

domingo, 19 de setembro de 2010

Corporativismo tácito, inútil e infeliz na A.R.

Talvez não surpreenda muitos... mas, surpreende sempre alguns que não serão tão poucos como possam imaginar os que pensam que a relativização da realidade, reduz, de facto, a existência e a essência dos factos... e, mais que a surpresa, certo é que indigna, entristece e, porque não dizê-lo?, choca!... Refiro-me à expressão parlamentar do PS no que à votação da proposta do BE, PCP e Verdes contra a expulsão de cidadãos europeus, de etnia cigana, de um país-membro da própria União Europeia, diz respeito. Votar contra?... desculpem lá mas, com que fundamento maior que os valores, ditos europeus!, da igualdade de tratamento e de oportunidades ou dos direitos de livre circulação e mobilidade das pessoas no espaço europeu e dos princípios da não-discriminação e da valorização da diversidade?... o argumento dos interesses de Estado pode interpretar um corporativismo igual a tantos outros!... no caso, designadamente, porque Sarkozy, Berlusconi e a própria Merkel não são legítimos representantes da Europa Social já que representam, isso sim!, a Europa economicista, próxima da alta finança e do mais feroz neo-liberalismo encapotado de um nacionalismo dissimulado capaz de defender duas velocidades para o estatuto e o papel político dos Estados-membros da UE, protagonizando um populismo europeu ideologicamente próximo da mesma direita que tem agravado as leis mercado pela insistência em eixos de convergência assentes numa competitividade que não temos capacidade de defrontar como iguais e que nos torna, a todos!, reféns de uma instabilidade social depressiva que tem o seu mais negro rosto no número desmesurado do desemprego que o próprio FMI reconhece como insustentável... haveria necessidade de Portugal baixar a defesa íntegra dos princípios democráticos para condescender ao apoio tácito de países que nos fazem pagar uma crise por eles próprios criada?... felizmente, houve um voto contra e algumas - poucas, é certo! mas, honrosas - abstenções... contudo, perante tão pouca expressividade na coerência entre alegados princípios e efectivas práticas, há, de facto, margem para, triste mas adequadamente, se colocar a questão: Esperança? Confiança? - como, senhores?.. como?...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ainda as prioridades...



Mamma África, Chico César

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A maior de todas as urgências...

É urgente... é imperioso... é assustador... é real!
No mundo há 925 milhões de pessoas com fome e 210 milhões de desempregados!...
Há dias, em Oslo, na conferência internacional que, pela primeira vez, conjuntamente, FMI e OIT (respectivamente, Fundo Monetário Internacional e Organização Internacional do Trabalho), foi o próprio Presidente do FMI quem disse ser calamitosa a situação internacional do mundo laboral e anunciou que é necessário criar, nos próximos 10 anos, 440 milhões de empregos!
... por cá, no nosso país, para além das instituições de solidariedade social de que é exemplo a Caritas assegurarem que a situação de apoio social a pessoas e famílias carenciadas se está a tornar uma tarefa cada vez mais difícil e incompleta pelo constante acréscimo da procura e a não proporcionalidade dos meio disponíveis para lhe responder, é o próprio Presidente do Instituto da Segurança Social e Coordenador do Ano Europeu Contra a Pobreza, Edmundo Martinho, quem afirma que a luta contra a pobreza em Portugal não tem surtido o efeito desejado por não atender "(...) àquilo que é a dimensão da construção familiar(...)" (in DN de 12-09-2010). De facto, a incapacidade de sucesso do combate à pobreza decorre da complexidade do fenómeno que requer uma dupla intervenção: por um lado, persistir e reforçar os meios assistencialistas disponíveis (que são manifestamente insuficientes apesar do que proclamam os arautos das fiscalizações, das penalizações e outras estratégias menores e eticamente medíocres de combate à dívida pública) e, por outro lado, desenvolver medidas direccionadas para as causas estruturais da reprodução da pobreza e para a inversão das dinâmicas sociais que acentuam o fenómeno (desemprego, inércia social, formação profissional desadequada e por aí adiante...)...
Nota: obrigado a todos os amigos e comentadores que aqui continuam a reforçar o trabalho da Nossa Candeia que, sem vocês, iluminaria muitissimo menos... no domingo começarei a responder-vos... até lá: um abraço redondinho de saudades e Saravah, meus amigos... em nome da vida!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Sei de um Rio", Camané

Responsabilidade Cívica e Educativa - CMElvas e CM Seixal




Em início de ano lectivo, com o Presidente da Associação de Pais a falar em redução de apoios socio-educativos para famílias carenciadas e a Ministra da Educação, Isabel Alçada a garantir hoje de manhã, na RTP, que tudo vai continuar igual no que a tais apoios se refere, vale a pena destacar o trabalho autárquico que, de modo diferente, as autarquias de Elvas e do Seixal estão a desenvolver. Em Elvas, por razões que decorrem da capacidade orçamental do município e provavelmente em função do número de beneficiários em causa, a Câmara Municipal distribuíu a 600 famílias carenciadas material didáctico novo, completo, para as suas crianças que, de outra forma, começariam de forma deficitária o ano lectivo. No caso do Seixal, de forma pedagógica, criativa e solidária, a Biblioteca Municipal tem em curso um projecto chamado "Dar de Volta" que consiste no empréstimo anual gratuito de todos os manuais escolares às suas crianças, permitindo a rotatividade dos livros, a economia de custos e o desenvolvimento da responsabilidade solidária entre autarquia, famílias e crianças.

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de Setembro - Nove anos de um impacto ainda em curso

Faz hoje 9 anos que, nas Twin Towers do coração de Nova Iorque, deflagrou a tragédia que ficou conhecida pela sua data de occorrência: 11 de Setembro! Nove anos depois do horrível incidente que fez vítimas em grande parte da América e do mundo e que assustou para sempre a comunidade internacional perante a capacidade de intervenção do terrorismo e a vulnerabilidade da segurança dos povos, para além da desestruturação do mundo financeiro que geria o Ocidente e condicionava o planeta, verificamos um decréscimo acentuado no trabalho e na intervenção pública no que se refere ao diálogo inter-cultural e inter -religioso que caracterizara os anos 90, denotando-se uma vez mais que a política, nas suas dimensões educativa, de lazer ou informativa minimiza, de facto, a importância pedagógica da prevenção da intolerância e da valorização da não-violência... assim, neste 9º aniversário de uma ameaça que nos tocou e toca a todos, continuamos a assistir à insistência fundamentalista com rostos cada vez mais assertivos e perigosos de que são claras evidências os três exemplos que considero dever destacar: a) as lapidações em sociedades de cultura árabe expostas à dominação política de ditadores e movimentos radicais; b) as ameaças irresponsáveis e insensatas de um pastor evangélico que, nos EUA, fez furor nas televisões, suscitando reacções de repúdio em todo o mundo, ao proclamar que iria proceder à queima de exemplares do Corão numa reedição da má-memória do que, nas culturas católicas conhecemos como próprio da Inquisição e que, entre outras culturas, se identifica com práticas correntes em regimes ditatoriais sangrentos (da China à ex-URSS, por exemplo); c) e, de modo algum em último lugar mas, talvez até em primeiro, a abominável cultura doentia da violência e do ódio que Israel continua a praticar, sem tréguas, sobre os palestinianos!

De Manuel Alegre, hoje, no CCB, às Presidenciais de 2011


As Presidenciais que se avizinham surgem quase desinteressantes a cerca de 4 meses da sua realização... a par de Cavaco Silva que conta com uma máquina de propaganda a rodar intensamente de há, pelo menos!, dois anos a esta parte, assegurando nichos de mercado em que outros candidatos dificilmente penetrarão e cuja mais recente expressão esteve na visita de Silva Peneda ao PR com preocupações sociais expressas de uma forma tecnocrática que se torna ridícula quando comparada com o discurso simultaneamente humanista e científico do anterior Presidente do Conselho Económico Social, Alfredo Bruto da Costa... a não ser que os restantes candidatos encontrem o tom e o teor exacto de um equilíbrio justo, harmonioso e viável para o país que temos, para além de toda a demagogia, do "politicamente correcto" e do mero sentido de oportunidade que em nada nos engrandece e apenas alimenta o "status quo" desta desalentosa falta de expectativa e desta triste insustentabilidade económico-social onde os cidadãos vão praticando, como aprendizes de trapézio, as regras comuns da sobrevivência. É por isso que o encontro que hoje, às 18.30h, Manuel Alegre, vai realizar no CCB, com mandatários e apoiantes é importante! Participe!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Futuro Europeu?!...


Desculpem a brevidade comunicativa mas, a rede é fraca e não me tem permitido escrever tanto como gostaria... como dizia em comentário uma amiga, espero ir renovada e capaz de recuperar o tempo que só não é perdido por haver, por aqui, tanto mar... por isso, fica a imagem de uma manifestação ocorrida o ano passado em Portugal e que este ano, há dias, se reviu na manifestação mundial que ocorreu em Paris... os cidadãos não podem continuar a pagar a crise desta maneira...

sábado, 4 de setembro de 2010

Leituras Cruzadas...

O mais mediático e longo processo judicial que a sociedade portuguesa conheceu, teve ontem um desenvolvimento que marca e altera a constante suspeição sobre a Justiça portuguesa de que muitos diziam nada esperar... apesar do número de recursos suspender a prisão efectiva dos condenados e de, como o Bastonário da Ordem dos Advogados dizia ontem na Figueira da Foz, este facto poder resultar na prescrição dos processos e de ser este um dos rostos que distingue a justiça para mais e menos pobres, esta sentença do colectivo de Juízes do Tribunal de 1ª Instância mereceu textos que vale a pena destacar:
Casa Pia - de JMCorreia-Pinto in Politeia;
Finalmente - de Artur Costa in Sine Die;
Leituras e Democracia - de Paulo Dá Mesquita in Sine Die;
O Acórdão - de Eduardo Pitta in Da Literatura;
Casa Pia - de Sofia Loureiro dos Santos in Defender o Quadrado;
Quando Portugal Perdeu a Inocência - de Daniel Oliveira in Arrastão...
... mas, porque hoje, em Portugal, nas cidades de Lisboa e Porto, é dia de Solidariedade com a População Cigana, vale a pena ler dois textos publicados ontem e um publicado hoje:
Amanhã também sou um Cigano Expulso - de T.Mike in Vermelho Cor de Alface;
Ciganos: Manifestações em Lisboa e Porto... - de Osvaldo Castro in A Carta a Garcia;
Uma Canção de Mouloudji... - de Miguel Serras Pereira in Vias de Facto;
... a terminar as propostas de Leituras Cruzadas de hoje, ficam alguns interessantes e ricos apontamentos para a reflexão sobre algumas perspectivas actuais relativas à origem do universo:
Contradições de um Cientista - de Weber in Mainstreet;
Líderes Religiosos criticam Hawking... - de T.Mike in Vermelho Cor de Alface.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Do (quase) interminável Processo "Casa Pia"

Hoje é um dia importante para a justiça portuguesa... exactamente 9 anos depois da denúncia que deu origem a um processo que durou 8 longos anos, foi hoje lido o Acórdão do interminável processo da Casa Pia.
Excerto da leitura do Acórdão referente a Carlos Silvino:

Excerto do Acórdão referente a Carlos Cruz:

Excerto do Acórdão referente a Jorge Ritto:

Excerto do Acórdão referente a Manuel Abrantes:

... a notícia do dia pode também ser lida AQUI, AQUI e AQUI.
(Este post foi actualizado, para efeitos de informação complementar, no dia seguinte ao da sua publicação)

Moçambique - A Pergunta...


Se no Ocidente, por cá, na Europa, tal como por acolá, nos EUA, vivemos numa espécie de "limite", a sentir que atravessamos uma débil ponte de corda sobre o rio que corre em desfiladeiros indiferentes à nossa apreensão, ao nosso medo e às nossas expectativas... o que dizer ou esperar de Moçambique, um dos mais pobres países do mundo (ler aqui e aqui)?... nada? ... tudo?... seguramente, ambos os termos respondem aos nossos medos... e, por isso, o melhor é ajudar para que o recurso à corrupção, ao tráfico de influências e à suspeição determinada contra potenciais acusados, se não transforme, passando de "catártico saudosismo" a uma simples, pura e autêntica cumplicidade que, sob a forma de manutenção de uma forma de vida claramente desigual, caracteriza os pobres que choram e mendigam todos os dias.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Cidadania Europeia também é Cigana!



A problemática da integração e da cidadania europeia está na ordem do dia por razões que prolongam a prática da discriminação contra a população de etnia cigana que, entre nós, é constituída por 80.000 portugueses e que, na União Europeia, ronda os 12 milhões de pessoas (ler aqui)... isto apesar das preocupações teóricas de índole política que, nos últimos anos, motivaram a emergência de uma quantidade de eventos de alto nível no sentido de combater estereotipos e preconceitos (ler aqui, aqui e aqui) agora ignorados por alguns dos Estados-membros com maior poder e protagonismo na UE e pela própria Comissão Europeia que se remeteu a um incómodo e suspeito silêncio. Por isso, é importante saber, divulgar e participar na

CONCENTRAÇÃO CONTRA AS EXPULSÕES DE CIGANOS

Sábado, dia 4 de Setembro, às 15h

(frente à) Embaixada de França em Lisboa

A concentração é convocada por uma plataforma de organizações de defesa dos Direitos Humanos e conta já com os seguintes apoios: Associação de Estudos Ciganos, Associação Cigana de Coimbra, APODEC, SOS Racismo, Associação Olho Vivo e Ciganos d'Ouro.

Barack Obama e o Fim da Guerra no Iraque


Na minha opinião, a retirada americana do Iraque não tem sido noticiada ou elogiada devidamente. Compreende-se que a Administração de Barack Obama tem permanentemente "em mãos" dossiers muito quentes de que vale a pena destacar o ainda não resolvido problema de Guantanamo... contudo, a retirada americana do Iraque é, de facto, uma boa notícia não só porque a tão famigerada guerra acaba com a retirada das forças ocupantes ou porque o Presidente Obama cumpriu, no prazo que definira para o efeito, essa retirada mas, acima de tudo, porque o Iraque fica mais livre para procurar internamente as melhores soluções para a sua reconstrução. É verdade que o estado calamitoso em que ficou o país, sete anos depois de uma guerra sangrenta, dificilmente compreensível e menos ainda aceitável para quem a viveu e sentiu como demolição da vida, torna o momento presente simultaneamente angustiante e arriscado... os conflitos internos, a tentação do poder e a crise transversalmente grave com que a sociedade iraquiana fica confrontada são agora um desafio de desfecho imprevisível relativamente ao qual os EUA não poderão, perante a História, ser desresponsabilizados. Contudo, o fim da guerra é o fim da guerra na sua dimensão de desocupação de forças externas beligerantes... e Obama não invocou benefícios, não clamou vitória nem sequer falou em "missão cumprida" denotando o realismo e o sentido de responsabilidade que é urgente assumir na gestão das relações internacionais no século XXI onde a manutenção da paz e o fim da guerra deverão ser a prioridade, sobrepondo-se a qualquer vaidade ou sobranceria que, tradicionalmente, tem servido para justificar a necessidade demagógica de "cantar vitória" sobre os dramas que ficam instalados nos cenários de guerra.