sábado, 1 de maio de 2010

Breves... de um Pensador


... porque, depois de Abril, vem Maio... as palavras de quem, genialmente, sintetizou o conhecimento em O Ser e o Nada desta forma magnífica que muito dá a pensar: "Conhecer é Realizar" (Jean-Paul Sartre).

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sons Femininos...


... hoje, na voz inconfundível de Simone, o tema: "Pão e Poesia" :)

Leituras Cruzadas

Dos 36 anos do 25 de Abril de 1974 que celebrámos no passado domingo, vale a pena destacar os escritos de A.Pedro Correia no Aventar, de Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção e de Miguel Abrantes no Câmara Corporativa... num tempo em que a informação e a demagogia se cruzam, entre razões e fé, no permanente esforço de construção de resposta para as complexidades e perplexidades humanas, vale a pena, reflectir no contributo crítico com que João Tunes no Água Lisa nos faz pensar e na cáustica problematização que MFerrer nos proporciona no Homem ao Mar... porque, na verdade, é cada vez mais urgente a valorização do pensar pela nossa própria cabeça (leiam-se os textos de Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá, de Mário Teixeira no Aventar, de P.Krugman citado por Miguel Abrantes no Câmara Corporativa e de Osvaldo Castro no Carta a Garcia) para, com a excelência do bom humor (veja-se a delícia publicada no Mainstreet) e da boa reflexão (leia-se o apontamento de António Carlos Valera no Irrealidade Prodigiosa), nos serem menos pesados os dias deste tentador Verão que, ansioso, tem andado a assaltar a Primavera.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Das obras públicas ao subsídio de desemprego...

Na sequência do anúncio da revisão dos projectos de obras públicas, o Ministro da tutela, António Mendonça, reiterou o avanço das obras do aeroporto de Lisboa e da linha de TGV, cujo impacto socio-económico, no contexto da sociedade globalizada e caracterizada pela mobilidade de recursos, efectivamente, se justifica - até porque seria altamente contraproducente para a lógica dos mercados internacionais um retrocesso em compromissos internacionais desta natureza. Contudo, independentemente de tudo quanto há a fazer e a corrigir, vale a pena destacar o esclarecimento que hoje foi feito pelo Secretário de Estado do Emprego sobre a redução dos prestações sociais não-contributivas, nomeadamente, do subsídio de desemprego que tanta polémica tem, justamente, suscitado na sociedade portuguesa que tal redução se não aplica aos cidadãos que recebem menos de 700 euros!... É caso para dizer, do mal o menos!... não serão por isso, os que são, de facto mais pobres que serão mais penalizados!

Emergência e Crise - Actuar em Conformidade


Apesar da estratégia das agências de rating ser altamente duvidosa, o facto é que a designada "turbulência dos mercados" afecta de forma importante as economias nacionais. É por isso que o anúncio feito hoje pelo Ministro das Finanças, à saída do Conselho de Ministros, sobre a disponibilidade do Governo para a reavaliação de todas as obras públicas cujos trabalhos ainda se não iniciaram e cujos projectos estavam em cima da mesa, denota a sensatez e razoabilidade de uma concertação político-social indispensável à procura de um reequilíbrio das contas públicas e ao reconhecimento da eficácia justa da governação. São aliás resultados destes, indiscutivelmente ajustados à situação económica nacaional, que se esperam do encontro entre o Governo e o maior partido da oposição... apesar de, naturalmente!, ser desejável, que, nesta concertação, todos mas, mesmo todos!, os partidos políticos portugueses se empenhem - questão que cada um deve equacionar, optando pelo interesse nacional e/ou pelos interesses próprios.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Urgências (3) - Profissionais nas Urgências e Dignidade do SNS



Apesar da precariedade laboral que também atinge os profissionais de saúde e da múltipla factorialidade do seu enquadramento (privatização dos serviços de saúde, desinvestimento no SNS, redução de custos com pessoal com total liberalização das suas relações contratuais e a sua consequente mobilidade), o problema das urgências hospitalares coloca-se de um outro modo que é preciso não escamotear e que, de igual modo, afecta decisivamente a qualidade dos serviços de saúde portugueses! Refiro-me designadamente ao elevadissimo número de médicos que solicitaram e ansiosamente aguardam pela reforma antecipada, cansados e esgotados da falta de qualidade das suas condições de trabalho... porque, por um lado, é inadmissível que profissionais de qualidade, formados no contexto de um dos melhores Sistemas Nacionais de Saúde, com uma experiência médica que nunca deveria ter deixado de integrar o percurso médico (a saber, o "trabalho de terreno" proporcionado pela prática médica à periferia nos termos holísticos em que foi praticada nos primeiros tempos do SNS) sejam compelidos a aderir à reforma antecipada, criada com o objectivo de reforçar a liberalização dos serviços no sector; por outro lado, porque a lógica dos médicos de família continua ineficaz de tal modo que, daqui a pouco tempo, se forem realizados estudos rigorosos sobre o impacto social dos serviços de saúde verificar-se-ão retrocessos sérios na efectiva igualdade de acesso à qualidade dos serviços e na qualidade de vida das pessoas. Finalmente, este desinvestimento no SNS e esta liberalização de serviços reforça o erro estrutural das políticas de combate ao desemprego e de criação de emprego por se aproximar da lógica da precariedade a um ponto tal que lembra, como referi no post anterior, a política dos call-centers e, mais grave ainda!, desresponsabiliza os médicos da prática dos seus actos (um dos efeitos da contratualização das administrações hospitalares através de empresas, cujos recursos humanos prestam serviços sem sequer poderem emitir receitas médicas assinadas/validadas com o seu próprio nome e consequente identificação da respectiva cédula profissional)... Contudo, decerto por necessidade mas, sem dúvida, muito louvável, foi a decisão de, nos Serviços de Urgência dos Hospitais de Santa Maria, São José e Curry Cabral serem contratados médicos com grande experiência profissional e perfil adequado aos serviços para integrar equipas permanentes de atendimento que, nos termos do Protocolo de Manchester (triagem por gravidade dos casos), possam responder às necessidades dos cidadãos que recorrem justamente a estes serviços, aflitos e doentes sem que, necessariamente, sejam casos - pelo menos, no imediato! - considerados prioritários, ou seja, "entre a vida e a morte"!

Urgências (2) - Do Desemprego à Saúde a Soldo


Para fazer a ligação ao post anterior, começo por referir que os call-centers são o mais flagrante exemplo do erro estrutural das políticas de emprego... não apenas pelo que implicam e significam ao nível da desumanização dos serviços (daí a imagem que escolhi para ilustrar este apontamento e que, como muitos reconhecerão, é uma cena do filme "Nas Nuvens") com consequências que podem ser gravissimas para os utentes e para os próprios trabalhadores mas, também, porque a precariedade contratual dos seus funcionários em nada contribui para a sustentabilidade social e para o aumento da riqueza ou da produção nacional... claro que têm a vantagem de permitir a quem aí trabalha, não estar, pelo menos temporariamente, desempregado mas, esse é um efeito perene que não integra a criação de emprego, nem concorre para a segurança ou a estabilidade quer dos cidadãos, quer das famílias (factor decisivo para a dinâmica saudável das sociedades de consumo)... lembremos-nos aliás, a este propósito, que na Índia, onde se situam os maiores call-centers do mundo, os seus trabalhadores são cidadãos que vivem, de acordo com os padrões que, por ora, ainda temos no ocidente, de forma paupérrima! Contudo, apesar de tudo isto ser uma evidência, a lógica deste capitalismo desenfreado, feito de um neo-liberalismo que se auto-representa como complacente, valorizando a criação do trabalho precário como uma benesse, chegou ao ponto extremo de, sob uma ideologia perversa e pervertida, desenvolver empresas que promovem o trabalho temporário, minimizando o quanto concorrem para consolidar a realidade da rotatividade e da exploração dos trabalhadores... e, para cúmulo, atingiu agora sectores estruturais, especializados e que põem em risco direitos fundamentais dos cidadãos, da educação à saúde! As recentes notícias sobre os desempenhos médicos nos serviços de urgências hospitalares, contratualizados através de empresas que, a soldo, vendem serviços de pessoas licenciadas em Medicina às administrações hospitalares é um erro grave e um risco sério para a segurança dos cidadãos nos serviços de saúde... é verdade que a Ordem dos Médicos está atenta mas, é urgente intervir uma vez que, no nosso país, há muitos agentes políticos disponíveis para apoiar privatizações a todo o custo e a qualquer preço - contrariamente ao que constatamos ser o grande esforço e a grande vitória interna de Barack Obama nos EUA...

Urgências (1) - Da Tecnologia às Finanças e do Desemprego à Sustentabilidade


Um estudo histórico dos processos de resistência à mudança e à inovação denotaria, em determinadas conjunturas, opções políticas assentes no rejeitar da introdução de nova tecnologia por razões que se prendem com a libertação de mão-de-obra e, consequentemente, com a subida do grau de risco da revolta social... e se é a Revolução Industrial que marca o fim deste cauteloso processo de gestão por razões que se prendem com a criação massiva de postos de trabalho, o capitalismo, face aos lucros que reconhecemos terem resultado deste investimento nas sociedades excedentárias que se aproximaram do que se chamou "sociedades da abundância", nunca mais deixou de equacionar estrategicamente o problema da mão-de-obra, a não ser na perspectiva na redução dos seus custos... o problema chegou às sociedades contemporâneas, caracterizando-as como sociedades criadoras de desemprego!... A irracionalidade da lógica social dos nossos dias que minimiza, de facto, o factor humano, radica por isso, no paradoxo a que conduziram os sentidos contrários da evolução dos modelos financeiros e económicos... e só politicamente pode ter solução!... quando os políticos voltarem a reconhecer a importância vital desse factor humano e o fundamento efectivo dos próprios sistemas económicos e financeiros: melhorar a condições de vida dos cidadãos e promover, na prática, a sustentabilidade social.

domingo, 25 de abril de 2010

Em resumo...


Era mesmo isto o que vos queria dizer hoje, 25 de Abril de 2010: AQUI...

... além disto que, se me permitem, destaco, pedindo desculpa pela eventual imodéstia que possa reflectir mas, cujo risco de avaliação me permito correr, dada a importância que reconheço à problemática AQUI evocada.

Para as Crianças do Meu País ...



... um trabalho realizado por uma EB1 e divulgado no YouTube!
Pela memória, pelo exemplo e pelo esforço: 25 de Abril, Sempre!

O princípio do fim da ditadura ...

sábado, 24 de abril de 2010

MFA - A Aurora de Abril...

Vítimas da Memória da Ditadura aqui tão perto - Baltazar Garzón!




Faltam pouco mais de 90 m para se assinalar a hora em que, há 36 anos atrás, os militares de Abril levaram a cabo o arrojado empreendimento de derrubar uma ditadura com 48 anos. Vale por isso a pena aqui lembrar os eventos que se lhe associam de forma quer analógica, simbólica ou objectiva... e na sequência do post anterior não posso deixar de referir o perigo que advém da ausência de uma evocação da memória, capaz de, sob a narrativa multimedia de uma explicação pedagógica, consistente e insistente, desenvolver nas jovens gerações (crianças, adolescentes e jovens adultos, emigrantes ou não) a admiração e o respeito pelas lutas que significam e arrastam a conquista da Liberdade! ... De outro modo, ser-lhes-á vedada a compreensão do presente!... Não, afirmá-lo não é um lugar comum!... E, a título de exemplo, refiro um caso recente, ocorrido aqui ao lado, em Espanha, "tierra de nuestros hermanos", que combateu corajosamente a ditadura franquista cujos crimes se prolongam, para além da sangrenta Guerra Civil (que registou a ocorrência das primeiras Brigadas Revolucionárias de apoio aos opositores do regime liderado pelo tétrico Generalissimo Franco que mandava pendurar, no alto dos montes povoados do interior do território do seu país, os cidadãos fuzilados com o objectivo de servirem de exemplo dissuasor)... Falo, naturalmente, do Juíz Baltazar Garzón, cuja personalidade e trabalho de uma vida serão um dos modelos europeus (como o foi, noutro contexto, a operação "Mãos Limpas" liderada por António di Pietro em Itália) da luta contra a corrupção. E se evoco Baltazar Garzón é, não só por hoje ter sido organizada, também em Lisboa, uma manifestação de apoio a este Homem de Justiça que levou a Tribunal, ao fim de décadas de silêncio e branqueamento, o julgamento dos Crimes Contra a Humanidade cometidos pelo fascismo espanhol mas, acima de tudo, por considerar grave que, aos olhos das pessoas, em particular dos mais novos, o afastamento do Juiz Baltazar Garzón e a sua condenação por alegadamente ter transcendido o domínio da sua competência no que respeita à acusação dos fascistas que perpetraram tais crimes seja incompreensível, pouco tempo depois da sua actuação contra o terrorismo, ter sido, felizmente!, altamente mediatizada também em Portugal. O que está em causa é que os jovens percebam que a Justiça é uma invenção humana e que o Direito assume formas susceptíveis de praticar a injustiça!... e que, quando assim é, é, mais do que nunca, um dever cívico a luta pelos Direitos Humanos, pela Justiça e pela Liberdade!... e que foi isso que foi feito em Portugal, com o 25 de Abril - uma das maiores lições que podemos transmitir às gerações que se nos seguem!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Da Justiça e da Extinção do Poder Absoluto... dos Juízes




O ridículo mata - diz-se!... mata e assusta - digo eu! De facto, a afirmação de António Martins, na qualidade de representante da Associação Sindical dos Juízes, é assustadora e, mais do que isso, inadmissível! num Estado de Direito democrático. São, por isso, mais do que legítimas as afirmações do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto e as manifestações de indignação, designadamente, de Ricardo Sá Fernandes. Horroriza-me pensar que o representante dos Magistrados e os que subscrevem as suas opiniões ascendam ao poder político, tal como me horroriza o facto de ter invocado uma espécie de direito à impunidade dos Juízes porque, para além da impossibilidade teórica de, em democracia, se proibir o direito de expressão da opinião pública ou profissional, há sentenças incorrectas, erradas e injustas... em última análise, porque os Juízes não são imunes à corrupção ou ao tráfico de influências!... António Martins prestou um mau serviço à Justiça portuguesa e aos Magistrados! Só espero que não venha agora, propôr a criação de uma Alta Autoridade de Regulação da Justiça!!! - mas, pela prepotência ideológica que se adivinha subjacente às suas declarações, não me surpreenderia!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um Canto à Liberdade - O Hino de Caxias


... quando nos aproximamos da comemoração do 36º aniversário do 25 de Abril de 1974, cumpre relembrar o esforço colectivo pela conquista da Liberdade!... das prisões políticas que se encheram às mãos da PIDE e da ditadura, o grito de resistência fez-se também de cantos com que os homens e as mulheres fizeram estremecer o Forte de Caxias e com que estremece ainda a alma dos amigos, companheiros e camaradas solidários que conheceram e respeitam a memória e o exemplo.

"Pão" rima com revisão, comissão ou produção?


É uma pergunta pertinente no quadro de uma tão grande fragilidade económica como a que vivemos... até porque, voz populi dixit!, somos um país de poetas - ou não?... A verdade é que, face à consciência da imperiosa necessidade de reconstruir o aparelho produtivo nacional (ou será que se trata, isso sim, de o construir?) vemos toda a oposição concentrada em discutir e voltar a discutir problemas, rumores, suspeitas e factos, criando e multiplicando comissões ora de análise, ora de inquérito... sim, claro que consideramos que as decisões políticas devem ser transparentes e que devemos exercer o direito de esclarecer as dúvidas que se nos colocam mas, deixar que o trabalho político e consequentemente, a agenda mediática se resuma a este tipo de questões é, no mínimo, empobrecedor e, em última análise, lesivo do interesse nacional... na mesma lógica se inscreve a evocação da revisão constitucional cujo maior erro reside no facto do seu argumentário justificativo assentar no reeditar das velhas teses liberais que, com a ainda recente crise financeira internacional, perderam todo o reconhecimento público e intelectual no que respeita à sua validade. Sem a revitalização e redinamização da economia nacional, Portugal não sairá de um sistemático encadeamento de crises que, cedo ou tarde, re-agravando a dimensão do endividamento público, nos não permitirá sair do "ponto zero" a que, ciclicamente, voltamos... por isso, é caso para perguntar se a dimensão estético-literária dos nossos políticos anulou a capacidade de auto-avaliação dos seus desempenhos, razão que justificaria o investimento em comissões e revisões em detrimento de um efectivo empenho na resolução dos problemas do desemprego, do emprego, da produtividade e da produção que, incontornavelmente, definem e determinam a qualidade das condições de vida dos cidadãos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Leituras Cruzadas...

Enquanto se prepara em Portugal a visita do Papa, corre a informação (ver JMCorreia-Pinto no Politeia) e a análise de 5 anos de pontificado de Bento XVI (ver Rui Bebiano no A Terceira Noite) que pouco efeito terá no impacto social dessa visita e na sua cobertura mediática, por razões que decorrem de imperativos culturais estruturais (leia-se o texto de Nuno Sotto Mayor Ferrão no Crónicas do Professor Ferrão) que concorrem para a inflação das redes sociais (veja-se a observação de Valupi no Aspirina B), deixando à margem a consideração que, de facto, nos deveriam merecer factos e juízos preocupantes, reveladores (leiam-se os textos de João Abel Freitas no PuxaPalavra e de Rui Herbon no Jugular). E enquanto aguardamos que as lições cívicas do passado (leia-se Osvaldo Castro no Carta a Garcia) reeditem a capacidade de intervenção das pessoas que não podem agora invocar a ausência de liberdade como justificativo para a anomia social (vale a pena ler as notícias recentes do SOS Racismo, o texto de António Carlos Valera no Irrealidade Prodigiosa e também a alusão de Ana Vidigal no Jugular), vale a pena ouvir partilhar a nossa atenção com Fernando Cardoso no Ayyappa Express.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ser Solidário...


... mensagens de sempre... hoje, de José Mário Branco...

domingo, 18 de abril de 2010

Surpresa? ... ou talvez não?


Não sei mas, se os afectos significam alguma coisa politicamente, então, este abraço é uma boa notícia (Ver AQUI).

O Tempo... segundo...


... David Gilmour, dos Pink Floyd e agora, a solo... "Time"... para todos os Seguidores do A Nossa Candeia e com um grande abraço amigo de saudades à recém-chegada e muito amiga Isabel Rodrigues!

sábado, 17 de abril de 2010

Uma história de patriotismo...

Tem pouco mais de 60 anos. Sofre de amnésia resultante de um trauma militar... é um homem bom que alega não se lembrar de metade da sua vida e se preocupa com isso, tentando levar os dias, a vida e o trabalho da forma mais pacífica possível. É solidário. Gosta de todos os colegas e todos gostam dele. Idiossincracias à parte, a sua proximidade da vivência rural, apesar dos muitos anos em espaço urbano, fizeram dele um caso singular. Trata, com respeito e ternura, por "meninas" as suas colegas que, quando o assunto é profissional e lhe causa perplexidade, passam a ser "doutoras"; aos colegas, homens, trata-os como camaradas de tropa. Diz sempre: "Bom-dia, boa-tarde" em jeito de cumprimento, a sorrir e, às vezes, por entusiasmo ou por nervosismo, bebe "o seu copito" sem consequências sociais de qualquer género sem ser a vontade de partilhar a alegria ou de "controlar os nervos". Nunca se excede. Pensa e enuncia as suas críticas sociais num misto de confusão ideológica. É justo e, na maior parte das vezes, certeiro na profundidade dos seus breves comentários emitidos em tom passageiro... O seu maior prazer é almoçar com os amigos na sede dos Deficientes das Forças Armadas onde cada acontecimento é, por ele, sentido religiosamente. Gosta de me contar esses encontros e sabe que eu percebo um bocadinho dos códigos e das regras do seu mundo... Um destes dias perguntou-me: "Oh doutora, mas a gente somos obrigados a declarar os poços?"... eu, surpreendida com a pergunta inesperada a meio do dia, respondi: "Não sei... penso que, tratando-se de um furo simples, não mas, se fôr mesmo um poço, é possível que sim, que seja obrigatório" e ele, apreensivo, retorquiu: "É um poço... daqueles redondos, com pedra no bordo mas, se o terreno é meu e está registado..."... "pois - retorqui- não tenho certezas... é melhor informar-se bem, amigo"... Depois desta inconclusiva troca de palavras, fui almoçar e, sem me aperceber, fiquei preocupada com a sua apreensão por saber a importância que, para ele, teria o problema. Quando regressei do almoço, em tom de brincadeira, disse-lhe: "Então, o poço já está registado?"... ele riu-se, com aquele sorriso saudável de homem sério que me faz sorrir a alma... e talvez por isso e por não querer que se enerve pelo sofrimento que sei que lhe causam as dúvidas, dei por mim a dizer: "Sabe? Talvez seja mesmo necessário... porque "eles", no meio militar, precisam de conhecer todos os sítios onde há água... e esse registo pode servir também para isso... não sei... estou a pensar em voz alta"... ele sorriu, encantado! Eu tinha dado sentido a uma obrigação absurda! Nem eu nem ele tinhamos certezas mas, essa possibilidade legitimava-lhe o esforço!... É um cidadão! ... e o seu patriotismo é qualquer coisa que dificilmente seria perceptível aos que tanto falam em patriotismo! Mais uma vez, este homem simples, na sua forma de ver o mundo, fez-me feliz.

É Tempo!


... porque não há tempo a perder!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Esperanças Mil... por Abril!





Vai realizar-se na próxima 6ªfeira, dia 23 de Abril, a partir das 19.30h, no Restaurante do Centro de Congressos de Lisboa situado nas instalações da antiga FIL, em Lisboa, um Jantar-Convívio de comemoração do 25 de Abril.
As inscrições podem ser feitas através do e-mail:

Juntos, para manter vivo o espírito de Abril!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O PS e as Presidenciais - a notícia que tardava em chegar


De facto, tardava já em chegar a notícia de que a candidatura presidencial de Manuel Alegre contará com o apoio do Partido Socialista (ver Aqui)... Ainda bem!... porque o miúdo que pregava pregos numa tábua, que contava sílabas pelos dedos e que não tem medo do mar é o Homem, o Poeta e o Político de que Portugal precisa para o exercício de uma Presidência que faça da República Portuguesa o que dela esperam os Portugueses e o Mundo.

Ameaças, Concertações e Solidariedades Internacionais

















Depois do acordo EUA-Rússia para o Desarmamento Nuclear (ver Aqui) e da negociação pacífica sobre uma matéria que, durante décadas, se constituiu como o cerne da Guerra Fria, Barack Obama conseguiu reunir os parceiros internacionais na Cimeira para a Segurança Nuclear (ver AQUI e Aqui), tendo hoje acordado com a Rússia a eliminação de toneladas de plutónio (ver Aqui). Sem que seja conhecida em detalhe a agenda real dos trabalhos, a iniciativa é, não só meritória mas, acima de tudo, essencial para a segurança planetária e não apenas dos EUA como se poderia deduzir a partir de uma leitura apressada do evento. A articulação inter-nacional é crucial para a definição das regras que visam gerir e fiscalizar a actividade comercial do sector nuclear que tenderá a desenvolver cada vez mais projectos económicos paralelos de aplicação obscura, à revelia de todo o controle público, em prejuízo da segurança dos cidadãos e da fragilidade política dos Estados. O tráfico nuclear, por ora desconhecido - ou, pelo menos, mal-conhecido - da maioria da população é hoje a matéria mais relevante no que à estabilidade e à transparência política diz respeito não só pela protecção da paz e da prevenção da violência mas, acima de tudo, pelo potencial de chantagem e manipulação que pode implicar. Neste contexto, a resposta conjunta terá que ser encontrada ao nível da prevenção, sob pena de nos confinarmos ao controle de danos provocados por atentados de impacto multifacetado cujos riscos não estamos em condições objectivas de eliminar e que, por essa razão, requerem a intervenção concertada de todos contra previsíveis e plausíveis ameaças que a luta pelo poder irá, cada vez mais, configurando. A luta por um mundo livre de armas nucleares é um combate sem tréguas de que não podemos alhear-nos... apesar de todas as resistências decorrentes dos vários rostos do medo - exactamente por ser a melhor forma de o combater!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Da Cultura ao Pragmatismo Insensato... o caso do Museu Nacional de Arqueologia



Não se compreende que uma visão esclarecida da Cultura defenda e promova a mudança do Museu Nacional de Arqueologia para as instalações da Cordoaria Nacional, sendo conhecidas as reservas que o local oferece. Ao nível das águas, a Cordoaria Nacional não garante condições de segurança à preservação do valioso espólio que integra o património do Museu que, até agora, tem estado alojado no Mosteiro dos Jerónimos. O património histórico-arqueológico nacional é uma herança que, ao longo dos anos, não tem sido objecto da atenção e valorização que a sua importância justifica, vítima dessa negligência estrutural que tem sido a (des)consideração política pela cultura e, consequentemente, pela própria museologia... e se há, no nosso país, Museu que tenha feito um trabalho digno de destaque, é, indiscutivelmente, o Museu Nacional de Arqueologia. Não se compreende por isso (repito!) que se pretenda agora reeditar uma iniciativa que, desde o Estado Novo, tem sido adiada pela falta de garantias de segurança no que à conservação do seu espólio respeita. Cabe aliás dizer que seria perfeitamente justificável a construção de raiz de instalações condignas para o património arqueológico que, guardado nos Jerónimos, tem nos seus Reservados, material que, per si, o justificaria - mais: se o Museu dos Coches justificou o investimento em novas instalações, que critério cultural é evocável para que a lógica se não aplique ao Património Arqueológico?... em última análise, é caso para dizer que, "para pior, já basta assim"!... (Ver AQUI)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Leituras cruzadas...

Enquanto a Europa percorre os seus paradoxais caminhos políticos, na senda de um federalismo em construção (vale a pena ler os textos de António Figueira no Cinco Dias e de MFerrer no Homem ao Mar), o nosso país continua a defrontar-se com uma empobrecida lógica que reduz a avaliação dos problemas do desenvolvimento nacional a um confronto partidário que reduz a importância do exercício do poder a uma alternância que, não sendo senão uma das possibilidades geradas pelo actual sistema político, é encarada, de forma adquirida, como alternativa, destituindo, por esta razão, os agentes sociais, cívicos e intelectuais, no empenhamento criativo na ideologia e na apresentação de formas inovadoras de alteração da lógica e dos métodos de governação (leiam-se, a título recorrente, os textos de João Abel Freitas no PuxaPalavra, de Miguel Abrantes no Câmara Corporativa, de José Adelino Maltez no Albergue Espanhol e de Pedro Correia no Delito de Opinião). Estaremos a perder a capacidade de pensar ou a motivação para agir?... Se atendermos ao que, diariamente, vamos conhecendo (vale a pena ler os textos de Nuno Ramos de Almeida no Cinco Dias, de Filipe Tourais no País do Burro ou de João Rodrigues e de José Guilherme Gusmão no Ladrões de Bicicletas) e se dedicarmos um pouco da nossa atenção à forma como tratamos a realidade dos factos, manipulando-os em função de calendários que se não referem à verdade mas à imagem gratuita das efemérides (vejam-se a este propósito os textos de JMCorreia-Pinto no Politeia e de João Tunes no Água Lisa), ficamos com poucas razões para acreditar que a mudança indispensável à economia e à política nacionais, indispensáveis para que se possa, de facto, sair da letargia e da crise em que nos afundámos, esteja próxima de ser alcançada... a terminar as Leituras Cruzadas de hoje, deixo o registo do enumerar de questões que o SOS Racismo vai registando, e a referência ao texto de Paulo Gorjão no Bloguítica.

Um País Esquecido...


... sim, filhos de um país por si mesmo esquecido, cabe-nos não nos deixar que nos percam... à terra, à riqueza da cultura, à identidade e à vida... e enquanto a política agita bandeiras de um discurso sobre o que não há, deixamos morrer à míngua o que temos e o que somos... cegueira de ambiciosos e perdulários, ignorantes e escravos da sedução pelo que dos outros nos chega por ouvir dizer e não por se saber... sim, porque o saber mais nos diria do que nos faz crer o imaginário a inventar uma riqueza que já foi e não o é como queremos acreditar que o seja - talvez para vivermos melhor com o peso na consciência de nada fazer para de nós fazermos o que, incontornavelmente, há a fazer...

Tanta Terra... abandonada!


São as vozes do Grupo Coral "Os Ganhões" de Castro Verde e de Dulce Pontes... porque vale a pena lembrar: "É Tão Grande o Alentejo"!

Da Água do Alqueva aos bloqueados caminhos do futuro... a sul!




Depois de uma conquista histórica, cuja luta durou mais de 50 anos, o Alqueva, construído e pronto a utilizar para revitalizar solos e populações no Alentejo, continuou parado sob pretextos de "dar tempo ao tempo", venda de terrenos a investidores espanhóis e planos de turismo na perspectiva de um futuro que tarda em chegar... sempre sob o lema do "está tudo bem" ou do "quem fala de atrasos e problemas fá-lo por pura maledicência"! ... e as pessoas quase acreditaram... quase acreditaram ao ponto de se desinteressarem pelo Alqueva, o mais importante investimento a sul do país, vital para 2/3 do território nacional!... Felizmente, talvez porque, afinal, a velha crença de que "a verdade vem sempre ao de cima" ainda tem fundamento, o actual Ministro da Agricultura, António Serrano, veio agora enfrentar e assumir um dos mais sérios problemas que se coloca aos agricultores portugueses: o preço da água! ... e anunciou que o acesso à água pela qual tanto tem esperado o Alentejo, outrora dourado e hoje deserto, vai ser possível por 30% do valor inicialmente previsto, ainda que provisoriamente e apesar dos agricultores continuarem a considerar incomportáveis tais custos!... é caso para dizer: "do mal o menos" - pelo menos agora já não se insiste na demagógica fórmula do dizer que está tudo bem! Chega? Não... não chega!... resta-nos desejar e esperar que se não fique por aqui!... A ver vamos...

domingo, 11 de abril de 2010

Pela Praça da Canção...


Conhecem o site: Praça da Canção? Quem o não conhece, pode aceder-lhe AQUI...

Sons Femininos...


... Hoje, os sons femininos são sons da alma portuguesa... pela incomparável voz de Isabel Silvestre e das Cantadeiras de Manhouce, a eternidade do "Menino do Bairro Negro" de... Zeca Afonso!

sábado, 10 de abril de 2010

Da Primavera Social-Democrata...


Tenho acompanhado muito superficialmente o congresso do PSD... porque, por um lado, se trata da agenda formal da vida regular de um partido e, por outro lado, por não haver tempo para que, desde as eleições directas ganhas pelo seu novo líder, Pedro Passos Coelho, se possa esperar algo de efectivamente novo no correr dos dias políticos desta actualidade que Cavaco Silva hoje se lembrou de classificar como "insustentável", dizendo, nas cerimónias do Dia do Combatente, que cada português deve ser um "combatente"?!?!... confesso que ainda me "passou pela cabeça" que o Presidente da República ia começar a defender a extinção das Forças Armadas em nome da contenção de gastos do país (depois dos submarinos e outras aquisições polémicas poderia ser, ainda que inesperada, uma punição eficaz para o sector negocial da área) e propôr um serviço militar obrigatório para todos os portugueses, homens e mulheres, "à maneira", não direi de Israel mas, por exemplo, da Suiça!!!... mas, não!... não era nada disso!... Desculpem o "à parte" mas isto de protagonismos ideológico-partidários, no caso social-democrata - ou em qualquer outro, diga-se em abono da verdade! - é, como as conversas e as cerejas... porque o que aqui quero registar, por me ter chamado a atenção, pela sua coerência sistemática e actualidade política, é o discurso de Luís Filipe Menezes neste Congresso do PSD. Esclarecendo o sentido de "unidade" - quiçá para integrar eventuais assomos dissidentes de Morais Sarmento ou de Paulo Rangel e até mesmo, de Aguiar Branco - e incidindo na re-construção de uma identidade partidária de índole ideológica, Luís Filipe Menezes surgiu hoje como uma espécie de ideólogo social-democrata... a ver vamos se algum resultado interessante para a democracia portuguesa daqui pode resultar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Do Ensino e da Aprendizagem do Ser - Uma Lição de Manuel Alegre...


"(...) E agora estão na praia, em Espinho. O miúdo que não suporta mangas curtas também embirra com o mar. O pai quer levá-lo a molhar os pés. A avó não deixa. Então o pai leva-o às cavalitas e desata a correr para as ondas, enquanto diz: Nós não temos medo do mar, nós não temos medo do mar.

E atira-se com o miúdo agarrado ao pescoço. Nada com ele assim pelo mar dentro. O miúdo chora, cada vez mais agarrado ao pescoço do pai que de súbito pára, levanta-o nos braços, solta uma gargalhada e diz:

- Nós não temos medo do mar.

Então o miúdo que se assustava com as ondas abraça o pai e repete com ele:

- Nós não temos medo do mar.

A avó chora. O pai passa-lhe a mão pela cabeça. E nós não temos medo do mar. (...)"

(Manuel Alegre in "O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua", ed. Dom Quixote)

Manuel Alegre, Hoje...


É já daqui a pouco, às 19.30h, no Palácio das Galveias, o lançamento do livro de Manuel Alegre "O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua"... entretanto, vale a pena ler AQUI e AQUI as suas mais recentes entrevistas, publicadas, respectivamente, nas revistas NS e LER.

terça-feira, 6 de abril de 2010

De Olivença a Valença - entre Identidades e Pertenças... Nacionais!







Em Valença estão expostas, nas janelas dos cidadãos, bandeiras espanholas... este é, independentemente do que possam querer interpretar todos os poderes, relativizando o facto e considerando que se esgota no assinalar infantil de um protesto, um dos mais sérios sinais do estado de confiança das populações relativamente ao seu sentimento de pertença social ou seja, no caso em análise, territorial e cultural... em causa, está o encerramento do SAP, Serviço de Atendimento Permanente dos Serviços de Saúde para a população de uma localidade fronteiriça cuja alternativa de recurso, face à nova disposição legal, obriga a que as situações de urgência perfaçam pelo menos mais 80 kms de distância entre ir e voltar até chegar a um hospital com competências de socorro a vítimas. A agravar a situação e a legitimar os protestos está, naturalmente, a situação de localização fronteiriça de Valença que bem conhece, pela sua proximidade da localidade espanhola de Tui, a eficácia dos serviços de saúde espanhóis. A seriedade do problema encontra precedentes reflexos nas reacções da população raiana do sul, quer em Elvas aquando do encerramento dos serviços de maternidade locais que justificam os nascimentos em Badajoz dos últimos anos, quer em Barrancos pela falta de apoio nos serviços de proximidade de toda a ordem... para já não falar em Olivença, claro!!!!!! ... diz o povo que: "para bom entendedor, meia-palavra basta"!... contudo, ao que a realidade nos deixa percepcionar, nem a alusão alerta, esclarece ou serve... para prevenir e evitar a desagregação nacional que se sente fracturar pelas arestas menos mediáticas mas, provavelmente, mais sensíveis e dignas de consideração!... Sem discernimento político atempado e avisado, o futuro ditará o impacto político-social da negligência presente, de que Olivença foi, provavelmente, o mais evidente e próximo sinal! ... De Olivença a Valença, entre as questões da identidade e da pertença "de jure" e "de factu"... eis, no mínimo, mais uma "achega", pelo menos, para a reflexão política... nacional! - e, porque não, dizê-lo... europeia?!

domingo, 4 de abril de 2010

Venham Ver...



É este o rosto de um povo que merece mais honestidade e transparência nos enredos da transição para a modernidade... é este o rosto de um povo que deu à luz os filhos apressados de uma vontade de enriquecer que não escutou os cuidados avisados de quem lhe aconselhara amadurecer... é este o rosto de um povo com vontade de crescer... e nós, as suas mãos e os olhos de uma Nação que se quer reconstruir para se ganhar, sem se perder...

(o vídeo que inspirou este meu texto e que aqui trago para vosso conhecimento e nossa partilha, foi encontrado por um feliz acaso no YouTube, foi feito com as extraordinárias fotografias de Luís Lobo Henriques enquadradas pela composição musical de Custódio Castelo no albúm "Múrmúrios" de Cristina Branco e a interpretação de "Chopin" por Pedro Burmester)

Depois da Páscoa...


Espero que tenham tido uma doce, alegre e feliz Páscoa. A sul, os dias viram crescer a extensão de azul do céu e o sol subiu de tom em luz e calor, fazendo os campos reflorir de roxos, verdes e amarelos enquanto a terra, apesar de pouco cultivada e arborizada, voltou a vestir a imagem da esperança que, felizmente, teima sempre, no nosso imaginário e no olhar com que a beleza persiste em ver o mundo, em nos devolver o sentido da poesia - presente na mensagem de todas as ressureições com que os homens ultrapassam as invernias dos seus descontentamentos, das crueldades e dos medos, reeditando a infinita e firme pulsão da vida. Agora, revitalizados pela Primavera que nos lava a alma, voltemos ao cumprimento dos dias, com serenidade e determinação para a continuidade da senda misteriosa e magnífica da constante reinvenção da nossa existência.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Duas Vozes...



Duas vozes maravilhosas para duas belissimas composições... Plácido Domingo em "Nessun Dorma" da ópera "Turandot" de Puccini e Anita Cerquetti em "Casta Diva" da ópera "Norma" de Bellini. Por estes e para estes dias... Aquele Abraço.
Até domingo!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dois Pecados Sociais...


"(...) Economia sem Moral (...)

(...) Educação sem Carácter (...)" - Mahatma Gandhi

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cumplicidades Políticas e Religiosas Contra os Direitos Humanos


... e assim, entre o silêncio, a omissão, a estratégia, a negligência e a relativização fenomenológica, as vítimas continuarão vítimas, enquanto culpados e cúmplices continuam, de uma ou de outra forma, no exercício do poder... O que significam transparência, democracia, honestidade, igualdade e liberdade face a estas realidades?... o mesmo que a moral e a ética significam para a demagogia e a autoridade política de tantas e tantas instituições religiosas?

Das águas turvas da nossa submersão...


Durante muito tempo, na sequência dos mitos pacificadores que a repressão política do Estado Novo promoveu, Portugal acreditou que era "um país de brandos costumes", letárgica e poeticamente "à beira-mar plantado"... depois, face à emergência da realidade socio-económica e política num contexto de liberdade de expressão, os portugueses começaram a percepcionar-se de forma diferente, ao ponto de valorizarem o que a expressão popular institucionalizou sob a conhecida designação do "chico-espertismo"... talvez por isso e apesar de tudo o que se estudou e compreendeu sobre o papel da "honra" e da "vergonha" nas sociedades mediterrânicas, hoje, os portugueses, no exercício de funções de alta responsabilidade continuam a deixar rastos de uma imagem vulgarmente empobrecedora e lesiva do prestígio do nosso país - o que, no actual contexto económico, concorre para a descredibilidade política não apenas internacional mas, acima de tudo, nacional. O caso dos submarinos encomendados à empresa alemã que hoje é notícia por maus motivos, é mais um contributo para este cômputo de "casos" com que, desde a Guerra do Iraque, nos temos internacionalizado (vale a pena ler aqui, aqui e aqui).

Ainda os Negócios Suspeitos...

A empresa a que o Estado português encomenda os submarinos noticiou hoje, no "Der Spiegel", que o negócio tem contornos obscuros. Surpreendente? ... já não!... Infelizmente, as dinâmicas suspeitas de total ausência de transparência, vão sendo comuns no nosso país... e desta vez a "brincadeira" vai custar 880 milhões de euros ao erário público... a ler AQUI.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Imperdoável Hipocrisia Católica...


... a dos que avocam autoridade moral para julgar o mundo e as suas práticas humanas (divórcio, aborto, uniões de facto, casamentos gay, educação sexual escolar, relações afectivo-sexuais extra-conjugais, preservativos e prevenção da SIDA, vida sexual na adolescência, homossexualidade e sei lá mais quantos outros exemplos se poderiam enumerar), quando protegem hediondas práticas criminosas, designadamente contra crianças. A exploração sexual das crianças e os abusos a que são submetidos os menores, evidenciam o quão imperdoável é a pedofilia, crime e doença que, ao ter por agentes, pessoas que recorrem ao uso do poder, da manipulação e do medo suscitado pelo seu status, configura a natureza dupla e tripla do próprio crime (pela evidência da sua premeditação, pela sua natureza e pela idade das vítimas). Pior que tudo, inqualificável e vergonhoso, é, para além do Papa ter discursado e presidido às cerimónias da Semana Santa, em Roma, tentando relativizar o seu próprio silêncio durante anos sobre o abuso sexual dos padres sobre as crianças em todo o mundo, a Igreja Católica ter permitido a existência e vigência do documento que, com autoria do então Cardeal Ratzinger, hoje Papa, AQUI podemos conhecer porque só agora chegou ao conhecimento público.

domingo, 28 de março de 2010

Os Rostos de uma Luta... pelos Direitos de Cidadania







No século XX aprofundou-se o saber sobre o papel das mulheres na construção dos modos de ser e de estar dos filhos e, a par da luta pelos direitos das mulheres, desenvolveu-se a reflexão que permitiu compreender até que ponto a própria mulher tem sido fundamental na reprodução dos estereotipos contra os quais tem lutado com esforço e dificuldades. O mundo da cultura e da etnologia é, na sociedade contemporânea, o reduto de causas, efeitos e potenciais factores resolutivos e recorrentes de grande parte dos problemas socio-políticos... A ideia ocorreu-me a propósito da chamada de atenção que vi no Carta a Garcia... ontem na Argentina, foram as Mães na Praça de Mayo; hoje, em Cuba, são as Damas de Blanco... e, nas suas expressões públicas, encontramos a mesma reivindicação sobre o direito à vida, em relação ao qual é indiscutível a sua autoridade e a universalidade do seu reconhecimento. Porque me lembrei de partilhar convosco este apontamento? Porque, subitamente, vi nestas manifestações um sinal de criatividade, justa e inteligente. Para quando no resto do mundo? Por certo, lá, no Afeganistão, na Palestina, em Israel, no Sudão ou na Somália, o sentir é o mesmo...

Indicadores de Percepção Pública

Uma expressão curial diz que "as sondagens valem o que valem"... assim é. Porém, vale a pena, independentemente do que podem significar no médio ou no longo prazo, dar atenção aos sinais - ao menos como regulação da nossa imagem da percepção pública... aqui ficam disponíveis (via Margens de Erro) os resultados comparáveis de Março no trabalho da Intercampus para o Rádio Clube e a TVI.

sábado, 27 de março de 2010

Mário Barradas no Dia Mundial do Teatro... em Évora


Associo-me hoje, 27 de Março, Dia Mundial do Teatro, à justa porque mais do que merecida homenagem do Cendrev a Mário Barradas. Escrevi aqui assim que soube da sua morte, tal como o fiz no jornal Diário do Sul... muito haverá a dizer, a estudar e a escrever sobre a sua obra, o seu pensamento e a sua forma de estar na vida. Para além de apenas acrescentar ao pouco que se tem dito que também em Timor, Mário Barradas criou um pequeno grupo de teatro, que foi ele quem, em Portugal, legislou sobre o Teatro em Portugal depois do 25 de Abril, que as 2 cidades em que mais investiu tempo e trabalho, a saber, Évora e Almada, se tornaram capitais reais da cultura no território nacional, de Mário Barradas guardaremos sempre a frontalidade, a amizade, a sinceridade, o saber, a cultura e a alma. Por isso, para quem é grato à memória e à herança, Mário Barradas não desapareceu nem irá desaparecer... por isso, continuo à espera do Teatro Mário Barradas em Évora... até quando? Até que aconteça! Mas, entretanto: Obrigado ao Cendrev pela homenagem de hoje. Aquele Abraço.

O PSD, Hoje...


Pedro Passos Coelho ganhou as eleições directas no PSD com 61 % dos votos expressos. A vitória, previsível e, como tal, nada surpreendente (apesar da já conhecida estratégia dos media em efabular a realidade pela incapacidade de, com ela, se confrontar em troca de um permanente e inglório esforço em a inventar) é uma boa notícia para o panorama político-partidário português, na medida em que revitaliza as imagens públicas da vida nacional, arrastando, necessariamente (não se sabe por quanto tempo, é certo!) uma dinamização do diálogo político, importante para a governabilidade e a expectativa dos cidadãos. A vitória de Passos Coelho é, para o interior do seu partido, acima de tudo, o assinalar do fim do penoso ciclo de anomia política decorrente da queda do governo de Santana Lopes e do destrutivo período da imagem pública do PSD resultante da gestão de Manuela Ferreira Leite mas é, também, a evidência da derrota das pretensões de Paulo Rangel que nunca percebeu que a sua vitória eleitoral nas europeias resultara de uma conjugação muito particular e irrepetível (fruto, por um lado, da retaliação e desmobilização popular contra o PS num acto eleitoral de menor proximidade e, por outro lado, da unidade conjuntural de esforços sociais-democratas para a afirmação da sua imagem pública enquanto segundo partido da oposição)... sobre a vitória de Passos Coelho e a nova liderança do PSD, gostei de ler e por isso destaco os textos de Osvaldo Castro, Eduardo Pitta e Pedro Correia, respectivamente, nos A Carta a Garcia, Da Literatura e Delito de Opinião.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sonoridades... intemporais...

Do sentido e da gratuidade do uso do espaço público

Há manifestações públicas que nos devem interpelar porque, para além de uma pretensa manifestação de irreverência, nos interpelam sobre o seu sentido ou, em última análise, sobre a sua intencionalidade... nomeadamente porque, ao colocarem-se estas perguntas e ao não se obterem respostas, nos deparamos com uma gratuitidade de tipo non-sense que, no frágil contexto da sociedade e da economia portuguesas, em nada denotam utilidade - a não ser para a especulação e a interpretação provocatória que o país e os cidadãos não merecem... ver Aqui.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Leituras Cruzadas...

Um dos mais relevantes problemas do desenvolvimento sustentado contemporâneo na União Europeia que, no nosso país, adquire uma pertinência incontornável, refere-se à prevalência das políticas fiscal e financeira sobre a política económica. Contudo, o país continua a insistir apenas na leitura das evidências decorrentes do PEC - o qual, apesar de tudo, por estar na ordem do dia, tem tido o mérito de permitir algumas importantes análises que se constituem como as únicas "achegas" que se aproximam do problema que acabo de enunciar e de que destaco algumas observações e reflexões de JMCorreia Pinto , no Politeia. Contudo, sobre o PEC tem também sido produzida muita argumentação demagógica (veja-se o reparo anotado por Paulo Pedroso no Banco Corrido) sem ser tida em consideração a situação socio-económica e política contextual que caracteriza actualmente a Europa (ver Aqui e Aqui)... e, enquanto o país prossegue a sua senda de "soma zero" no que se refere ao envolvimento útil e positivo das dinâmicas político-partidárias nos processos de reconstrução/recuperação nacional (vale a pena ler as observações de Porfírio Silva no Machina Speculatrix e de João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá), felizmente, vamos conhecendo outras realidades que nos reacendem a esperança na capacidade possível de construção de alternativas (leiam-se os textos publicados por Michael Bahrent no Alternatives Économiques e por Osvaldo Castro no A Carta a Garcia)... apesar da hipocrisia que continua a contaminar de forma ignóbil a nossa sociedade (vale a pena ler o que dizem João Tunes no Água Lisa e Rui Herbon no Jugular), à revelia de todos os valores e de todos os direitos!

terça-feira, 23 de março de 2010

Da Saúde e da Pobreza ao Emudecimento Económico

A vitória de Barack Obama sobre a América do passado que persiste em glorificar um sistema que mais não fez do que agravar as desigualdades sociais, negligenciando os direitos dos cidadãos e caucionando a discriminação económica, tem o rosto da nova Reforma da Saúde que abre o acesso à assistência médica e aos cuidados de saúde dos milhões de pessoas que, nos EUA, se viam privadas do exercício de um direito fundamental. Para além da inequívoca importância do facto, esta luta politicamente travada com persistência e apesar das empedernidas e demagógicas resistências que ergueram medos e levantaram suspeitas, valeu a pena não só, lá, na América, mas, como mensagem global do combate que é preciso continuar a travar contra a discriminação, contra o racismo e contra a xenofobia de que são vítimas, cumulativa e injustamente, os cidadãos atingidos, reduzidos ou condenados à pobreza. Por cá, esta manhã reparei nos rostos desalentados, magros e escurecidos de falta de sono, tranquilidade e alimento de muitos portugueses que atravessavam as ruas e esperavam autocarros, entre um certo ar de abandono do espaço público, de negligência ou desinteresse pelo que é de todos... a pobreza tem, entre nós, um rosto cada vez mais público e mais triste. Por isso, se torna difícil aceitar e compreender que, ao invés de se discutir uma forma de, conjuntamente, se revitalizar a economia, toda a discussão permaneça centrada nos mecanismos financeiros de controle da dívida externa... vivemos uma espécie de déjá vu... e o que mais nos penaliza é ver que todos os agentes políticos se pronunciam, alimentando quezílias e interesses corporativos próprios, sem apresentar soluções, obcecados em se ultrapassarem uns aos outros e em justificar ou condenar medidas de austeridade cuja necessidade não está em causa mas que não deveriam, de modo algum, esgotar o pensamento político e económico do país... onde conceitos fundamentais como "economia social" e "economia ecológica" parecem desconhecidos ou, não o sendo, são contudo, simples e assumidamente, negligenciáveis.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Bullying - Os Rostos da Violência



Vivemos em sociedades violentas. Apesar de toda a propaganda e dos termos de comparação com sociedades guerreiras ou em estado de guerra, as sociedades ocidentais e democráticas de hoje continuam a manifestar expressões de agressividade que, cada vez mais sofisticadas e diversas, não deixam de ser extremamente preocupantes. Cabe, por isso, aos agentes sociais, políticos e educativos estar atentos, de modo a serem compreendidas as causas e prevenidos os efeitos da violência social que grassa entre nós, de forma mais ou menos dissimulada, relativizada ou negligenciada. O bullying está na ordem do dia, nomeadamente por se evidenciar em meio escolar. Sejamos claros! Sempre existiu violência na escola! Os mais fortes sempre agrediram os mais fracos e os mais pobres... meninos e meninas! O bullying não é, por isso, uma nova realidade mas, isso sim, apenas!, um novo conceito que designa comportamentos caracterizados pela agressão (psicológica, verbal ou física) manifestada de forma intencional e repetida. Ao bullying assiste uma atitude de assédio, transversal ao sexo e à idade, desenvolvida sob a égide do comportamento de grupo - o que evidencia, quer a atitude, quer a prática, como estratégia de integração social no sentido do reconhecimento da afirmação do poder pela massa grupal que se refugia no anonimato em que se pratica um certo sentido de lealdade cujo reverso é, se assim o podemos dizer, uma espécie de corporativismo de índole vária: sexual, etário ou de interesses. Combater o bullying é uma tarefa hercúlea que implica o revolucionar da gestão relacional nas famílias e na sociabilidade, o repensar dos valores, das práticas e da função social da educação... até porque a importância do bullying emergiu da consciência pedagógica e cívica do drama da violência, em sociedades que só nos últimos 50 anos (e, no caso português, nos últimos 20) se tornaram sociedades valorizadoras dos afectos e promotoras da coexistência social pacífica num contexto valorizador da diversidade. O bullying existe por uma quantidade de interacções multifactoriais, próprias da sociedade contemporânea, que não podem ser escamoteadas: da ausência comunicacional na família à desestruturação das respectivas relações hierárquicas verticais (não substituídas por correspondências horizontais com significativo impacto na regulação dos comportamentos); da alteração da percepção social dos mais velhos (que reduz o respeito e a consideração pelos adultos e os idosos) ao crescimento institucionalizado das crianças; da reprodução das imagens e estereotipos dos media, da publicidade e da moda ao desenvolvimento de redes de ensino e aprendizagem técnica, disciplinarmente específicas, mas destituídas de uma integração holística de cidadania e responsabilidade social... Ao bullying são ainda, indiscutível e determinantemente inerentes, como mecanismos processuais, as questões da afirmação infanto-juvenil no espaço público e os respectivos pressupostos individuais ao nivel da estruturação da personalidade, do carácter e dos códigos sociais... e, neste plano, deve destacar-se, por um lado, a dimensão da emergência de sentimentos tais como os de justiça/injustiça, vingança/inveja, penalização/culpabilização ou exibição/afirmação que carecem da atenção reguladora dos adultos, entretanto, assoberbados pelos estímulos externos de um meio apelativo à competição e à concorrência onde se lhes revela cada vez mais difícil o exercício do discernimento. A violência mata. O bullying também... e o bullying afecta não só crianças e jovens mas, também, adultos... porque o bullying, como todas as manifestações de assédio, tem como palco o meio profissional... vejam-se os professores que, provavelmente vão ter que encontrar protecção na justiça e na elegilidade da sua agressão ao nível do crime público porque a relativização dos fenómenos e manifestações da violência deixou de, por excesso de banalização, merecer a atenção cívica das pessoas e das autoridades.

domingo, 21 de março de 2010

Portugal... Ontem e Hoje...

"PORTUGAL EM PARIS
Solitário
por entre a gente eu vi o meu país.
Era um perfil
de sal
e Abril.
Era um puro país azul e proletário.
Anónimo passava. E era Portugal
que passava por entre a gente e solitário
nas ruas de Paris.
Vi minha pátria derramada
na Gare de Austerlitz. Eram cestos
e cestos pelo chão. Pedaços
do meu país.
Restos.
Braços.
Minha pátria sem nada
sem nada
despejada nas ruas de Paris.
E o trigo?
E o mar?
Foi a terra que não te quis
ou alguém que roubou as flores de Abril?
Solitário por entre a gente caminhei contigo
os olhos longe como o trigo e o mar.
Éramos cem duzentos mil?
E caminhávamos. Braços e mãos para alugar
meu Portugal nas ruas de Paris."
(Manuel Alegre in "O Canto e as Armas - Canto V-Lusíada Exilado")

Recados... subliminares...



"Zero and One"... de Laurie Anderson... sabem porquê?...
Por exemplo:



Porquê? Sabem porquê? Porque...



... Tenham uma Boa Primavera!... e que nela renasça... toda a poesia e toda a consciência!

sábado, 20 de março de 2010

Tributo...


... a Ibrahim Ferrer ... com o imortal: "Dos Gardenias"!... para prenúncio de uma urgente e doce Primavera :)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Do PEC às Funções Sociais do Estado...

Confesso! Ainda não compreendi a razão pela qual se chama PEC-Programa de Estabilidade e Crescimento ao... PEC! O rigor requeria que o documento se designasse, honesta e frontalmente, Programa de Austeridade para o Combate à Crise... no mínimo! - e para além de todas as justas e merecidas críticas que o nome aqui sugerido pudesse implicar mas teria, pelo menos, o mérito de não efabular os objectivos das medidas a adoptar e de não desvirtuar os conceitos de "estabilidade" e "crescimento"!... porque é uma amarga e desrespeitosa ironia, designar por "programa de estabilidade e crescimento" um conjunto de medidas que incidem mais sobre os mais pobres do que sobre a taxa de 45% de IRS ou o adiamento de infra-estruturas, no contexto de uma hipótese decorrente de uma espécie de "overbooking", previsto para os utentes dependentes de prestações sociais como o subsídio de desemprego, o Rendimento Social de Inserção ou o suplemento complementar para idosos (vale a pena ler o que Paulo Pedroso bem escreveu sobre a matéria no Banco Corrido). Vejamos... quando se designa e anuncia um documento desta natureza, num clima socio-económico fragilizado como o nosso, como instrumento de apoio ao crescimento e à estabilidade, está, assumidamente!, a perverter-se a linguagem, a ideologia e a percepção cívica da governibilidade de toda uma população que vive de facto!, cada vez mais, em dificuldades, num cenário onde não páram de crescer os apelos aos sacrifícios colectivos - que, a serem feitos, deveriam ser fundamentados, justificados e compreendidos como expressão de "último recurso", no quadro de uma governação que valorizasse e defendesse, "de factum" e "de jure", as funções sociais do Estado. É caso para reflectir... porque fica cada vez mais inverosímil a defesa destas propostas e procedimentos adoptados por quem governa e constrói o referido programa a pensar em termos pauperrimamente economicistas, reduzindo a vida nacional ao deficit e ao esforço de controle das contas públicas que o exterior tutela e penaliza, em prejuízo da sociedade portuguesa e do efectivo crescimento da economia nacional - que, diga-se em abono da verdade!, se dá ao luxo de se pensar e apregoar, ignorando potencialidades de investimento e desenvolvimento de sectores estratégicos nacionais de que destaco, a título de mero exemplo, a indústria naval portuguesa.