terça-feira, 13 de julho de 2010

Leituras Cruzadas...

A propósito das recentes decisões da Ministra da Cultura, para além da estranheza causada pela nomeação de João Aidos verdadeiramente pouco conhecido ou reconhecido, é caso para se perguntar se o dito "recuo" nos generalizados cortes de 10% para o sector, decorre de se ter efectivado a demissão de Xavier Barreto e se, nesse caso, a divulgação dessa medida redutora deve ser entendida como forma de pressionar a decisão do demissionário... Seria pena, é certo mas, coincidências deste género em tão curto espaço de tempo, legitimam, pelo menos!, a interrogação (a este propósito vale a pena ler os textos de João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá e de Filipe Tourais em O Pais do Burro). Enquanto isto, decorrem as Jornadas Parlamentares do PSD que, sem qualquer alternativa político-económica credível, aproveitam a mediatização para fazer campanha com senso-comum e demagogia que muitos dos que se querem respeitados e ilustres não têm peias em protagonizar (leia-se o texto de Eduardo Pitta no Da Literatura). Fica o país na mesma sem rasgos de lucidez ou criatividade que estimulem a auto-estima lusitana (leia-se o texto de Carlos Barbosa de Oliveira no Crónicas do Rochedo e de Luís Rainha no Vias de Facto), a não ser que se adoptem e assumam procedimentos corajosos e legítimos não só de carácter endógeno mas também no que a relações externas respeitam (leiam-se os textos de JMCorreia-Pinto no Politeia, de Osvaldo Castro no Carta a Garcia e do Vidas Alternativas).
(Nota: o texto de Luís Rainha foi integrado posteriormente ao momento inicial de publicação deste post)

Para Interpretações Apressadas, Sons com Sentido...


... O nosso amigo João Tunes do Água Lisa faz-me hoje uma referência que designa por "O mérito em roda livre" (ver Aqui) e que me merece esclarecer: por um lado, não disputo apreciações futebolisticas para ganhar o estatuto de comentadora na matéria; por outro lado, salvaguardando o fundamento das minhas apreciações no facto de nos ser legítimo apreciar uma arte partindo de enfoques distintos (o treinador, a equipa, um ou outro jogador, a tática, a técnica e por aí adiante), quero chamar a atenção do nosso amigo para o equívoco de que resulta a sua observação: na realidade, se os meus comentários forem lidos calmamente e sem pressas interpretativas, percebe-se que eu digo, relativamente à vitória espanhola no Mundial, que esta é "testemunho de um trabalho, de uma vontade e de uma preparação que teve em Casillas uma excelente e integral demonstração"... Como se vê e se deduz, nada que contrarie a lógica de apreciação do Inter treinado por Mourinho cujo bom trabalho poderia, eventualmente, ter sido ilustrado com o recurso à exibição de um ou outro jogador; porém, não foi essa a minha opção... porque considero mais destacado e bem conseguido o trabalho global de Mourinho na construção colectiva de equipas (como era o caso do Chelsea e do Inter à data em que com elas começou a treinar) do que o de Vicente del Bosque - sem que isso signifique que não aprecie as suas qualidades e tal como considero mais destacado o trabalho de Fábio Coentrão do que o de Queiroz no que se refere à Selecção Nacional... dito isto, aqui fica um dos sons inesquecíveis que gosto de ouvir sempre: "Harvest" na voz inconfundível de Neil Young.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espanha!


... Parabéns, Espanha!...pela justa vitória deste Mundial que é a 1ª Taça do Mundo de "nuestros hermanos" e que coincidiu com a estreia do maior campeonato desta modalidade realizado no continente africano... uma vitória que é o testemunho de um trabalho, de uma vontade e de uma preparação que teve em Casillas uma excelente e integral demonstração... com lágrimas, beijos e muito, muito boas defesas - competências que já se lhe conheciam como aqui se demonstra nas imagens partilhadas. Terminou bem o Mundial de Futebol 2010. Eu gostei.

domingo, 11 de julho de 2010

Do Governo Económico Europeu à Questão Política dos Estados - Portugal e Espanha, dois casos paradigmáticos...



A solução para a crise que tem dominado o presente e que, neste contexto, emerge como capaz de prevenir no futuro eventuais réplicas deste vulcão ora activo, ora adormecido, em que fermenta a lógica de mercado, conduziu à defesa do reforço das competências comunitárias no que à sua dimensão económica respeita... assim, nas recentes Jornadas Parlamentares do PS, José Sócrates veio defender o que designou por "governo económico" para a Europa, esclarecendo que tal postura decorre da convicção (generalizada, pelo menos mediaticamente) no espaço comum europeu, de que a crise se resolve com "mais Europa" a nível económico mas, também, político. Muito bem, dir-se-á à partida... mas, sejamos claros!... o federalismo tem, de facto, a competência da coordenação e articulação da interdependência entre os respectivos Estados federados, função que poderia ajudar de forma significativa ao equilíbrio das contas públicas de cada um e ao desenvolvimento de um apoio mais sustentado para todos relativamente aos choques financeiros resultantes da dinâmica internacional dos mercados. Nesta discussão é, contudo, decisivo não escamotear a realidade: o federalismo não assenta, por ora, por vocação ou tradição, no reforço das capacidades produtivas autonomizadas de cada Estado-membro, reforçando, pelo contrário, a sua planeada interdependência (vejam-se os exemplos dos EUA e da antiga URSS)... salvaguardando (por ser aqui que se pode vislumbrar uma solução alternativa para o problema!) a possibilidade do modelo federal europeu poder vir a mudar os modelos organizacionais a nível económico que têm vindo a ser praticados, a questão do reforço dos aparelhos produtivos nacionais é determinante para países como Portugal, praticamente destituídos de estruturas que, em casos extremos de ruptura financeira dos mercados e consequentemente dos mecanismos centrais federativos, seriam a única possibilidade de deter alguma margem de manobra para evitar a radicalidade de um colapso económico e social... além disso, se a contra-argumentação a este cenário consistir na defesa da urgente necessidade de reforço da dimensão política da Europa, basta pensar em Espanha para nos confrontarmos com outra realidade que a especulação não pode ignorar e menos ainda eliminar: refiro-me, naturalmente!, por um lado, à contestação pública de milhares e milhares de catalães, que vieram para a rua protestar contra os cortes orçamentais inerentes à sua autonomia e contra a declaração do governo central de Espanha de que não são um Estado mas uma região autónoma, por se considerarem uma Nação... e, por outro lado, à tomada de posição da Galiza que, enquanto região autónoma, veio solicitar ao nosso país isenção ou redução no pagamento das SCUT's em Portugal, alegando que os seus custos tendem a enfraquecer o ritmo económico dos investidores entre os dois lados da fronteira!... Como se vê, não há receitas nem soluções simplificadas... por isso, cuidado na forma como avançamos para soluções inovadoras sem equacionarmos os seus impactos e consequências... como dizia o Professor Agostinho da Silva: "para se levar a cabo uma tarefa ousada e louca, é preciso muita mas, mesmo muita prudência"!

sábado, 10 de julho de 2010

Persistências Disfuncionais - do PSD à extrema-direita e ao Vaticano?!

Enquanto propagandeia intenções de resgatar o país com a repetição das velhas receitas do neoliberalismo, Passos Coelho dá continuidade aos dislates de Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel defendendo, em jeito de intriga internacional, fora do país, o que, contrário ao interesse nacional, visa encontrar ecos de apoio entre eventuais aliados estrangeiros sem consciência de que, face à crise actual que a todos afecta, essa postura suscita, cá e lá, o reconhecimento do seu provincianismo bacoco, incapaz de resistir à demagogia de uma campanha partidária contra o Governo e à completa ausência de sentido de Estado - que se encontra no cerne da reflexão interna a que a generalidade dos Estados-membros, para além dos discursos feitos "para inglês ver", está a proceder. A mesma tentação demagógica teve hoje outro rosto, em Cascais, na praia do Tamariz, onde o PNR resolveu passear, manifestando-se contra a insegurança que muitos identificam com o próprio projecto de autoritarismo nacionalista que defendem... e como se não bastasse, soube-se hoje que o Vaticano teve, em 2009, prejuízos de mais de 4 milhões de euros (ler Aqui) o que, final e felizmente!, lança alguma luz sobre as ocultas razões subjacentes à reunião mediatizada que Bento XVI realizou em Portugal com as IPSS's e ONG's... Como se constata, a democracia continua exposta a graves e sistémicas fragilidades endógenas que nos permitem até relativizar outras ameaças conhecidas como globais e que vão dos equilíbrios nas relações internacionais à luta pelos Direitos Humanos ou ao aquecimento global. Dá vontade de lembrar a canção: "P'ra pior já basta assim..." - ou será que já ninguém se lembra da esperança e do esforço que implica a defesa da liberdade e da democracia para todos - apesar da persistência do sussuro popular: "Estamos bem arranjados"...

Sons Femininos...


... Melody Gardot em "Over the Rainbow", numa recriação de jazz de um tema conhecido que, com muitos outros, para além da sua voz, lhe conferiu o carisma, inequivocamente americano, que já fez encher, por 3 vezes, o Olympia de Paris.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sakineh Mohammadi Ashtiani, Iraniana, Condenada à Morte por Lapidação...


O crime contra as mulheres foi, de novo, notícia de destaque pelas piores razões: no Irão, uma mulher, de seu nome Sakineh Mohammadi Ashtiani, considerada adúltera, foi condenada à morte por lapidação (morte por apedrejamento) pelo colectivo de 3 juízes que, no Irão, afirmam a sua "convicção"(???!!!) relativamente ao que, barbaramente, consideram crime e apesar dos próprios filhos de Sakineh negarem a acusação, arriscando a sua vida e a sua liberdade, em nome da defesa da vida e da inocência da sua mãe. O Irão encontra-se, por mais esta decisão absolutamente absurda, cruel e intolerável, no banco dos réus da comunidade internacional a quem os filhos e os iranianos da oposição ao regime fundamentalista do seu país, apelam, um pouco por todo o mundo onde a liberdade de expressão é possível. É urgente agir no sentido de eliminar a própria legitimidade jurídica que qualquer ordem nacional determine no sentido de atentar contra a vida humana por razões morais de alegados "bons costumes" assentes na obsessiva necessidade de controle da vida dos cidadãos. É urgente combater o crime contra os indefesos. É urgente combater o crime contra as mulheres... neste sentido vale a pena ler a mensagem da Amnistia Internacional.
(Como poderão ler abaixo o Carlos Barbosa de Oliveira -a quem agradeço!- chamou a atenção para o facto de Ferreira Fernandes na sua crónica no DN ter anunciado que, afinal, Sakineh será condenada à morte já não por lapidação mas, provavelmente, pela forca... enfim! correcções que não retiram sentido à nossa mais veemente condenação a todas as lapidações passadas para prevenir as futuras... apesar de, compreendendo-o, não conseguir partilhar o sentido do humor negro de Ferreira Fernandes por me transcender o sentimento que a ideia da lapidação me suscita, a sua crónica pode ser lida aqui).

Da PT aos Paradigmas Presentes e Futuros...




Enquanto a Telefónica tem vindo a sofrer, em bolsa, uma queda que atingiu já os 18%, descendo do 1º lugar que, há oito meses, ocupava ao nível das maiores empresas de telecomunicações, para, já não o recente 3º lugar na hierarquia das maiores do sector mas, para o actual 5º lugar (ler aqui), a PT começou agora a sentir uma evolução em queda (ver aqui)... até que ponto é legítimo considerar que a golden share aplicada pelo Governo à PT não prejudicou o funcionamento do mercado e que consequências daí se podem deduzir - eis uma das questões a merecer reflexão e debate, nomeadamente porque, ao contrário da contundência do que afirmou o Director do Jornal i numa das nossas estações televisivas, se nas últimas décadas Portugal e a Europa mudaram qualitativamente, não terá sido apenas pela liberalização dos mercados mas, essencialmente, pelo papel que o Estado desempenhou no âmbito das competências sociais ditas previdentes... de qualquer modo, a garantia da continuidade do veto governamental à mesma proposta da Telefónica, afirmada ontem pelo Ministro da Presidência e pelo Ministro das Obras Públicas denota, por um lado, a consciência da importância do sector das telecomunicações como sector económico-financeiro estratégico e, por outro, o empenho central na defesa do interesse nacional representado, para o efeito, pela dimensão da PT. A questão é duplamente interessante por, além do caso concreto em causa, permitir à opinião pública equacionar o funcionamento do poder económico e a potencialidade reguladora que, sobre ele, o poder político pode exercer, à revelia da representação comum de que é a economia a comandar a política... nos tempos que correm e dado o incipiente grau de federalismo da actual União Europeia, estamos a tempo de repensar e aperfeiçoar os mecanismos que configuram a defesa de uma lógica que, entre interesses nacionais concretos e jurisprudência comunitária optimizada, implica, no médio prazo, consequências graves para a vida dos cidadãos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fariñas, símbolo da mudança em Cuba?


Ninguém passa, gratuita e impunemente, 135 dias em greve de fome... e foram 135 os dias em que Guillermo Fariñas, psicólogo e activista cubano, com 47 anos de idade, recusou alimentar-se em protesto contra a prisão de 26 activistas políticos doentes, apoiantes dos Direitos Humanos em Cuba, alegadamente aprisionados por suspeita de estarem ao serviço dos EUA na missão de combater o regime de Fidel e Raul Castro. Hoje, o Governo de Cuba fez saber que libertaria 52 presos políticos, prisioneiros de consciência... e Guillermo Fariñas terminou a sua greve de fome. O Cardeal Ortega, Arcebispo de Cuba e Miguel Moratinos, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, foram os mediadores do acordo que tornou possível a libertação dos 52 cidadãos (aqueles 26 e mais outros tantos) e o resgate da morte de G.Fariñas com que se congratulou, de forma sentida, Laura Pollán, líder das Damas de Branco. Miguel Moratinos levara ao conhecimento do Governo de Cuba a disponibilidade de Espanha para receber os presos políticos, no caso de virem a ser libertados e esta proposta poderá ter tido um peso político significativo acrescido do sentido que levou Moratinos a afirmar que espera que os seus "parceiros europeus" cumpram o compromisso que, esperamos!, seja também o de ajudar Cuba, de forma efectiva, na superação das suas mais urgentes necessidades. Apesar da contestação dos activistas das ONG's de Direitos Humanos cubanas, exigirem a libertação incondicional dos presos políticos e a restauração plena das liberdades em Cuba, considerando que o anúncio de hoje se refere a uma espécie de "exílio forçado", esta é, sem dúvida, uma boa notícia que urge partilhar, celebrar e apoiar.
(Para conhecer a biografia de Guillermo Fariñas clique Aqui e para conhecer as razões que o levaram à greve de fome Aqui; para ler uma entrevista com a líder das Damas de Branco clique Aqui)

Leituras Cruzadas...

Enquanto o PSD tenta criar a sua agenda política, repetindo velhas receitas cujos resultados estão à vista, para desconforto e desassossego de todos (vale a pena ler dois textos de JMCorreia Pinto no Politeia), a Comissão Europeia continua a insistir na lógica tradicional em que emergiu a crise que continuaremos a pagar e, pelo que nos é dado ver, a prolongar (leiam-se os textos de Porfírio Silva no Machina Speculatrix e de Filipe Tourais no País do Burro)... e enquanto estes temas preenchem e ocupam páginas e horas na comunicação social, a leitura objectiva e não simplesmente especulativa ou manipulatória sobre como a percepção e a realidade da corrupção (leia-se o texto de Rui Herbon no Jugular), escapam à opinião pública tal como os sinais que podem contribuir para o reconhecimento dos esforços colectivos (leia-se o texto de Vital Moreira no Causa Nossa), porque a valorização mediática tem como princípio activo da sua estratégia de venda o protagonismo e o sensacionalismo projectados em casos concretos (mesmo se especulativos e infundados), esgotando praticamente aí a imensa margem de enriquecimento informativo e formativo que os meios de comunicação detêm... talvez por isso, perguntas interessantes (veja-se MFerrer no Homem ao Mar) ou assuntos que remetem para eventuais mudanças pacíficas no cenário internacional (leia-se o post de Osvaldo Castro no Carta a Garcia) sejam evocados de forma tão breve como se de fait-divers de segunda, se tratasse quando, afinal, talvez daí resultasse mais esclarecimento para a compreensão do mundo em que vivemos. É pena.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Alandroal - Terras de Endovélico (2) - Conclusões de Um Congresso



(Continuação e Conclusão do Post que pode ser lido Aqui)

(...) Ex-libris do território local, o sítio de Endovélico apresenta, por estas e por outras razões que o fundamentam, do ponto de vista estratégico para o desenvolvimento económico sustentado do concelho, o perfil requerido em termos de marketing e divulgação para uma atracção turística capaz de justificar a afluência de interesses susceptíveis de aí promoverem o investimento, podendo, por isso, ser escolhido como marca certificada de uma singularidade com valor próprio, no quadro do mercado das ofertas turísticas de qualidade em especificidades que vão do turismo rural ao turismo cultural, religioso, imaginário e de lazer. Foi isso que Alexandra Pereira, brand manager da Proximity/BBDO, foi dizer, concorrendo com o seu contributo para o esboçar de uma estratégia de desenvolvimento que, tal como o reconheceu e destacou Sofia Vieira da TGLA-Turismo Terras do Grande Lago Alqueva, pode ser uma extraordinária mais-valia para o concelho, capaz de valorizar e justificar o interesse turístico de uma região que conta hoje com um lago de dimensão internacional se, aos conteúdos patrimoniais forem acrescentados recursos infra-estruturais que, por um lado, como referiu Simão Correia da VISTA, implicam capacidade de alojamento, dinamização da mobilidade e promoção externa do território e da qualidade da oferta e que, por outro lado, como salientou Michela Zucca, requerem formação profissional direccionada para a integração populacional no processo de mudança que este tipo de investimentos implica.

Neste contexto, para além dos resultados obtidos na identificação do património arqueológico do concelho e registados na sua Carta Arqueológica (dirigida e coordenada pelo arqueólogo Manuel Calado que viu anunciada publicamente neste Congresso, pelo Presidente da CMA, a decisão de se proceder à revisão da mesma, sob a sua coordenação), é necessário proceder ao levantamento de todo o património etnológico do concelho que, tal como eu própria o afirmei na comunicação intitulada: “Etno-História, Património e Desenvolvimento – o caso do Endovélico”, é o garante da sustentabilidade concelhia, na medida em que o recurso à valorização patrimonial requer um trabalho visto em perspectiva, capaz de articular as questões da continuidade cultural e da mudança social, conferindo unidade à diversidade de elementos disponíveis num todo coeso que apresente inequivocamente um conteúdo sustentado à potencial marca “Terras do Endovélico”, assegurando-lhe qualidade (pelo rigor científico do conhecimento que anuncia) e sucesso (pela eficácia da estratégia da sua promoção).

O investimento cultural de um projecto político sustentado é, sem dúvida, uma forma inteligente de, nos tempos que correm, uma região pobre e desertificada, resistir às dinâmicas de despovoamento e empobrecimento, invertendo tal tendência pela revitalização do território e pelo envolvimento colectivo de quatro vectores de intervenção essenciais ao processo que, como concluiu o próprio Presidente da CMA, João Grilo são, nada mais nada menos do que: a autarquia, a comunidade científica, a população e o mercado.

O Congresso “Por Terras do Endovélico” foi, por tudo isto, uma espécie de arranque do que podemos designar por caminhada para o futuro. Uma iniciativa feliz que terá na publicação das comunicações ao Congresso, o primeiro passo para a consolidação de um trabalho que se prevê não só sustentado mas, eficaz e que tem já previsto um conjunto de actividades recorrentes e multidimensionais a ser oportunamente divulgado pela edilidade.

Notas:

1 - Este texto e o excerto referente a este Congresso no post anterior foi publicado no jornal "Diário do Sul" de 07 de Julho de 2010;

2 - As fotografias deste Congresso podem ser vistas AQUI no blog O Poet'Anarquista que também publicou fotografias do workshop que integrou o programa cultural da iniciativa "Por Terras de Endovélico - À Descoberta do Alandroal" que podem ser vistas AQUI e a quem agradeço a generosa e amiga referência que pode ler-se AQUI.

Por estes dias - da Argentina a Israel e à Palestina com... Mahler!


Ontem, foi notícia o facto do ditador argentino, Jorge Videla, ter assumido os crimes contra a Humanidade de que é acusado, protagonizados por acções militares da sua responsabilidade entre 1976 e 1983, período durante o qual se estima o desaparecimento de cerca de 30.000 argentinos (ler Aqui). Notícia de ontem foi também o resultado da pressão de Barack Obama, Presidente dos EUA, sobre Israel, no sentido de serem retomadas até Setembro as negociações para o processo de paz com a Palestina e de se pôr fim ao bloqueio que ameaça a sobrevivência dos palestinianos (ler Aqui). Hoje, uma das notícias refere-se ao assinalar dos 150 anos do nascimento de Gustav Mahler, compositor judeu, nascido na Boémia que viu perseguida e censurada a sua obra, post-mortem, pelo regime nazi. "Urlicht", excerto da sua 2ª Sinfonia, ilustra bem, na voz da médio-soprano checa Eva Randova, a nostalgia despertada pela consciência dos tortuosos caminhos com que se vai fazendo o mundo.

terça-feira, 6 de julho de 2010

6 de Julho, Dia Internacional do Tibete



Hoje, 6 de Julho, celebra-se o Dia Internacional do Tibete bem como o 75º aniversário de Tensyn Gyatso, o XIV Dalai-Lama, Prémio Nobel da Paz e lutador incansável pelo direito à autonomia do seu país e do seu povo, cuja cultura milenar integra, de forma única, o património da Humanidade... Pelo respeito dos Direitos Humanos e pelas causas universais da Paz e da Não-Violência!


"Para todos aqueles que estão doentes no mundo,
Até que todas as suas doenças tenham sido curadas,
Possa eu mesmo tornar-me
O médico, o enfermeiro e o próprio medicamento.


Fazendo cair um dilúvio de alimento e bebida,
Possa eu dissipar os males da sede e da fome.
E, nas épocas marcadas por escassez e carência,
Possa eu próprio aparecer como bebida e sustento.

O meu corpo, pois, e também todos os meus bens,
E todos os méritos obtidos e por obter,
Eu os dou todos sem calcular o custo
Para efectuar o benefício dos seres."
(Shantideva - séc.VIII)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Autóctones - Rostos do Genocídio

Vivemos um tempo em que os valores da liberdade, da igualdade, da valorização da diversidade e do respeito intercultural integram a configuração da face do que, desde meados do século XX, se institucionalizou na Carta dos Direitos Humanos. A sociedade contemporânea, globalizada, informatizada e dotada de um funcionamento mecânico de ordem tecnológica a que se convencionou chamar "sociedade do conhecimento" apenas e só porque os meios permitem uma vertiginosa circulação e troca de informação e comunicação, acabou por materializar o que, entre outros e só para dar um exemplo, George Orwell, previra na sua obra "1984"... Contudo e apesar da consciência que as chamadas de atenção sobre o problema nos despertaram, caminhamos iludidos, ocupados e distraídos com as complexidades multifacetadas que o sistema económico-financeiro nos disponibiliza, sob as vestes do trabalho ou do lazer, esquecendo ou ignorando a essência do ser humano enquanto coexistimos com o genocídio, a crueldade e a destruição de povos iguais a nós, apenas e só!, porque a sua condição de condenados à exclusão dos processos de adaptação à mudança ou a sua persistência em a ela resistir culturalmente, os destituiu, aos olhos do poder, do direito de integrarem as sociedades actuais de pleno direito, no usufruto do seu próprio património e de condições de vida dignas... o que um dia, por efeito de xenofobias colonialistas foi perspectivado como estranheza, transformou-se em direito à perseguição, à escravização, à exploração e à extinção. Foi assim em muitos pontos do planeta e esse massacre silencioso continua, sob o olhar descuidado do poder e dos cidadãos ocupados na fantasia que a virtualidade ilusória da riqueza construiu... Até que ponto o mundo rural e as suas populações autóctones estão a ser vítimas de um processo semelhante, é a questão que se nos coloca... dos medos e superstições de outrora às mistificações imaginárias de hoje, constatamos a mesma projecção de fantasias que, enquanto duram, permitem ao controle do poder dirigir e determinar o futuro que deveria ser, saudável e equitativamente, de todos... A população índia da América do Sul foi e é vítima desta realidade... como um exemplo?!... Aqui fica, portanto, a homenagem aos Índios Toba da Argentina em 3 momentos que correspondem a cada um dos vídeos seguintes: primeiro, com o enquadramento da população índia, depois, com o testemunho da arte, da palavra, da cultura e do pensamento autóctone numa canção; finalmente, com o testemunho actual do seu genocídio.

1 - Os índios, na voz de Atahualpa Yupanqui:


O tema: "Los Antiguos Dueños de las Flechas", na voz de Mercedes Sosa:


O breve mas elucidativo documentário sobre o drama actual dos Índios Toba - Argentina:

domingo, 4 de julho de 2010

Alandroal - Terras de Endovélico (1)




Alandroal é um concelho com 544,86 km2 e 6.187 habitantes, situado no distrito de Évora, limitado pelos concelhos de Vila Viçosa, a norte, de Reguengos de Monsaraz e Mourão a sul, de Redondo a oeste e por Espanha, a leste. O concelho, hoje constituído por 6 freguesias, integra, desde o século XIX, os antigos municípios de Juromenha e de Terena e dele fazia parte Vila Real-Villarreal, povoação actualmente administrada sem conflitos pelo ayuntamiento de Olivença, à revelia do Direito Internacional que não revogou a pertença do próprio termo de Olivença como parte integrante do território português. Economicamente pobre e marcado pela desertificação, o concelho procura caminhos de sustentabilidade para o desenvolvimento local, tentando rentabilizar a sua localização que se situa no território de influência do Alqueva. Neste trajecto de busca de futuro, a Câmara Municipal de Alandroal organizou, no passado dia 26 de Junho, nas instalações do Fórum Cultural Transfronteiriço de Alandroal, o Congresso “Por Terras do Endovélico – Território/Identidade/Marcas”. Com o objectivo de promover a reflexão pública sobre a valorização patrimonial como fonte de desenvolvimento comunitário sustentado no concelho, a CMA convidou para intervirem no evento, não apenas académicos ligados à problemática e com trabalho de investigação no terreno (os arqueólogos Amílcar Guerra, Carlos Fabião e Manuel Calado e eu própria, antropóloga/etnóloga, Ana Paula Fitas) mas, também, representantes de entidades ligadas ao desenvolvimento do turismo e à sua articulação com a economia (Sofia Vieira da TGLA-Turismo Terras do Grande Lago Alqueva, Alexandra Pereira da Proximity/BBDO, Simão de Deus Correia da VISTA e Michela Zucca, especialista em desenvolvimento sustentável). Explicitando a importância e os objectivos do Congresso, o Presidente da CMA, Dr.João Grilo, identificou o interesse dos seus conteúdos na qualidade de contributos para a materialização do projecto político-cultural em que o município aposta, pelo reconhecimento do potencial de desenvolvimento que a valorização patrimonial representa e de que são testemunho, não só os actuais testemunhos da investigação científica mas, também, os documentos históricos (de que vale a pena destacar a obra “Religiões da Lusitânia” de José Leite de Vasconcelos) e literários (destaque para “A Voz dos Deuses” de João Aguiar). Tomando como ponto de partida a localização no concelho de Alandroal do sítio de Endovélico que, datando da Idade do Ferro, foi também objecto de ocupação romana (confirmada pelos vestígios encontrados no lugar de S.Miguel da Mota desde o trabalho aí levado a cabo por Leite de Vasconcelos - cuja importância está patente no facto de se constituírem como elementos da colecção fundacional do Museu Nacional de Arqueologia - até aos que têm resultado do trabalho que, actualmente, a equipa de arqueólogos liderada por Carlos Fabião e Amílcar Guerra aí desenvolve), o Congresso foi ilustrado com a exposição dos materiais do sítio que o Museu Nacional de Arqueologia disponibilizou para o efeito – facto notável por permitir à população concelhia conhecer materiais preciosos para o conhecimento aprofundado da história cultural da região e da Península Ibérica que, contudo e dado o seu valor patrimonial nacional e emblemático, conforme notou Carlos Fabião, continuarão a integrar a colecção do referido Museu. Das conclusões da interessante e profícua sessão de trabalho que o Congresso representou, daremos conta num post que, daqui a dias, publicaremos.

sábado, 3 de julho de 2010

Passagem de testemunho de um Nobel - De Saramago a Garzón



Vale a pena ler Aqui a notícia publicada no El País sobre a presença de Baltazar Garzón que, em Lanzarote, falou ontem sobre José Saramago, ao lado de Pilar del Rio, depois de se saber que a Fundação com o nome do Nobel da Literatura, propõe a atribuição do próximo Nobel da Paz ao Juiz Garzón, injustamente penalizado pela justiça espanhola. O combate continua... da Literatura à Justiça, a transversalidade das causas ganha assim novo rosto, com esta inovadora e solidária forma de se promover a passagem de um testemunho simbolicamente inequívoco em termos internacionais e intergeracionais... como convém à defesa da paz, de uma sociedade mais justa, do respeito pelos Direitos Humanos e da convicção de que é possível um mundo melhor.

Maradona, El Pibe...


... "La vida es una tombola de noche y de dia / la vida es una tombola y arriba, arriba" - assim cantou Manu Chau no filme de homenagem a Diego Maradona, realizado por Emir Kusturica... Así es... y, por lo tanto, no pasá nada, Diego... Arriba y arriba por todo lo que hay para hacer en el mondo...

De Maradona...


A arte... e as palavras a ler Aqui.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Perguntas Golden...


Qualquer golden share é ou não um conjunto de acções pertencente a um mesmo accionista? Os accionistas devem ou não ser tratados equitativamente em termos de ponderação do uso da sua influência na gestão empresarial? ... então, independentemente da definição de golden share (ver aqui), se o Estado pode ser accionista de empresas privadas tem ou não o direito de utilizar as suas acções em função do que considera ser do seu interesse - e que, no caso que envolve actualmente a PT, equivale ao que se considera interesse nacional? Um accionista pode ou não deter um número elevado e até maioritário de acções?... então, das duas, uma: ou se proibem accionistas maioritários nas empresas ou o Estado é inibido de participar como accionista nas mesmas!!!... Esta é a lógica que deve presidir, para além da retórica jurídica, à efectiva e objectiva avaliação do problema... pelo menos, enquanto os mercados não definirem como regra a completa inibição dos Estados participarem como accionistas maioritários, ou seja, com capacidade decisória, na gestão das empresas... mas, atenção!... porque se isso acontecer deixamos de ter economias mistas e empresas público-privadas e estaremos reduzidos e condenados ao mercado da privatização. Será que as sociedades e a gestão social das economias nacionais estão preparadas para isso?... Estaremos dispostos a abdicar, de todo!, das soberanias nacionais? ... ou, encontramo-nos apenas no compasso de espera que medeia este processo de (re)definição dos modelos económico-financeiros, reféns, por um lado, do passado galvanizador dos liberalismos sem reservas e, por outro, de um inquietante futuro que o presente não pára de nos assinalar a vermelho?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PT e Vivo - Factos, discussões e especulação


A polémica suscitada pela hipotética venda da participação na Vivo pela Portugal Telecom que decorreria da fácil sedução com que o montante oferecido pela espanhola Telefónica conquistaria os accionistas da portuguesa PT, tem merecido apreciações críticas, técnicas e políticas, cujo tom se agudizou com o veto que o Estado português apresentou ao negócio, através do recurso às competências da respectiva golden share. Tendo lido a entrevista que Zeinal Bava concedeu ao jornal El País na passada semana e considerando evidente o interesse estratégico que a Vivo representa para a PT, bem como a importância económica que a própria PT detém no mercado bolsista europeu e internacional, aguardei, com curiosidade e expectativa, a decisão da Assembleia Geral da empresa e do Estado enquanto seu accionista, sobre esta matéria de efectiva relevância no quadro económico-financeiro nacional - designadamente num tempo em que as agências de rating fazem eco de uma especulação liberal sem escrúpulos que mais lembra o lançamento de uma OPA hostil à economia europeia, protagonizada a pretexto das suas economias nacionais mais frágeis. E se me merece consideração a tomada de posição de alguns sectores políticos nacionais que, de forma transversal, registam a defesa da decisão governamental, não deixa de ser assinalável o esforço dos grandes defensores da total liberalização dos mercados que insistem no significado do veto português como instrumento de intervenção na política de mercado do grande capital. Vale a pena ler algumas referências à questão (por exemplo, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) mas, acima de tudo, tomar em atenção o desenvolvimento que se aguarda para breve por parte de Bruxelas (ler Aqui) e que vai requer nova e sustentada resposta portuguesa... porque independentemente da apreciação sistémica que se pode ler aqui e do aviso que se pode ler aqui, a verdade é que a arquitectura económica europeia contemporânea não foi criada tendo em conta a conjuntura de crise em que nos encontramos, sendo um facto que, hoje, os próprios Estados-membros da UE reconhecem já, face à crise social e financeira, a necessidade de reformular regras e procedimentos capazes de salvaguardar interesses nacionais estratégicos... longe dessa reformulação de conteúdos, a Europa comunitária tem perante casos como este que agora vivemos em Portugal, o paradigmático desafio do seu futuro; entretanto, indesmentível é o frequente uso do direito de veto que, entre outros, a Espanha tem utilizado para defender o que considera prioritário para o seu país pelo que se não coloca a questão de Portugal ter optado por um acto isolado e sem precedentes. O que de facto aconteceu, foi o assumir de uma decisão corajosa por parte do Governo do nosso país... por isso, neste momento, na minha perspectiva, os textos mais pertinentes publicados na blogosfera sobre esta questão podem ser lidos não só aqui e aqui mas, também, muito especialmente, aqui.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um outro olhar iraniano...


Emocionante é a palavra certa para definir a entrevista que podem ler AQUI e que considero importante partilhar... Um olhar sobre a autenticidade da arte e da pertinência do sentido com que o cinema pode iluminar a realidade para além da intenção ficcional de um argumento. O entrevistado é Abbas Kiarostami, o tema da entrevista o seu filme "Shiri" e as suas palavras dão rosto à complexidade de questões tão diversas como é o caso da vivência relacional entre homens e mulheres em sociedades politicamente fechadas e socio-culturalmente segregatórias, o amor, as emoções, o entendimento, as mulheres, a vida e o mundo... Abbas Kiarostami é genial no que me atrevo a designar por um modo alegórico próprio de dizer intensamente a verdade da realidade que pretende enunciar... por tudo isto e pelo que a leitura vos suscitar, vale mesmo a pena ler.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Da Economia e Da Ideologia, Hoje...

A fragilidade dos mercados face à crise económico-financeira que desabou sobre o mundo ocidental há cerca de um ano e cujos efeitos persistem, designadamente na desestruturação das economias nacionais com maior défice público e maior grau de endividamento externo, conduziu os países mais ricos, associados no G20 e reunidos na Cimeira de Toronto (Canadá) com o objectivo de prevenir e evitar novas reedições dos mais graves cenários das crises financeiras, a determinar a concertação para a redução comum dos défices e a aplicação de uma taxa fiscal bancária - a definir por cada Estado (ver Aqui). Apesar de todas as consequências dramáticas em que a decisão se multiplicará ao nível do investimento e do empreendorismo e consequentemente, das dinâmicas empresariais e do desemprego, esta decisão é o sinal e o exemplo maior do reconhecimento do grau de risco social e político-económico que a desestabilização financeira dos mercados implica no que se refere à arquitectura social dos Estados. Os factos revelam, antes de mais, de forma inequívoca, a falência social do modelo político-económico e financeiro que assenta na completa liberalização dos mercados. Por isso, agora, o mundo está a organizar contabilisticamente a forma de pagar a factura por uma opção ideológica que, radicando no século XIX, teve um desenvolvimento decisivo na segunda metade do século XX quando tal opção foi levada ao extremo, no climax de uma euforia de movimento de capitais que a lógica do lucro tratou, simplificadamente, de duas formas: não reconhecendo sinais de desgaste e declínio e perspectivando como solução para os problemas emergentes a continuidade da abertura e da persistência no incremento da liberalização dos mercados. Consequentemente, o desemprego nas sociedades europeias está aí para, pelo menos no médio prazo, ficar. A gravidade do problema é, contudo, mais vasta porque sempre que o dramatismo deste cenário social sofrer diminuições atenuantes, a propaganda e o marketing irão envolvê-lo em estratégias de manipulação de massas de conhecida demagogia, capazes de justificar a opção ideológica neo-liberal... até ao esgotamento da capacidade de resistência das populações cujo grau de empobrecimento diminuirá, seguramente, a respectiva resiliência. O grau de sofisticação tecnológica que se pretende continuar a introduzir nos processos produtivos, a par da globalização centralizada das redes de comercialização e distribuição e a praticamente irreversível reconversão dos aparelhos produtivos nacionais, constituem os 3 vectores de uma gestão ideológico-política que condiciona toda a mudança imperativa no funcionamento económico para que as sociedades democráticas que conhecemos não colapsem ao peso da pobreza e da exclusão social. Por tudo isto, quando analisamos os programas, as prioridades e os argumentários políticos do espectro partidário nacional, ficamos, justamente, com a percepção de que a própria política está esvaziada de sentido, convertida numa espécie de manual de gestão corrente de consumos domésticos... e para além de tudo o que, sobre cada um se poderia agora dizer, registo apenas o quão extraordinário é ver como o PSD insiste e persiste, apesar dos apregoados tempos de mudança levados a cabo pela sua nova direcção, na defesa intransigente dos princípios da redução da acção do Estado e do reforço da liberalização dos mercados (ver Aqui) como se estivesse perante uma mensagem ou proposta inovadora, capaz de garantir a salvação nacional.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Leituras Cruzadas...

Enquanto se olha o mar e se descansa a alma da turva lógica em que assenta a realidade nacional, com a qual se vai adiando a maturidade da consciência e a urgência da intervenção (vale a pena ter em atenção os resultados do recente estudo sobre a pobreza divulgado aqui e aqui) , o pesadelo é saber que o regresso ao horizonte comum dos dias, apesar da persistente busca de apontamentos e sinais que nos re-centrem ao menos pragmaticamente, reencontrará apenas o eco e a repetição do que nos habituámos a ter como quotidiano ou seja, a capacidade nacional de trocar o importante pelo efémero e de confundir informação com opinião... felizmente, não demitidos da capacidade de pensar, resta-nos constatar que ainda se vão escrevendo bons textos denunciadores deste carácter precário da nossa lusitana forma de encarar o tempo e os factos (vale a pena ler os textos de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas, de JM Correia-Pinto no Politeia, de João Ricardo Vasconcelos no Activismo de Sofá, de João Abel de Freitas no PuxaPalavra e de Filipe Tourais no O País do Burro)... contudo, da dita "lusitana forma de agir e pensar" continuamos a ter maus exemplos insistentes e assentes em discutíveis práticas que, da nossa presumida competência para avaliar e sustentar decisões, continuam a deixar muito a desejar como podemos verificar através de alguns casos que marcam este final de Junho (leiam-se os textos de Rui Bebiano no A Terceira Noite e de A.C.Valera no Irrealidade Prodigiosa)... e da articulação entre os primeiros 6 textos sugeridos e os 2 últimos, concluimos que, no fundo, continuamos no "ponto zero" do re-pensar e reformular a lógica dominante da gestão socio-política e científico-cultural que o próprio século passado já demonstrara disfuncional e carente de reestruturação... que mais não seja por, como bem se diz no Outros Cadernos de Saramago: "Uma Questão de Humanidade"!

Pessoas Sem-Abrigo - uma versão musicada...


... são histórias da cidade... pequenos instântaneos de pessoas sem abrigo, com pouco abrigo, de muitos ou nenhuns amigos... histórias de cidadãos... olhados ao som de "Lisboa não é a cidade perfeita" dos Deolinda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ainda as Palavras...


Junto ao mar, onde existem ninhos de gaivota com filhotes saltitando, trémulos, na areia morna e branca do fim de tarde, descanso os olhos no horizonte (razão pela qual não tenho respondido aos meus amigos e comentadores que sei compreensivos e tolerantes!), enquanto releio e retenho mais umas palavras de José Saramago:

"O capitalismo que se apresenta como uma panaceia, um processo de salvação da humanidade, não promete nada, não faz promessas; anuncia, isso sim, que está tudo ao alcance das pessoas (...) por isso, como não promete, não decepciona. A tragédia do socialismo é precisamente essa: não cumprindo o que prometera de facto, decepciona muito mais..." (1991);
"A democracia ocupou o lugar de Deus.(...) O poder real não está nos palácios dos governos: encontra-se, sim, nos conselhos de administração das multinacionais que decidem a nossa vida.(...)" (2004);
"O comunismo é um estado de espírito." (2008).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estradas sem Socorro...


Chocante, a notícia veio inesperadamente num regime democrático onde o bem-estar e a segurança dos cidadãos deve ser prioritária: a Estradas de Portugal decidiu desactivar os postos SOS que, ao longo de quilómetros que podem ser quase desérticos, permitiam a acidentados ou outros cidadãos em risco, pedir ajuda... o que podemos dizer?... que o mundo empresarial continua sem merecer o nosso incondicional respeito?!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dizer a Vida... em 3 Frases



"Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e, se acontece, há que recebê-lo." (J.Saramago)


"Dizer «Não ao Desemprego» é travar o genocídio lento mas implacável a que o sistema condena milhões de pessoas." (J.Saramago)



"Creio que a morte é a inventora de Deus. Se fossemos imortais, não teriamos nenhum motivo para inventar um Deus. Para quê? Nunca o conheceriamos." (J.Saramago)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Unidos por Portugal...


A extraordinária goleada que a Selecção Portuguesa apresentou hoje no Munidal da África do Sul, perante uma Coreia do Norte que ainda deve estar a tentar perceber o que lhe aconteceu, merece o nosso sentido e vibrante aplauso... pela capacidade de uma equipa que, colectivamente e sem vaidades, jogou unida, solidária e confiante, enfrentando, sem medo, a baliza e as oportunidades de golo! ... Não sei se foi a cunha de Saramago quem, desta vez, estendeu a dita "mão de Deus" mas, depois da FIFA não ter deixado que os Navegadores se associassem à homenagem do mundo a José Saramago, o grande prémio que nos deram foi esta esmagadora e lindissima vitória em que a maioria dos jogadores portugueses se estreou neste Mundial, marcando 7 golos que dão, praticamente!, uma média de 1 golo por cada 13 dos 90m que fazem uma partida! Em frente, Selecção!... com a concentração, a humildade e o jogo integrado e colectivo de que hoje deram mostras! Unidos por Portugal... vamos lá!

sábado, 19 de junho de 2010

Para o Coração Português de José Saramago...



"Uma Flor de Verde Pinho

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração."

(Poema de Manuel Alegre
Música de José Niza)

A Dialéctica do "Não"... segundo José Saramago - Leituras Cruzadas - Especial


"Que bom ser ingénuo; que bom não ser cínico" - disse uma vez José Saramago a propósito das ignorantes e vergonhosas palavras de Sousa Lara, secretário de Estado do Governo que Cavaco Silva liderou como Primeiro-Ministro...

"A palavra mais importante é «Não»... dizem que é satânica porque Satã foi «o que negou»; eu digo que a palavra «Não» é a mais importante. A Revolução é Não, um Não contra o Status Quo... o problema é que as pessoas que dizem «Não» se deixam corromper e o «não» torna-se um «sim»; por isso, é importante que depois apareça outro «Não»..." - disse José Saramago de outra vez, explicando a densidade permanente da exigência ética do carácter e do combate cívico-político...

... e agora, se me permitem, sugiro-vos um percurso na blogosfera... é um itinerário de expressões de cultura e de afecto, de respeito e de identificação, de amizade e solidariedade que vale a pena fazer:

"Dia Não..." - de Osvaldo Castro in Carta a Garcia

"Porque terá chegado a Grande Sombra" - de Benjamina in Armazém de Pedacinhos

"Morre o Homem, Nasce a Eternidade" - de Valupi in Aspirina B

"Saramago, uma lágrima e uma flor" - de Rogério Pereira in Conversa Avinagrada

"José Saramago, por Manuel Gusmão" - de Tiago Mota Saraiva in Cinco Dias

"Saramago Morreu - A Minha Vida sem Pardais" - de Rogério da Costa Pereira in Jugular

"José Saramago - Falsa Democracia" - de Donatien Alphonse François in Donatien Alphonse François

"O Direito mais Fundamental" - de João Tunes in Água Lisa.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Dia da Morte de José Saramago




Morreu ao final da manhã de hoje, 6ª feira, 18 de Junho, o escritor José Saramago... por cá, em terras portuguesas, o sol voltou a esconder-se e o dia ficou um pouco mais frio. Faz sentido! José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, Escritor e Homem dito em maiúsculas, fez da sua obra e da sua vida um manifesto de liberdade reconhecido em todo o mundo. Ficamos mais pobres... e, por isso, mais tristes! Resta-nos a obra de enorme riqueza que estamos a tempo de re-descobrir e a memória de quem nunca calou a voz da consciência, da lucidez e de um infinito amor à vida! "Levantado do Chão" foi o primeiro livro que dele li... um livro que, apesar de tantos outros que ao longo da sua vida foi escrevendo e de que muito gostei, não esqueci, pela capacidade de dizer a terra e a alma, por tanto tempo calada, do Alentejo. José Saramago trazia na inteligência e nas mãos o entendimento dos silêncios do mundo. Obrigado, Saramago! Bem-hajas!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Tragédia de Burma


Ontem, pela primeira vez, vi o filme "Beyond Rangoon"... não posso, por isso, deixar de o referir. Com uma excelente interpretação de Patricia Arquette, o filme conta a história dos massacres ocorridos na capital da Birmânia, onde uma sangrenta ditadura militar continua a violar e ignorar todos os Direitos Humanos, castigando um povo pacífico cuja cultura se confronta com a necessidade de assumir uma luta sem tréguas que requer o ultrapassar do medo e uma coragem cívica extraordinária. Líder e exemplo mundial desse combate pelos Direitos Humanos, Aung San Su Kyi, laureada com o Prémio Nobel da Paz em 1991, vive em prisão domiciliária em Rangoon, capital de Burma (Birmânia), há, praticamente, 20 anos (ler também aqui e aqui). Documento imperdível da luta humana contra o poder das armas, pela reivindicação da democracia e da liberdade, o filme cujo título foi traduzido para português como "Rangoon", é uma celebração do amor à vida e do investimento sem reservas nas causas justas a que, cada vez mais, urge dar voz e rosto. Se ainda não viram, tentem ver... se já viram, vale sempre a pena rever.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Contra o fatalismo de um mundo desigual...


A Luta Contra a Pobreza é decisiva para a viabilidade do desenvolvimento sustentado... em todo o mundo! Dos países muito pobres e dos menos pobres... porque é uma evidência cada vez menos ocultável, apesar de toda a criação imagética da sociedade de consumo, globalizada e mediática, que são muitos os rostos da pobreza e que os pobres tendem a ficar mais pobres porque as crises económico-financeiras se abatem sobre os Estados, os países e as populações na proporção directa das suas capacidades de resistência aos seus efeitos. Hoje, a luta contra a pobreza é um problema multifactorial que, para além do assistencialismo urgente que é preciso reforçar junto dos que vivem a fome, a guerra, as secas e a exploração desenfreada de recursos naturais e humanos, requer uma intervenção integrada que dinamize de forma conjunta e simultânea, mecanismos de protecção e defesa do ambiente, sistemas de saúde, educação, economias e regras institucionais, políticas e financeiras. A Humanidade, hoje, luta contra si própria e não o entender é reduzir as possibilidades que as democracias e os Direitos Humanos conquistaram desde meados do tão recente século passado e agravar o risco e a taxa real de sobrevivência da espécie nas condições que reconhecemos como dignas, ou seja, justamente equitativas ao nível de uma coexistência social capaz de erradicar as formas de discriminação em que radica o pensamento e a cultura que sustentam a desigualdade e as políticas de liberalização absoluta de mercados, empregos e práticas que nos são apresentadas dogmaticamente como solução e prioridade acrítica, incontestada e incontornável.

domingo, 13 de junho de 2010

Sugestão...


... o prometido é devido! ... aqui fica, vbm!, María del Mar Bonet :)
Uma magnifíca voz catalã num tema lindissimo para um final de noite ou um dia feliz!

Da Sondagem sobre as Presidenciais...

Foi hoje divulgada a mais recente sondagem da Aximagem sobre as eleições presidenciais no jornal Correio da Manhã (ver aqui). A cerca de 7 meses de distância do acto eleitoral que elegerá o novo Presidente da República, os resultados denotam a visão tradicional da persistência da reeleição para o desempenho de um segundo mandato dos PR em exercício. Contudo, não considero que os resultados desta sondagem possa ser interpretado de forma linear já que, por um lado, as campanhas eleitorais ainda não estão no terreno, não tendo o actual PR sido confrontado com o discurso e o argumentário dos seus opositores, designadamente Manuel Alegre, que a mesma sondagem apresenta como segundo mais votado. A expectativa é grande e desse facto é sinal o quase silêncio que a blogosfera tem feito sobre os dados agora divulgados. Considerando as análises que já apareceram na blogosfera sobre a matéria, destaco a de Paulo Pedroso no Banco Corrido que nos permite equacionar a percentagem real que viabiliza a passagem à 2ª volta destas eleições que, na minha opinião, garantiria seguramente a vitória de Manuel Alegre. Outros contributos que reforçam esta perspectiva podem ser encontrados nos textos de Osvaldo Castro no Carta a Garcia e de Weber no Mainstreet. Como diria Jean-Paul Sartre, "os dados estão lançados". Vamos agora trabalhar para que os projectos e os perfis presidenciais que defendemos levem a bom porto as travessias que estamos a começar. Está tudo em aberto, como bem convém a uma democracia que se preza.

Caprichos contra o Direito - o caso da CPI


Pacheco Pereira já não sabe como obter credibilidade e hipoteca o seu partido a uma guerra que, no máximo, lhe valerá outra vitória de Pirro. A insistência em moldar as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso TVI, levam o caprichoso deputado a violar a Constituição pela repetição capciosa de um argumento inválido, a saber a consideração e divulgação de "escutas" como elemento pró-probatório de um Relatório que, à falta de factos, quer ver redigido em termos impressivos e opinativos, ou seja, subjectivos. Para quem defende um Estado de Direito é claro o entendimento que dele resulta. Da inconstitucionalidade da consideração das "escutas" vale a pena ler aqui o que tem sido escrito e sobre a sua irrelevância para o processo considere-se o que pode ser lido aqui. O Direito não se combate com birras... resta-nos agora esperar para ver o que fará Passos Coelho com tão pouco!

Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade - Personalidades da Cultura Portuguesa

Personalidade incontornável e controversa como convém a todos os que, na História, deixam a sua marca, Álvaro Cunhal é uma referência política que arrastou paixões e ódios, tornando-se provavelmente uma das figuras da cultura portuguesa cuja obra o tempo se encarregará de denotar em termos de significado ético, político e cultural. Morreu faz hoje cinco anos e, no seu funeral, como tantas vezes na sua vida, esteve rodeado por milhares de portugueses.

Também há exactamente cinco anos, morreu Eugénio de Andrade, poeta maior da língua portuguesa, solidário e constantemente presente na vida do país em que viveu e onde medrou a sua obra intemporal.

sábado, 12 de junho de 2010

De Paris a Olivença, um itinerário europeu da Lusofonia


Ontem, uma rua de um espaço verde, em Paris, recebeu o nome de Amália Rodrigues (ler aqui)... pouco importa se o jardim é ou não muito frequentado (ler aqui) porque os tempos e os percursos da circulação se vão alterando mas, a toponímia, enquanto expressão da cultura e das interacções culturais, permanece... disso é testemunho o que aconteceu por estes dias em Olivença, onde 70 ruas receberam, sob as placas toponímicas actuais, novas placas que relembram à memória colectiva, os antigos nomes portugueses dessas ruas (ler aqui), num esforço renovado de consolidação da identidade cultural local que também encontra eco no facto da língua portuguesa ter sido adoptada como 2ª língua da Extremadura espanhola, sendo já, em Olivença, objecto de estudo de 400 alunos. A este propósito e porque escrevi aqui mesmo, há dias, um texto em que Olivença vinha a "talhe de foice" (ler aqui), cabe lembrar que o problema territorial continua por resolver no plano do Direito Internacional, uma vez que, hoje mesmo, no Diário de Notícias, uma pequena "breve" reproduzia as afirmações de Nick Clegg que, recém-chegado ao poder no Reino Unido, afirmou que o seu Governo, liderado por por David Cameron, irá manter a soberania sobre Gibraltar, tal como decorre do Tratado de Utrecht, antecipando-se à eventualidade de Espanha interrogar o actual executivo britânico sobre a matéria - já que, de há muito, nuestros hermanos afirmam avançar com a reivindicação do território no caso de Londres renunciar à respectiva soberania.
Nota: A fotografia é a capa do livro que resultou da adaptação da minha tese de Doutoramento, intitulada: "Continuidade Cultural e Mudança Social - Um Estudo Etnológico Comparado entre Juromenha e Olivença", defendida, em 2005, na Universidade Nova de Lisboa. O livro foi publicado, com prefácio do meu orientador Professor Doutor Armindo dos Santos, em 2007, pelas edições Colibri e na sua apresentação pública, decorrida no Instituto de Estudos Diplomáticos do MNE, contou com as intervenções do Senhor General Loureiro dos Santos e do Presidente do Instituto, Professor Doutor Marques Guedes.

J.Céu e Silva sobre Álvaro Cunhal no DN - Surpresas do Jornalismo


Hoje, no DN-Gente, o jornalista João Céu e Silva, publicou um trabalho de referência intitulado:

"Especial - Álvaro Cunhal - 1913-2005 - O Que Ficou Cinco Anos Depois".

Este trabalho pode ser lido AQUI mas, vale a pena ler a sua versão impressa.

215 Milhões...





Hoje assinala-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil... porque há 215 milhões de crianças em todo o mundo a ser exploradas diariamente! ... e porque está a decorrer no continente africano o Mundial de Futebol, escolhi um texto publicado em Angola contra este flagelo que pode ser lido Aqui.
A urgência do combate à pobreza, ao tráfico e à exploração de crianças é o indicador maior da capacidade humana de investir, de facto!, na luta pelos Direitos Humanos e o verdadeiro sinal político de que estamos, mundialmente!, empenhados em construir sociedades mais justas! Enquanto houver uma criança explorada, todo o trabalho estará por fazer... e, neste momento, são, pelo menos, 215 milhões!

Leituras Cruzadas - Especial 25 anos de Europa...

Estão a celebrar-se 25 anos de integração europeia... e, se olhando os tempos que correm, ficamos perplexos na avaliação a que a crise já longa que atravessamos, nos conduz, perante o impasse que se nos coloca ao pensarmos o isolamento que implicaria não pertencer à União Europeia e às dificuldades que uma hipotética saída do euro arrastaria, resta-nos, como caminho, exigir a reforma profundissima das políticas comunitárias e a criação de efectivas condições que garantam uma maior e mais equitativa integração de todos os Estados-membros. Pode talvez ser impossível dado o peso e a tentação de auto-defesa dos mais ricos que, contudo, denotaria uma violação dessa igualdade pressuposta regulamentarmente pelos Tratados pelo exercício de um proteccionismo que se esgota na continuidade selvagem do liberalismo capitalismo mas, é, sem dúvida, a única esperança de sustentabilidade para que as democracias europeias tal como as conhecemos, politicamente. Vale, por isso, a pena, ler alguns textos de autor que, não se referindo directamente à efeméride, denotam o "estado de espírito" da inteligência crítica portuguesa e permitem "sentir o pulso" real do "estado da arte", 25 anos depois da adesão:
Nuno Ramos de Almeida no Cinco Dias
Fernando Cardoso no Ayyapa Express
José Simões no Der Terrorist

Sons Femininos...


... Hoje,
"Piensa em mi" cantado por Luz Casal no filme "Saltos Altos" (Tacones Lejanos) de Pedro Almodovar
e
"Canción de las Simples Cosas" cantado por Mercedes Sosa... testemunhos vocais do que permanece para além da temporalidade, expressão dessa singularidade universal que encontramos reflectida na própria intergeracionalidade...