quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Da Tranversalidade Cívica da Arte e do Saber

Recorro às profundezas da História e da Memória... do passado longínquo de que nos chegam notícias de um Stonehenge Azul através do Trans-ferir de Vitor Oliveira Jorge, ao passado-presente que Daniel Barenboim (pianista, maestro, argentino com cidadania não só da sua terra natal mas, também, israelita e espanhola)denota trans-mutável se assim o decidir a cidadania com que deu origem à criação da aparentemente improvável orquestra, multicultural, a West-Eastern Divan Orchestra e ao rosto israelo-árabe de uma magnífica obra ... por uma causa que se justifica numa reivindicação que aqui trago, recorrendo às sábias palavras do Presidente do Chile, Salvador Allende, no seu inesquecível e último discurso em 11 de Setembro de 1973:

"LA HISTORIA ES NUESTRA Y LA HACEN LOS PUEBLOS!"



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Estórias de um povo... ontem e hoje



Um comentário feito ao texto anterior dizia, a propósito da pobreza, que a falta de solidariedade que resulta de não dedicarmos um pouco do nosso tempo às pessoas que, indiscutivelmente, dele precisam, denota o escasso desenvolvimento desta Europa em que vivemos... é verdade! Hoje, enquanto descia as escadas do Metro, reparei num homem que caminhava, cambaleante mas sem hesitações, à minha frente... voltei a pensar na pobreza e no rosto dos cidadãos que caminham de olhos baixos, nas ruas da cidade... no final da escadaria vi que foi contra a parede de mármore e sobressaltei-me... ele continuou e eu parei, atónita e assustada... não queria ver!... e quando espreitei, lá estava ele, caído na linha, com as pessoas impávidas a olharem, sem se aproximarem e sem sequer terem o ímpeto de agir... corri escada acima para pedir que parassem o comboio - o homem era demasiado forte para eu ser capaz de o retirar... felizmente, o homem não foi atropelado pelo comboio, tendo sido retirado da linha a tempo, pela circunstância extraordinária de uma conjugação de factores quase simultâneos: dois cidadãos acabaram por o puxar e o chefe de estação, depois de avisado, rápido como o vento, galgou as escadas e avisou, via rádio, o condutor!... fracções de segundo... escassos minutos!... quando o comboio partiu da estação, lá dentro, não se ouvia uma palavra!... Como num filme, a realidade foi mais veloz e feroz do que o tempo de reacção dos espectadores... mas, decompostas "em frames", as imagens deixam muito à reflexão... a pobreza, o desalento, a desesperança, o imobilismo... sim, o conformismo, o egoísmo, a necessidade de assistir a uma desgraça como forma de calar a voz de dentro, a própria... não há culpas... há tristeza!... Nós, seres humanos, somos melhores que isto... e não podemos deixar que o mundo nos estrague o melhor do que somos! Temos todos que reagir... e não desistir! ..."As causas continuam" como diz T.Mike num outro comentário ao texto anterior... ontem, Amália Rodrigues foi homenageada, 10 anos depois da sua morte... hoje, evoco-a aqui porque, se o povo já não lava no rio, carrega porém, ainda, mágoas que todos, Estado e Cidadãos, podemos ajudar a debelar... Com prioridades políticas que valorizem, acima de tudo, as pessoas mas, é bom não esquecer!, com mais, muito mais Cidadania!


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Prioridade Política: Pobreza

Hoje é notícia, nas televisões, rádios e jornais (ver aqui) a dimensão da pobreza em Portugal... de facto, quando as instituições de solidariedade social se decidem pela distribuição de vales para, em estabelecimentos comerciais, serem trocados por géneros alimentícios, podemos ter a certeza que a suspeitada taxa de pobreza e a sua transversalidade social alcançaram níveis que a aparência dos dias já não consegue ocultar. Não se trata já de cidadãos sem-abrigo (cujo número, repare-se bem!, continua sempre a aumentar não apenas em quantidade mas, também na diversidade demográfica que arrasta), de pessoas socialmente excluídas ou com problemas de integração, de desempregados de longa duração ou em situação temporária precária... hoje, a existência de "senhas" que fazem lembrar os tempos que acompanham as guerras onde a fome alastra e a miséria atinge a maioria dos cidadãos, dá-nos o retrato exacto de um fenómeno social mais complexo que é preciso ter a coragem política de enfrentar. As "senhas" pela natureza dissimuladora do recurso ao apoio institucional, denotam a vergonha que, no nosso país, apenas António Guterres teve de encarar como assunto de Estado, criando o Rendimento Mínimo Garantido - esse mesmo instrumento que, como tudo o que existe e apesar da sua inequívoca necessidade tem, também, aproveitamentos abusivos que uma área significativa do panorama partidário português (do PSD ao CDS) sobrevaloriza alegando e subscrevendo, demagogicamente, o populismo etnocêntrico dos que reduzem o mundo aos casos que conhecem, propondo a sua extinção ou a sua fiscalização como se esse fosse o trabalho mais importante a levar a cabo no país em termos de justiça e políticas sociais!!!... Acontece que, para quem não sabe é importante esclarecer!, as instituições de solidariedade social, bem como a própria Segurança Social, têm sido sempre cautelosas na forma como gerem os apoios que disponibilizam a quem precisa, evitando a atribuição excessiva de "dinheiro vivo" e procurando garantir que os apoios correspeondem efectivamente à satisfação de necessidades básicas... daí a distribuição de géneros "in loco"... o facto de agora começarem a optar pelas "senhas" significa, por isso, que o número de carenciados é excessivo para que o atendimento continue a reduzir-se às instalações institucionais e que excede, em muito!, o respectivo aprovisionamento... considerando ainda que os cidadãos pobres são agora famílias que não vivem, necessariamente, situações de pleno desemprego, o risco de desvio, por disfuncionalidade psicossocial, não é significativo, justificando-se, por isso mesmo, o recurso a este novo meio de troca... porque a fome é urgente e é preciso celeridade na resposta à imensa crise social instalada e em crescendo, é indispensável que os partidos políticos com assento parlamentar assumam as suas responsabilidades de governação em termos de liderança e cooperação, sem paliativos: a Pobreza é, de facto, em Portugal, a grande prioridade política.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A eternidade da vida...



Há Vozes e Almas, Seres e Sentires, Palavras e Sons que preenchem os silêncios do universo para Sempre... Mercedes Sosa, a voz dos povos, dos poetas e das revoluções, partiu ontem, com 74 anos, deixando-nos um legado para a eternidade... Por Tu Canto "Todo Cambia"y"Gracias a la Vida", por Tu Vida:
Gracias, Mercedes!... Hasta Siempre!

Pela República...

Leituras cruzadas...

Em tempo de campanhas e preparações governamentais é difícil escapar à tentação de pensar os dias à luz do futuro do país e do que nos vai permitindo a participação cívica... assim, enquanto a natureza persiste no exercício contínuo da sua dialéctica e a Lua vai Cheia, comemoramos hoje a implantação da República Portuguesa que João Pedro Dias contextualiza no A Casa dos Comuns e que José Lopes Guerreiro ilustra no Alvitrando... e porque o fim da Monarquia significa a institucionalização do acesso da sociedade civil ao exercício do poder, vale a pena ler, o testemunho histórico de Helena Cabeçadas no Caminhos da Memória... De facto, as revoluções foram e continuarão a ser, sempre, de um ou outro modo, episódios marcantes que se registam para sempre na alma dos povos, cuja personalidade cultural se inscreve, mais ou menos incisivamente, nos cidadãos... por isso, quero aqui deixar o registo, partilhado com os leitores, de dois textos que se nos apresentam como depoimentos da História recente, escritos pelo Professor Raul Iturra no Aventar... e porque a História se vai fazendo na construção do presente, para reflexão fica ainda a referência ao resultado eleitoral na Grécia e ao Tratado de Lisboa por Osvaldo Castro no Praça Stephens que nos remete para a dimensão europeia (leia-se também o texto de João Pedro Dias no A Casa dos Comuns) da vivência nacional contemporânea e para a opinião de Vital Moreira no Causa Nossa sobre a governação em maioria relativa que, por paradoxal que aparente ser, não considero incompatível com a proposta do Compromisso à Esquerda que, mesmo no contexto previsível que o eurodeputado socialista independente prenuncia, deverá ser encarado como uma responsabilidade política de todos, capaz de salvaguardar a estabilidade governativa indispensável ao ultrapassar da crise e à resistência necessária ao alcançar deste objectivo prioritário para toda a esquerda e, acima de tudo, para o país ... para que a pobreza nos não conduza ao imobilismo social total ou à eclosão de conflitos sempre contraproducentes, cuja dôr me faz sempre pensar em tantos povos inocentes e injustiçados e de que hoje trago aqui como exemplo os palestinianos de Gaza sobre cuja situação escreveu Pedro Azevedo Peres no Forum Palestina...

domingo, 4 de outubro de 2009

A Hora das Inovações - o caso das Autárquicas...



Aproximam-se as eleições autárquicas... de âmbito local e exactamente pelo seu grau de proximidade relativamente à vida dos cidadãos, é nas eleições autárquicas que constatamos a ousadia renovadora ao nível da respectiva cultura organizacional... dos movimentos plurais emergentes que se consubstanciam em convergências activas e solidárias, sem medo da desidentificação identitária relativa às particularidades dos sectores que as integram, temos exemplo na candidatura Unir Lisboa (ver: http://www.antoniocosta2009.net/ e o blogue: http://unirlisboa.blogs.sapo.pt/)... mas, ousadia e investimento na mudança estão também presentes de forma evidente na congregação da diversidade cívica, equitativamente partidária e independente, norteada acima de tudo pelo prestígio, a qualidade e a diversidade dos perfis dos candidatos e apoiantes, numa outra candidatura notável, a saber: Porto para Todos (ver: http://www.portoparatodos.com/ e o blogue: http://ograndeporto2009.wordpress.com/)...

No contexto actual, registe-se que as eleições autárquicas inauguram uma forma de fazer política adequada à governação do país... Seria desejável, por isso, que os actores político-partidários nacionais se inspirassem no sucesso destes exemplos... Por todos nós: está na hora de apostar sem medo na negociação cooperante... com confiança e seriedade!

sábado, 3 de outubro de 2009

Ainda o Compromisso à Esquerda - Responsabilidades Sociais e Políticas...



O lançamento do Manifesto "Compromisso à Esquerda" que apela ao entendimento dos partidos que, conjuntamente, receberam 60% dos votos dos portugueses como expressão da confiança do eleitorado numa solução governativa que permita e justifique a inflexão da governação socialista no sentido do reforço da intervenção social segundo a perspectiva comum "das esquerdas", circula na internet e, desde o seu lançamento, na passada 4ªfeira, até este momento, reuniu cerca de 750 assinaturas, representativas da sociedade portuguesa. Este facto permite-nos reforçar a ideia de que os cidadãos reconhecem a necessidade de viabilizar uma estabilidade governativa e de chamar a atenção para que os partidos em que votaram (PS, BE e CDU) não cedam à tentação de enfrentar a nova legislatura com posturas que se esgotam em aparentes estratégias de auto-defesa identitária que tem sido, tradicionalmente, o papel a que se têm remetido, sempre que o confronto político emerge... como se o diálogo e a negociação não fossem, de facto, as verdadeiras armas da Democracia!... É a convicção de que, nos momentos difíceis, o importante é valorizar as causas comuns e não o acentuar das diversidades que justifica a afirmação pública desta vontade colectiva de cooperação assente na consciência e no sentido de responsabilidade dos partidos de esquerda. E há causas comuns a defender: a vocação social do Estado, num tempo em que a crise económica e o desemprego incidem e ameaçam mais o já tão frágil tecido social do país; o desenvolvimento de políticas sociais que promovam o combate à pobreza e criem condições para travar a exclusão, o desemprego e a insegurança; o reforço dos sectores estratégicos do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e do Ensino Público de Qualidade; a sustentabilidade económica com o apoio empresarial à criação de emprego; a sustentabilidade ambiental e a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos. Requer-se para isso, por um lado, abertura e capacidade negocial ao Partido Socialista para, no âmbito do seu estatuto de vencedor destas eleições, reflectir e rever medidas concertadas nomeadamente no que se refere ao Código do Trabalho e ao regime de avaliação de professores mas, requer-se também, talvez acima de tudo, que Bloco de Esquerda e Coligação Democrática Unitária não fechem portas à negociação e não obriguem o PS a negociar e a governar à direita. Estamos perante uma responsabilidade colectiva de grande dimensão não só pela dimensão socio-económica da crise nacional mas, também, pelas fragilidades institucionais que, esperemos, a Presidência da República bem como a Assembleia da República, saibam ultrapassar... é isto que o povo português quer, merece e exigiu nas urnas: uma concertação política de esquerda que demonstre, no concreto, a maturidade democrática que os tempos justificam, para continuar a contar com a confiança do eleitorado. Da capacidade de coexistência do diverso e do diferente em nome de causas comuns temos tido exemplos vários que assinalam a boa-fé e a capacidade dos portugueses em gerir a complexidade: vejam-se as coligações partidárias com passado histórico de que é exemplo a CDU, o Movimento de Cidadãos ou o movimento Unir Lisboa; pense-se no que representaram e representam intervenções como a de Maria de Lurdes Pintassilgo, Manuel Alegre e Helena Roseta; reflicta-se no que significa a emergência de blogues colectivos como é o caso deste Público-Eleições 2009 ou do Simplex, entre tantos outros onde escrevem pessoas das mais diversas sensibilidades, com liberdade de expressão para assumir e expressar, num espaço comum, opiniões diferentes. O país está a mudar e a sociedade civil está, finalmente, a ser capaz de fazer ouvir a sua voz... sem prejuízo das organizações partidárias que podem encontrar, nestes ecos cívicos, razões para o esforço de se concertarem em Compromissos que visam salvaguardar o bem-comum. A este propósito, deixo aqui uma observação a Vitor Dias (cujo blogue pessoal é selectivo na publicação de comentários) que penso não ter compreendido a dimensão da concertação negocial e o sentido conceptual do apelo em que consiste o Compromisso à Esquerda, ao invocar que nele participo apesar de ter integrado o blog Simplex: o Simplex não era um blog do PS mas, isso sim, um espaço pré-eleitoral criado por cidadãos livres que assumiram publicamente ir votar no Partido Socialista nas eleições legislativas e em que escreviam pessoas de várias sensibilidades políticas -como aliás acontece aqui mesmo e onde o Vitor Dias também escreve sem nisso ver qualquer contradição!?!... por isso, faço votos que a direcção do PCP seja mais consistente, justa e inteligente na estratégia política da defesa do interesse dos portugueses e dos trabalhadores do que a que resulta de argumentos como o que VD utilizou ao invocar o que acabo de referir, ignorando quer a legitimidade cívica da participação livre e democrática dos cidadãos empenhados na defesa de um Portugal melhor para todos, quer a justeza de recusar a inflexibilidade demagógica como arma política. Ser de Esquerda, Hoje, em Portugal, é defender o interesse colectivo dos portugueses garantindo-lhes uma governação que salvaguarde, no mínimo, os sectores estratégicos da organização social... por isso, acredito que PS, BE e CDU, se o quiserem podem encontrar as bases de um Compromisso necessário para um País Melhor.


(Este post foi publicado no Público-Eleições 2009)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Compromisso à Esquerda - uma Causa em Movimento

Compromisso à Esquerda é o nome do Manifesto que apela ao entendimento interpartidário entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária no sentido de ser viabilizada a necessária estabilidade governativa a partir de um elenco programático que garanta uma governação à esquerda, no respeito pela vontade expressa pelos eleitores no sufrágio do passado domingo. O documento foi ontem apresentado à imprensa, no Martinho da Arcada em Lisboa, com a colaboração de alguns dos seus Primeiros Subscritores, de que Ulisses Garrido, Maria do Céu Guerra e eu própria, fomos porta-vozes. Após 30 anos de não entendimento entre as diversas sensibilidades de esquerda no nosso país, a realidade actual da economia e da sociedade portuguesa justificam o empenho e o esforço de boa-fé indispensável à união da esquerda.
Leia, assine e divulgue o Compromisso à Esquerda.

Precipitações Contraproducentes...

O país parou, estupefacto, com a declaração do Presidente da República a propósito do caso das chamadas "escutas" que, afinal, seriam vírus, enganos na reprodução textual, desvios informáticos, hackers, firewall, outra coisa qualquer ou absolutamente nada para além de suspeitas infundadas, mal sustentadas e aparentemente resultantes de desconfianças e rumores a que seria suposto ver reagir com distanciamento e sentido de Estado o mais alto orgão de soberania nacional. Influenciando e intervindo no processo eleitoral em curso, ao invés do que tantas vezes afirmara, assistimos ao acentuar do clima de tensão e acusações lançado durante a fase final da campanha eleitoral para as legislativas e continuamos a assistir aos seus desenvolvimentos, ao longo da campanha eleitoral para as autárquicas. A declaração do Presidente da República foi extemporânea, excessivamente justificativa, confusa e, de facto, inútil... além do mais, tentou culpabilizar os que ninguém reconhece como culpados e desculpabilizar os que, realmente, envolveram a sua Casa Civil na campanha eleitoral. Num momento em que, além da centralidade da discussão sobre o poder local, aguardamos a formação e indigitação de um novo Governo, num contexto que exige tranquilidade, negociação e boa-fé para os relacionamentos interpartidários que reconfiguraram a representatividade partidária parlamentar, esperariamos da instituição de mais alto nível da Nação, uma outra postura... Portugal precisa de uma Presidência da República credível e confiável, nomeadamente agora que as condições de governabilidade exigem discernimento para uma gestão ponderada e facilitadora da estabilidade governativa indispensável ao ultrapassar da crise e à consolidação económico-social.
(Este post pode também ser lido no Público-Eleições 2009)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O sentido do voto...


Conhecidos os resultados eleitorais, começa o trabalho de procura dos detalhes que contribuiram decisivamente para o seu desfecho e que configuram a delimitação de campos reactivos adequados... para surpresa de muitos mas, também de não tantos como seria de esperar, o CDS-PP tornou-se a 3ªforça política nacional com representação parlamentar, assente na única percentagem que viabilizará, por si só, a almejada maioria absoluta ao PS. Com uma maioria sociológica de esquerda, definida, grosso modo, pela correlação entre os cerca de 40% alcançados pela soma percentual de PSD e CDS e os cerca de 53% resultantes das votações no PS, BE e CDU, o país confronta-se agora com o quadro especulativo dos cenários possíveis e necessários à governação... o facto permite-nos equacionar a possibilidade de se vir a perspectivar, no curto prazo, a maioria absoluta que agora "caiu" como instrumento eficaz de decisão, dada a quantidade de impasses que a negociação pode implicar entre forças políticas distintas, determinadas em fazer sentir o respectivo poder... Ao Portugal que somos, triste e empobrecido, a lutar desesperadamente pela sobrevivência nas águas agitadas das dinâmicas económicas contemporâneas, resta esperar que os partidos políticos com assento parlamentar sejam capazes de ultrapassar os interesses sectoriais dos seus "nichos" de mercado e de trabalhar conjuntamente e com afinco na procura de soluções efectivas negociadas de boa-fé e determinadas em ultrapassar exigências que poderão um dia ser ultrapassadas mas que, provavelmente, no presente, necessitarão de ser adiadas de forma a que o país não pare, no lago de águas paradas em que vimos fermentar, por exemplo, o caso da substituição do anterior Provedor de Justiça... a realidade carece de discernimento, acção e celeridade e para se lhe responder adequadamente, exige-se responsabilidade social, cívica e política, ao mosaico partidário nacional... O voto dos portugueses solicita pacificação social negociada e efectiva... seria um sinal claro de maturidade política democrática encará-lo como tal e não como pretexto para o bloqueio... os portugueses estão há muito tempo a pagar muito caro por uma economia em vias de se desenvolver em termos de capacidade produtiva e de se emancipar de duas das suas maiores amarras: endividamento e défice... condená-los a mais tempo de improdutividade e estagnação em nome de tentadoras estratégias político-partidárias de curto e médio prazo, será, de facto, desrespeitar a expressão do Direito de Voto que, enquanto janela do presente que nos permite a expressão sobre o futuro que queremos, é ainda o símbolo maior do exercício democrático.

domingo, 27 de setembro de 2009

De novo, a Liberdade!...



Portugal continua a privilegiar a Liberdade!... Estamos todos de Parabéns! Um Grande Abraço a Todos!

sábado, 26 de setembro de 2009

Reflexões Partilhadas...

Houve um tempo, depois de Abril, em que o voto era pensado apenas como arma de protesto... Hoje, mantendo essa dimensão reactiva de expressão contestatária, o voto é, acima de tudo, a manifestação afirmativa das nossas escolhas... e as escolhas, caros Amigos e Leitores, não se resumem nem podem resumir-se à negação do que não queremos, sob pena de ganharmos o que, também, não queremos... porque o contrário de uma coisa não é apenas o seu reverso mas, isso sim, uma variada panóplia de possibilidades, assememlhadas por certo mas, distintas... e, estou certa!, há muita coisa que não desejamos... Não podemos, por isso, trocar a preciosidade de um voto num simples "Não!" dirigido a "isto" ou "aquilo"... porque o voto configura um tempo de vida de 4 anos, demasiado tempo para poder ser perdido entre regressos ao passado ou discussões inférteis entre oposições - que, definitivamente, se não podem entender e cuja aspiração ao exercício do poder se esgota na vaidade de com mais frequência se verem ao espelho da comunicação social... o voto é, se em nós reside a grandeza humana de transcendermos os nossos pequenos interesses e as nossas pequenas contrariedades, a manifestação imensa da nossa universal humanidade porque, com ele, damos voz ao interesse colectivo e ao bem-comum... Por todos nós, integrados e excluídos, mais pobres e menos pobres, homens e mulheres, crianças e idosos, rurais e urbanos, é urgente responder à chamada da nossa comum capacidade decisória para, com altruísmo e confiança, participarmos na construção do presente possível a pensar num futuro melhor!... Sejamos realistas, sejamos justos, sejamos bons... por um país melhor, para todos!... é este o voto sentido e fraterno que hoje aqui faço, com humildade cívica e o sentido da responsabilidade de uma cidadã consciente que em cada pessoa vê toda a Humanidade... Não mataremos a esperança de um país livre, democrático e fraterno, de um país que recusa o cinzentismo triste e obcecado do lucro, de um país vivo, a lutar por si próprio, sensato e solidário, empenhado num mundo melhor, com mais emprego, menos pobreza e sem guerras inúteis! Viva a Vida! Viva a Liberdade! Viva Portugal! Até amanhã...

(Este post foi também publicado no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

Outro Mundo...



... porque não podemos desistir da esperança!... por um "Otro Mundo"... de Manu Chao...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Leituras cruzadas...

Entrámos na recta final das eleições legislativas... Já tanto foi dito que o melhor é retomar o caminho da nossa própria reflexão e perceber, entre manipulações e demagogias, a quantidade de armadilhas que a ilusão cria, pela sede de poder... por isso, deixo hoje, aqui, também sem outros comentários, algumas sugestões de leitura que deixam ao leitor o indispensável espaço da liberdade para o elaborar das adequadas conclusões:


Dos Jogos Malabares à Teoria da Conspiração... de Osvaldo Castro

Epifania Eleitoral e Não Votes PS * de Valupi

A Saúde Mental dos Políticos de JM Correia Pinto

Reflexões Finais (1) de Eduardo Graça

D.José Policarpo com algum Humor de João Abel de Freitas

Um Poeta (com o cérebro) Asfixiado de João Magalhães

Por falar em "desprivatização" de João Carvalho

A tensão na campanha de MFL... de Carlos Santos

(* o post "Não Votes PS" da autoria de Valupi foi publicado no Aspirina B às 23.30h)

Razões de Uma Escolha...

Queremos um País Melhor!... Apostado nos grandes desafios do século XXI e capaz de: promover o uso das energias alternativas, limpas e amigas do ambiente; valorizar um Ensino Público de qualidade, igual para todos; consolidar o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social; combater o desemprego reforçando a auto-estima dos cidadãos e reforçando as suas competências de inserção e integração social; garantir formas de formação e reconversão profissional; oferecer condições para o aparecimento de novas entidades empregadoras através do estímulo ao investimento público, ao investimento externo e à dinamização do mercado interno de forma a que possamos revitalizar o ritmo de aparecimento das PME's; desenvolver uma política de segurança assente na resposta multifacetada dos meios de combate ao crime organizado e da prevenção da exclusão social e da opção por modos de sobrevivência que não revejam na economia paralela as formas mais fáceis de subsistência ou afirmação social; colaborar activamente numa política externa multilateral defensora da coexistência pacífica e da regulação negociada dos conflitos internacionais; facilitar a ascensão social em função do mérito e das competências individuais; defender as liberdades fundamentais dos cidadãos e os Direitos Humanos... Queremos um País Melhor!... um país que não perca mais tempo, retrocedendo socialmente para pontos de partida constantemente repetidos que não alcançam nunca o seu ponto de chegada, isto é, os seus objectivos. Queremos um País Melhor!... um país que prossiga no caminho da paz e da conciliação, que construa as condições indispensáveis para o desenvolvimento sustentado de que pessoas e regiões precisam para poder vencer desvantagens e assimetrias estruturais... Queremos um País com Futuro que se não disperse em reacções estéreis de ressentimento ou vingança que conduzirão à continuidade dos impasses de que tanta dificuldade temos tido em sair... Queremos Viver Melhor!... num país mais justo e fraterno que, em paz, possa vencer a crise e avançar no caminho do progresso consolidado e inequívoco da Democracia!... por isso, sem desvalorizar outras formas de ser e pensar, votamos, convictamente, com a seriedade consciente da partilha de uma responsabilidade social comum, no Partido Socialista, cuja visão do mundo e programa de acção política para gerir o Estado e o País, nos permite sonhar e esboçar um futuro viável... sem demagogias fantasiosas ou omissões equívocas, com transparência e determinação! Por todos nós!
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Som da Esperança...



Thelonius Monk ... Off Minor... de 1963...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vale a Pena...


Estimular o trabalho, o pensamento e a criação é sempre um acto criador e libertador, gratificante para todos, os que são agraciados com os estímulos e os que, de uma ou de outra forma, os partilham. A Nossa Candeia agradece por isso ao O Valor das Ideias e ao Vermelho Côr de Alface por nos distinguirem com o Prémio "Vale a Pena Ficar de Olho Nesse Blog"... Correndo o risco de repetir blogues que gosto de visitar e ler já anteriormente referenciados por este prémio e deixando muitos outros por referir desta vez (ainda bem que há "mais marés que marinheiros"), penso que vale a pena ficar atento aos seguintes:













sábado, 19 de setembro de 2009

Contra a Asfixia Social...

Hoje, em Coimbra, no comício do Partido Socialista, Manuel Alegre confrontou o país com a demagogia inerente ao artifício demagógico de Manuela Ferreira Leite que se tem insurgido contra uma "asfixia democrática" que o olhar da líder do PSD reconhece em Portugal e não vê na acção de Alberto João Jardim... seria ingénuo pensar que o recente slogan de Manuela Ferreira Leite não resultara de um cálculo político elementar que tomara em consideração a presumida desavença de Manuel Alegre em relação ao PS... porque foi Manuel Alegre quem, num outro contexto e em relação a realidades específicas e datadas, evocara um certo "clima de medo" que só uma estratégia partidária de direita, com débeis fundamentos e paupérrimo gosto, poderia pensar em evocar para sua defesa contra a Esquerda... Por isso, foi importante a intervenção de Manuel Alegre que ergueu, poética e forte, a sua voz poderosa contra a manipulação... De forma clarividente, Manuel Alegre foi a Coimbra dizer que Portugal foi grande quando foi universal e não quando esteve "orgulhosamente só" e explicou, de forma clara e oportuna, que a asfixia democrática é, nada mais nada menos, do que a asfixia social a que conduz a pobreza resultante da aplicação de políticas de direita, valorizadoras do liberalismo e redutoras da acção social do Estado. Por isso e porque "quando se esvazia um direito social, estão a enfraquecer-se os direitos políticos", defendeu que "Portugal precisa de um governo de esquerda e a esquerda possível é o Governo PS" contra "a direita dos interesses", enunciando o desafio que se nos coloca nas eleições que se aproximam: "Recusar um Estado mínimo para os pobres e um Estado máximo para os poderosos"... desta intervenção deveria o PSD retirar uma lição: a de que o plágio, nomeadamente descontextualizado, é abusivo e pode fazer com que "o feitiço se volte contra o feiticeiro" pois só o original sabe defender com lisura as suas deduções porque só ele conhece a intencionalidade da sua enunciação... e é à Esquerda, com o Partido Socialista, que, neste momento, se impede a sujeição dos portugueses à anunciada asfixia democrática que tanta experiência de uso tem já na Ilha da Madeira.

(Este post tem publicação simultânea no Simplex e no Público-Eleições 2009)

Jornalistas...

Uma nota breve a propósito da qualidade do jornalismo mediático em Portugal: apesar do argumento sobre a respectiva precariedade laboral, a qualidade do jornalismo em Portugal tem decrescido substancial e perigosamente nos últimos anos... o suficiente para se pensar que, afinal, o 4º poder é muito mais sombrio do que poderiamos supôr e para se colocar a questão da consciência deontológica de muitos dos que detêm a possibilidade de exercer esta actividade que retira à liberdade de expressão e de imprensa a dignidade que um passado de credibilidade e confiança conferiram a estes princípios. Alinhada político-partidariamente ou mercantilmente, informação e opinião surgem misturadas, sem critério distintivo, manipulando descaradamente a opinião pública que deveriam ajudar a formar de modo desinteressado e altruísta... perde-se informação e fomenta-se a desconfiança numa classe que deveria poder considerar-se guardiã das liberdades. Não vou citar nomes dos episódios que recentemente mais chocaram quem exige seriedade à comunicação social (como um profissional com responsabilidades editorais que muito surpreendeu ao fazer a mais descontextualizada e ridícula defesa da intervenção de Manuela Ferreira Leite no debate com José Sócrates ou do tempo de antena televisivo gasto entre pivots e jornalistas com conversas exploradas até ao absurdo sobre explicações vazias de informação para legitimar erros crassos de uma das partes, criando margem para a construção de graves suspeitas sem sustentação)... mas, vou referir, pela sua quase raridade, as leituras e posturas justas e adequadas de profissionais sérios que tive o prazer de ouvir nos últimos dias... refiro-me a Óscar Mascarenhas, Rui Baptista, Mário Bettencourt Resende e Luís Delgado - cujas intervenções têm sido, ao longo da campanha eleitoral em curso, excepções à mediocridade da regra que nos permitem respirar de alívio por ainda termos, no nosso país, pessoas com autonomia de pensamento, capazes de praticar a crítica, com ética e discernimento. Bem-hajam!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Obama pela Paz... contra os Mísseis na Europa!

O programa de mísseis nucleares para a Europa foi interrompido... era uma luta velha, esta, travada entre cidadãos que combatem o desarmamento nuclear em nome da paz e da dissuasão pelo recurso ao medo e ao terrorismo implacável que a ameaça de morte colectiva implica e os que, por xenofobia, só na escalada da guerra se sentem seguros... Estados Unidos e Europa, aliados contra o desarmamento, eis uma causa que, desde a Guerra Fria à Guerra das Estrelas, juntara milhões... contra os milhões gastos em nome de fantasmas, capazes apenas de reproduzir a lógica do terror... A primeira vitória da Humanidade contra o Armamento pertenceu, no século XX, a Mikhail Gorbatchev... agora, já no século XXI, foi Barack Obama quem venceu o impasse... corajosos, Medevedev na Rússia e diversos líderes europeus, aceitaram o ensejo do Presidente norte-americano que desenvolveu intensissimas e discretas negociações para o efeito... por isso, vale a pena dizer que a política ainda é o espaço das causas nobres... sem expectativas de desumanidades perfeccionistas ou falsos moralismos, progressivamente... "Yes, We Can!"... obrigado, Obama!... por todos nós!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Poder e Corrupção...



Desculpem a reprodução em inglês que não resisto em partilhar por ser o que de melhor me ocorre a propósito da correlação entre poder e corrupção... porque há momentos em que só a arte nos serve de catarse, nomeadamente quando chegam ao conhecimento público casos de algumas práticas político-partidárias que se vão desenvolvendo nos bastidores dos que apregoam a verdade para, independentemente dos meios utilizados e gratuitamente, legitimarem a sua persistência obsessiva e sem escrúpulos, na corrida para o poder... porque garantir votos por 30 euros em bairros sociais (ver a notícia ilustrada com vídeos aqui) é uma atitude inqualificável, por analogia, a memória recordou-me a peça "Ricardo III" de William Shakespeare - de que aqui se pode ver um dos excertos de um filme incomparável que conheci na Cinemateca quando era seu Director João Bénard da Costa... uma memória alegórica é certo mas, que adquire sentido no cerne da mensagem de Shakespeare: a ambição cega tudo legitima...

Democracias...



Leonard Cohen... "Democracy".

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Democracias Ibéricas e Desenvolvimento Peninsular


Antes de mais, a Península Ibérica precisa de 2 países independentes, autónomos, cooperantes e amigos... Geoestrategicamente, a União Europeia, também... E Espanha já tem demasiados problemas regionais para poder interessar-se pelo acumular de um problema político que significaria a anexação portuguesa - ainda mais quando as regras da economia contemporânea lhe permitem usufruir do mercado nacional... Por isso, quando se evoca o interesse nacional, convém lembrar os arautos de um passado que não deixa saudades:
Foi em nome do interesse nacional que, em 25 de Abril de 1974, se levantou a voz da Pátria sob a forma de cravos, a despontar, vermelhos, na ponta das espingardas dos soldados que fizeram Abril... contra a Guerra, o isolacionismo e o nacionalismo provinciano e manipulador de medos: o comunismo, a liberdade e a democracia. A democracia portuguesa serviu de inspiração a muitos... a Espanha, por exemplo... é, por isso, profundamente injusta e descabida a invocação de um velho preconceito xenófobo apenas para se propagandear uma mensagem que serve, apenas conjunturalmente, no contexto do calendário da campanha eleitoral, para servir a defesa de uma ideia inútil - porque não construir o TGV não resolve, de modo algum, os problemas da economia portuguesa. "Orgulhosamente, Sós"? Não, Obrigado!

Obama e o Tibete...




Barack Obama desenvolve esforços no sentido de recuperar a autonomia do Tibete contra a hegemonia da China (ler aqui), comprometendo-se com o apoio ao povo Tibetano na protecção da singularidade da sua herança religiosa, linguística e cultural e com a luta pela garantia do respeito pelos seus direitos humanos e liberdades civis. Seria extraordinário que, com a deslocação a Dharamsala para conferenciar com o XIV Dalai-Lama, Tenzin Gyatso, o seu representante assumisse uma agenda efectivamente capaz de alterar a correlação de posturas diplomáticas entre a China e o Tibete, de modo a que fosse devolvido ao povo do Tecto do Mundo o direito de viver e praticar a sua cultura em liberdade... uma causa antiga e justa, símbolo do direito de todos à sua própria identidade!

Entre o TGV e a Comunicação Social...

Ainda nem foi a votos e já despertou uma crise que pode ter impacto internacional... trata-se de Manuela Ferreira Leite, claro! A líder do PSD, escudada num nacionalismo bacoco que pretende justificar-se com custos e benefícios para o país, decidiu investir contra um acordo de Estados, causando perplexidades e declarações públicas do Ministro do Fomento e das autoridades regionais extremenhas de Espanha que deixaram claro não poder vir a confiar num Estado que rompe unilateralmente com os acordos, a palavra e a cooperação. Como se não bastasse, a artificial polémica sobre o TGV (que o PSD defendeu e de que não prescindiria se fosse Governo) implica, no caso da desistência nacional deste investimento no calendário previsto, uma perda de 333 milhões de euros para Portugal... e assim cai por terra mais um dos argumentos da senhora que insiste em querer liderar o Governo de um país que não tem estrutura económico-social para falhar investimentos desta ordem à conta de "gaffes" e irreponsabilidades cujos efeitos nem do ponto de vista político são acautelados. Envergonhados devem também ficar muitos dos jornalistas da "nossa praça" que se têm empenhado, na campanha eleitoral em curso, em construir de Manuela Ferreira Leite uma imagem em tudo contrária ao que a mais simples observação do senso comum constata... enfim... cada um olha e vê o mundo com a côr das lentes que se lhe assemelha conveniente... o que é inegável é que não se vislumbram, entre parte significativa da comunicação social e no maior partido da oposição, efectivos sinais de preocupação com o interesse nacional. É pena!
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

Leituras cruzadas...

Como era aquela oportuna quadra de António Aleixo?....


"O mundo vai mal, dizemos
E vai de mal a pior,
Mas afinal nada fazemos
P'ra que ele seja melhor"
(in "Este Livro que Vos Deixo")


Reflexões que, no actual momento político, deixam em revisão os pequenos interesses... será?... por falta de aviso, não, seguramente já que, dados e sinais estão lançados (como, provavelmente, diria, de novo, Sartre)... restam-nos as decisões... a ler, como sugestões denotadoras de que a perfeição é, apenas, um esforço de aproximação e a imperfeição, humana, ficamos, como sempre, por mais que o relativizemos, com o futuro nas mãos das nossas escolhas... porque, de facto, melhor é possível mas, voltar atrás não é, pelo menos neste contexto e neste momento, a melhor forma de o tentar... e a união do diverso é que faz, no concreto, a força... no caso, a força da razão a que subjaz um sentido de altruísmo responsável e desinteressadamente, convicto.

No Margens de Erro, Pedro Magalhães

No Delito de Opinião, Carlos Barbosa de Oliveira, Pedro Correia e Sérgio de Almeida Correia *

No Politeia, JM Correia Pinto *

No Câmara dos Comuns, Carlos Santos

No Activismo de Sofá, JRV

No Vermelho Côr de Alface, T.Mike

No Simplex, Eduardo Graça

No Crónicas do Rochedo, Carlos Barbosa de Oliveira

No Puxa Palavra, Raimundo Narciso

No Duas ou Três Coisas, Francisco Seixas da Costa

(os dois post assinalados com asterisco, da autoria, respectivamente, de Sérgio de Almeida Correia e de JM Correia Pinto foram integrados hoje, dia 14/09, pelas 16h)

sábado, 12 de setembro de 2009

Refrescar a Memória...

Em 2005, as eleições caracterizaram-se pelo debate sobre o défice da economia portuguesa. Equacionados os programas e os candidatos, os portugueses deram a vitória ao Partido Socialista e José Sócrates assumiu a governação. Nessa altura, exigia-se ao Primeiro-Ministro de Portugal que equilibrasse as contas públicas, a título de condição para o desenvolvimento do país. Apesar de difícil, o desafio cuja vitória nunca foi perspectivada pelos próprios eleitores como garantida, foi vencido a meio da legislatura e os cidadãos quase nem acreditavam que, finalmente, uma tão continuada e ingrata luta, fora vencida. O país respirou de alívio e sorriu, numa auto-representação valorizadora da democracia e da esquerda democrática. É bom não o esquecer! Porque a crise económica internacional que sobreveio depois, faz agora praticamente um ano, não é da responsabilidade do Governo português… e a forma, bem sucedida no contexto internacional, com que o Governo de Sócrates a enfrentou, conseguiu que os dois últimos trimestres do ano fossem positivos e que o país saísse da recessão técnica. Nesta vitória, apenas a França e a Alemanha conseguiram o mesmo resultado que Portugal. E se, apesar do efeito dramático da subida do desemprego e das crises de sustentabilidade das empresas, Portugal escapou ao descalabro espanhol que viu o número de desempregados chegar aos 18%, mantendo no limiar dos 10% (que não chegámos a atingir) e se, apesar de tudo o que no actual Código do Trabalho pode ser criticado, o país conseguiu que o regime de contratação precária fosse reduzido e que o lay-off funcionasse devolvendo a potenciais desempregados o seu local de trabalho, ninguém pode dizer que o Governo se não empenhou até ao limite para re-negociar com os patrões das multinacionais, condições de continuidade no país. Nesta breve caracterização do panorama económico nacional há uma garantia de seriedade e transparência de actuação política que não temos o direito de ignorar!... principalmente quando quem elegeu como seu inimigo o Partido Socialista se caracteriza pelo exercício de uma demagogia, no caso do PSD, marcada pela ambiguidade e a omissão que tudo permitirá ou, no caso do BE, pela discursividade radical e sem qualquer utilidade ou sustentação para um país cuja classe média fica muitíssimo mais perto do empobrecimento, da estagnação e do retrocesso social.
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

O som do tempo...



"Blue Monk" - um tema inesquecível de Thelonius Monk em 1958...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um Debate Transparente...

O debate entre José Sócrates e Francisco Louçã tornou evidente a demagogia gratuita e confrangedora do programa eleitoral do Bloco de Esquerda que, para além de um diagnóstico conhecido de toda a gente e que tem, aliás, servido de base a todas as intervenções políticas e partidárias (do Governo ao PSD, do CDS ao BE, da CDU ao MEP e por aí adiante) e de uma enumeração de medidas também conhecidas dos portugueses desde o PREC, se caracteriza pela incapacidade de explicar os eixos sobre os quais assenta. Vejamos o que propõe, grosso modo, o programa eleitoral do BE através da sua problematização: a) onde vai o Estado encontrar fontes de financiamento para arrecadar receitas que lhe garantam sucesso na gestão das nacionalizações da banca, dos seguros e das empresas energéticas?; b) onde vai o Estado encontrar dinheiro para, além do referido na alínea anterior, suportar a Segurança Social, o Sistema Nacional de Saúde e o Ensino Público?; c) com que receitas pode o Estado, através da Caixa Geral de Depósitos, suportar a importação de créditos mal-parados de, por exemplo, um BPN?... De facto, o Bloco e o seu líder entusiasmaram-se na redacção de um documento sem viabilidade económica ou financeira que não é, de modo algum, uma alternativa política para o país. Por mérito próprio e pela sustentabilidade do programa eleitoral do Partido Socialista, ficou ontem claro, para os eleitores, que José Sócrates representa, de facto, sem aspirações a perfeições que só existem no imaginário e que apenas devem ter como função ser referenciais de acção, um projecto adequado ao estado da economia e da sociedade portuguesa no actual contexto de crise... o projecto da Esquerda possível no Portugal da 1ª década do século XXI.
(Este post tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Demagogia - A Estaca Zero do Desenvolvimento...

Entre o aparentemente tácito apoio de Manuela Ferreira Leite a muitas das generalidades de Francisco Louçã e as recentes descobertas de Paulo Portas no que respeita às PME's (agora referidas 34 vezes no seu programa contra 0-zero referências no anterior programa) e ao papel do Estado no Serviço Nacional de Saúde ou na Segurança Social, fica clara, perante a opinião pública, a extraordinária natureza plástica da demagogia, capaz de, num mesmo facto ou princípio, o reconhecer com tanta legitimidade como ao seu contrário... felizmente, para os eleitores avisados fica a evidência de que confiar em demagogos é, seguramente, negligenciar o sentido do voto e desperdiçar uma oportunidade para contribuir, de forma racional e positiva, para um projecto de governação do país que não pode, sustentadamente, emergir de ressentimentos que reconduziriam os eixos da governação à estaca zero para reeditar interesses corporativos de má-memória que aguardam, a cada esquina, oportunidade para voltar ao poder.

Leituras cruzadas...

Carlos Barbosa de Oliveira e Pedro Correia no Delito de Opinião

João Abel de Freitas no PuxaPalavra

Carlos Santos no O Valor das Ideias

Valupi no Aspirina B

Leonel Moura no Simplex

JM Correia Pinto no Politeia

JRV no Activismo de Sofá

... conclusões: ao cuidado do leitor :)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Liberdades...

A democracia mede-se pelo grau de respeito pelas liberdades fundamentais que radicam no direito de escolha. Escolher é o contrário de ser forçado. Escolher é poder, perante várias alternativas, decidir qual é a que se adequa aos interesses e valores de cada um. O direito de escolha não limita ninguém. A sua impossibilidade condiciona. A ausência do direito de escolha contraria a liberdade, legitimando ditaduras e discriminações. Os cidadãos têm direito de escolher entre casar ou viver em união de facto; têm direito a decidir, perante a sua consciência, divorciar-se ou sujeitar-se à violência de uma relação insatisfatória; têm direito a escolher a pessoa com quem querem viver e a forma como o querem fazer, sem discriminações em função do sexo, da etnia, da orientação sexual, da deficiência ou da religião; têm direito a decidir se querem ou não ter filhos; têm direito de errar e de não ser condenados a viver ou a condenar outrem a viver os efeitos desse erro. Ajudar os cidadãos a ter a liberdade de escolher (o casamento, a união de facto, o aborto, o divórcio, a transmissão dos bens) é uma das funções mais nobres do Estado Democrático. Não o compreender, não o aceitar e não o defender deixa dúvidas sobre o grau de tolerância e de respeito pela dignidade dos seres humanos.
(Este artigo foi publicado hoje, 7 de Setembro de 2009, no jornal Diário Económico)

A alma da música pela mão do artista...



"Liebestraum" de Franz Lizst... numa interpretação ímpar de Lang Lang...

sábado, 5 de setembro de 2009

Sentido de Estado...

Sentido de Estado!... o debate entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa revelou, antes de mais e sem prejuízo da afirmação assumida das respectivas diferenças, sentido de Estado. Registe-se. Faz falta a Portugal a dignidade do debate político. Portugal Primeiro!



(Este post foi publicado no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

Recentrar o Debate nos Problemas Reais do País

A mais recente polémica contra o Partido Socialista foi, mais uma vez, levada a cabo através de acusações ao Governo de José Sócrates, sugerindo e explorando a hipotética ingerência do Estado na Administração de uma empresa... seria mais um ataque grosseiro, daqueles que configuram a habitual falta de ética e de ponderação, não fosse tratar-se de uma empresa de comunicação social com dimensão nacional, mais ainda, caracterizada pelo protagonismo de Manuela Moura Guedes que, em nome do jornalismo, promove a divulgação de factos e associações de ideias sem comprovação prévia, assentes em especulações que não atendem sequer ao princípio da presunção de inocência, dando voz à sua opinião num espaço que, em horário nobre, se anuncia e apresenta como espaço informativo. Uma alteração na grelha informativa que anuncia pretender homogeneizar a linha editorial da edição dos serviços informativos da hora de jantar, levou ao afastamento da jornalista que protagonizava o programa que ocupava esse horário às 6ªs feiras. O caso, levado a extremos que nele viram a intervenção ibérica de um poder supra-nacional, a interferência político-partidária dos socialistas luso-espanhóis e, como tentou dizer Mário Crespo a Azeredo Lopes, um reflexo da propalada "asfixia democrática" enunciada pela líder do PSD (sem sucesso, diga-se em abono da verdade, porque Azeredo Lopes se recusou a comentar uma expressão utilizada em campanha por um partido político), talvez se resuma ao que bem sintetizou, com a habitual clarividência, Óscar Mascarenhas, que nele vislumbrou o possível "braço-de-ferro" entre Manuela Moura Guedes e o Conselho de Administração da TVI... porque, como bem lembrou o reputado jornalista e académico, reconhecido pelo seu trabalho sobre ética e deontologia, Óscar Mascarenhas, a jornalista pertencia ao núcleo de confiança dessa Administração e não é suposto vir chamar "estúpidos" aos que a pretendiam retirar do "ecrã" se não existisse um precedente conflitual em que Moura Guedes perdeu um grande aliado, a saber, o seu próprio marido... Não permitir que a dimensão política se reduza a questões domésticas e de gestão empresarial é um sinal de maturidade democrática... importante e urgente, particularmente em períodos pré-eleitorais... por isso, esperemos que os partidos e os comentadores saibam distinguir, com discernimento e distanciamento, o trigo do joio e não se deixem tentar até à exaustão pelo sensacionalismo gratuito e especulativo... em detrimento do debate político nacional.
(Este texto foi também publicado no Público-Eleições 2009 e Simplex)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Infantilismo social...

Quando se pensa na relação entre a ética e a política, surgem, muitas vezes, enredos conceptuais e discursivos que desvirtuam a análise e confundem leitores ou ouvintes... aconteceu há dias com a referência, extemporânea e sem rigor, de Paulo Rangel a Maquiavel... o facto concorre, apesar do recurso à evocação de figuras históricas, para uma ilusória retórica que pretende reflectir seriedade sem, no entanto, ser mais do que o pouco inocente reforço de um injusto equívoco de que a demagogia se serve, manipulando a opinião pública como se o eleitorado se conformasse com uma espécie de infantilismo social... a este propósito, Fernando Cardoso escreveu no Ayappa Express, um texto que vale a pena ler e que se intitula "A Mãe"...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Belle nuit...



... de Offenbach, em "Tales of Hoffman"... num dueto de Berganza e Caballe...

domingo, 30 de agosto de 2009

A galinha dos ovos de ouro...

Impressiona a facilidade com que o BE recorre à mais gratuita demagogia, lembrando os que, identificados com a direita mais populista, acenam bandeiras de facilitismo ilusionista... refiro-me a uma das medidas que o Bloco propagandeia, alto e bom som, como se fosse uma medida mágica de resolução de um dos problemas estruturais da sociedade portuguesa: taxar as fortunas como forma de angariar dinheiro para aumentar as pensões e sustentar a Segurança Social... Sejamos objectivos!... Se é justo, como aliás o defende também o PS, proceder a um cálculo mais justo dos impostos em função dos rendimentos, não podemos sequer imaginar que, nesse procedimento reside, a solução para o problema! Porque os ditos "ricos" não são a galinha dos ovos de ouro dos portugueses! Não, não são! E só o pode imaginar quem não conhece o país onde vive e ignora o cenário concreto da dimensão económico-financeira que o sustenta! Somos um país pequeno e pobre... negá-lo é ser incapaz de enfrentar a realidade e, consequentemente, não estar em condições de criar propostas que lhe sejam adequadas. Quantos ricos temos? Quão ricos são? Por quanto tempo o serão? ... responder a estas três perguntas permite-nos ter a noção exacta do irrealismo da proposta do Bloco... porque alguém duvida que, a aplicar-se uma tal medida à sociedade portuguesa, os potenciais contribuintes deslocariam o seu património para onde a sua penalização não fosse o bode expiatório de uma sociedade cujo problema é, antes de mais, o do emprego e da revitalização do aparelho produtivo? ... O pior que se encontra nos arautos da virtude é levarem tão longe a sua demagogia, ao ponto do seu horizonte ser um espaço que não corresponde a território algum... na verdade, adoptar levianamente uma tal medida apenas contribuiria para, algures, num qualquer paraíso fiscal, fazer crescer as off-shores...

(Este texto tem publicação simultânea nos blogues: Público-Eleições 2009 e Simplex)

Leituras cruzadas...

Uma panorâmica sobre o estado da arte no que à campanha eleitoral diz respeito, merece a atenção do "Leituras Cruzadas" de hoje... sem grandes comentários porque se torna uma evidência: o que é comum às forças partidárias candidatas às próximas eleições legislativas não é a apresentação de programas políticos para o país mas, apenas, o acesso ao poder pelo qual estão dispostos a tudo... assim, infelizmente, não se trata de lutar pelo país mas, apenas, de combater a qualquer preço, sem discernimento,bom senso, justeza ou altruísmo democrático, o PS... é pena! Fica o país a perder e, se não houver contenção racional e se persistirem no extremismo radical, ficarão também a perder muito mais do que querem reconhecer, todos os democratas... porque os que agora arriscam tudo contra o Governo concorrem para que aceda ao poder quem defende a limitação das liberdades individuais, a extinção do PCP, o mercado sem regras, a privatização da Segurança Social, da Saúde e da Educação, etc., etc., etc. ... sugiro, por isso, agora, a leitura de alguns breves testemunhos críticos, inteligentes, interessantes e importantes:


Paulo Gorjão: "Uma Dúvida"




Valupi: "Delenda Cavaco"


Leonel Moura: "A Grande Ilusão"




sábado, 29 de agosto de 2009

Neo-liberalismo? Não, obrigado!

O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. Pina Moura veio assumir o que já de há muito se percebera estar presente nas escolhas subjacentes ao seu percurso profissional. Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro que ignora e minimiza, nas suas prioridades, o domínio social em que se move o mundo real dos cidadãos dolorosamente marcado pelo desemprego e o empobrecimento da qualidade da vida, o testemunho de Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. O programa do PSD é, para além da ambiguidade vaga de uma demagogia populista e insidiosa, um apelo ao ressuscitar de receitas gastas e prejudiciais ao recuperar de uma economia que só com um planeamento tranquilo e coordenado pode consolidar a tímida convalescença que se anuncia.
(este texto tem publicação simultânea no Público-Eleições 2009 e no Simplex)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Globalização e Solidariedade...



A globalização implica, no que à circulação da informação respeita e a título de responsabilidade cívica, a solidariedade... porque sempre que um Homem Bom é perseguido pelas suas ideias e pelas suas crenças é preciso que alguém relembre a todos que, qualquer que seja o local ou o contexto, é sempre um pouco de nós que está a ser injustamente punido... quando se defende que o nosso país é o planeta e que o nosso povo é a Humanidade e quando estes princípios são o fundamento justificativo para a perseguição, sabemos que a História Humana está ainda em construção e que é necessário dar visibilidade à injustiça de modo a criar condições para a emergência da esperança, princípio activo da mudança... e do muito que sabemos existir e do muito mais que nem sabemos, cabe-nos dar nota e apelar à luta universal pelo direito ao exercício dos Direitos Humanos... desta vez, a chamada de atenção vai para a perseguição aos Seguidores da Fé Bahaí no Irão!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Igualdades...

Factores estruturais da dimensão política, as representações culturais interferem decisivamente no investimento pessoal e colectivo, características inerentes à participação activa na sociedade. De facto, instâncias como a auto-estima e a auto-representação sustentam o desenvolvimento das competências de adesão à mudança, reforçando a confiança indispensável às escolhas assertivas implícitas na inovação e na criatividade. Num país onde a hierarquização social marca ainda de forma significativa, os comportamentos ao nível dos valores e das práticas - e cujo panorama económico se caracteriza pelo desemprego e a competitividade -, requerem condições de exercício da cidadania, sem as quais a mudança não progride e o país não avança. Este trabalho, quase sempre ausente da agenda política, foi, contudo, perspectivado como prioritário e protagonizado de forma sistémica pelo actual governo socialista, liderado por José Sócrates.

O investimento nas políticas para a igualdade constituiu-se, ao longo desta legislatura, como instrumento estratégico determinante para o trilhar de um caminho que não admite retrocessos; não só porque a Igualdade de Oportunidades para Todos é um lema essencial à preservação e ao aperfeiçoamento da democracia contemporânea, mas também porque significa a luta activa contra a discriminação, os preconceitos e os estereótipos - preceitos dos quais depende, em grande parte, a segurança e a coexistência pacífica dos cidadãos.

A produção legislativa e a intensidade das campanhas nestas áreas decisivas para a construção de uma cidadania activa alcançaram um impacto social que colocou os portugueses na vanguarda da União Europeia no que respeita à defesa dos valores e à adopção dos princípios democráticos – condição que, em última análise, nos aproxima da capacidade de adaptação à mobilidade e à flexibilidade sociais que caracterizam a sociedade contemporânea. Referimo-nos, em concreto, à luta contra o tráfico de seres humanos, à violência doméstica e à violência de género; à defesa e protecção das vítimas de maus-tratos e à prevenção e assistência de práticas discriminatórias em função da deficiência, da idade, da etnia, da orientação sexual, da religião e do sexo.

A Igualdade de Oportunidades para Todos e a Valorização da Diversidade são os princípios que nos garantem o futuro, razão pela qual neles investiu o Governo socialista, que anuncia a sua continuidade em áreas como a educação, as empresas e o acesso ao mercado de trabalho. Um trabalho indispensável a um Estado que trabalha, acima de tudo, para as pessoas e que apenas o Partido Socialista tem condições para consolidar.
(Artigo publicado hoje no Diário Económico)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Complexo do Paraíso...



... segundo Manu Chao...

Da Cultura e da Política Cultural...

Em Portugal escreve-se pouco sobre Cultura... o facto é, de certo modo, sintomático relativamente ao reconhecimento social que a sociedade tem desta dimensão da vida colectiva, perspectivada desadequadamente pelo senso comum, como entretenimento gratuito popular ou de elite... por isso, não surpreende que a intervenção política não integre, regra geral, a política cultural entre as suas prioridades... a constatação corrobora a ideia de um empobrecimento democrático na exacta medida em que o desinvestimento cultural denota quase sempre a dimensão de uma crise socio-económica latente e potencialmente expansiva... contudo, ontem, no Diário Económico, Rui Herbon escreveu um texto sobre o assunto que merece a nossa atenção e que reflecte o sentir e o pensar de muitos dos que se preocupam com a matéria...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ruralidade - um recurso estratégico para o futuro...


"(...) Hoje, o problema que se coloca é o de saber que apoios financeiros estão as instituições, comunitárias e nacionais, dispostas a investir e a dedicar ao mundo rural… porque, infelizmente, a tendência contemporânea na ideologia da modernidade é, ainda, a de privilegiar o crescimento das cidades apesar da consciência do risco das assimetrias de desenvolvimento, da concentração populacional e do empobrecimento. A História explica a emergência das grandes metrópoles, resultantes da crença de que a concentração territorial dos sectores secundário e terciário, pela redução de custos na distribuição dos produtos e no recrutamento da mão-de-obra, bastariam para a criação da riqueza; porém, a actualidade demonstrou a fragilidade e insuficiência deste modelo, denotando a urgência do investimento no sector primário revitalizado e a desconcentração do investimento industrial. Em causa está a capacidade de privilegiar as condições de vida das pessoas e de promover o equilíbrio do desenvolvimento… e só depois de resolvido este dilema da modernidade e de concretizada politicamente esta opção, poderemos aspirar a que os apoios financeiros, nacionais e comunitários, sejam dirigidos em quantidade e qualidade, para o mundo rural. Nessa altura, se ainda existirem, os fundos comunitários direccionados para o desenvolvimento rural e regional, poderão então ser geriso pelas comunidades, organizações e instituições vocacionadas para o efeito e devidamente integradas no território… até lá, o que, feitas as contas, se destinar ao mundo rural, continuará a ser gerido pelas cidades que continuarão a olhar para a ruralidade como um espaço de lazer e não como um espaço para viver… é a perspectiva “dos outros” sobre “os outros”… uma perspectiva perfeitamente desadequada ao mundo rural que precisa de ser pensado como um espaço “nosso” e “para nós”… A mudança de perspectiva precisa, por tudo isto, de ser estudada e repetida à exaustão… criar condições para o efeito é um passo essencial para o processo de desenvolvimento que implica a capacidade de canalizar verbas para o investimento local e regional… conquistar o reconhecimento do valor do mundo rural é hoje uma Causa da sociedade contemporânea… uma Causa que justifica todos os esforços e o esforço de todos… por todos nós!"


(Conclusão do artigo que publiquei no trimestre em curso na Revista "Viver")

domingo, 23 de agosto de 2009

Barreiras Ideológicas e Culturais...


"(...) Apesar da reduzida visibilidade pública que a comunicação social lhe permite, o mundo rural europeu é ainda a maior parte do nosso comum território continental e as suas populações defrontam-se com os mesmos problemas que reconhecemos no nosso próprio território: a desertificação, o desemprego, as migrações, a falta de capacidade de fixação populacional, a estagnação sócio-económica e a depressão social… e desta realidade partilhada consta um facto de importância crucial que paira, como uma ameaça e uma esperança, sobre todos nós: o apoio financeiro ao investimento em meio rural…. ou melhor, a sua falta, a sua escassez, a sua ausência. A actual crise económico-financeira, agravada de forma drástica no último ano, ao ponto de se verificarem sérias rupturas no sistema bancário com efeitos cuja extensão ainda não podemos ter a aleivosia de conhecer, fez emergir, por todo o planeta, os “fantasmas” que atormentam populações, famílias, cidadãos, empresários e políticos: o acesso aos bens alimentares, o aprovisionamento, a pobreza, os conflitos e a fome. Em causa ficaram algumas das mais básicas dimensões da sociedade contemporânea, dadas por adquiridas nas últimas décadas do século XX, designadamente, as vantagens da interdependência e da livre circulação de bens e mercadorias, num mercado que não tem capacidade para se auto-regular a não ser em cenários óptimos, teóricos e abstractos. Coloca-se por isso, agora, à dimensão política da gestão nacional de todos os países e da própria União Europeia (para já não falar no plano internacional), o problema da auto-suficiência e da garantia de uma economia de subsistência, em cenário de crise… um problema que reedita a questão ideológica da valorização do mercado livre e da planificação económica que nos obriga a constatar, com gravidade, a questão das condições de vida no mundo urbano e que se assume com particular seriedade no que se refere ao mundo rural, abandonado há décadas pelo forte investimento público ao nível do aparelho produtivo e das condições de empregabilidade.(...)".

(Excerto do artigo que publiquei no trimestre em curso na Revista "Viver", ed.Adraces)

sábado, 22 de agosto de 2009

Entre a Realidade Virtual e a Europa Rural...



"A Europa não é um conjunto de cidades que vemos na televisão, aquelas para onde se viaja em férias ou em trabalho, os paraísos do desenvolvimento, da riqueza, das luzes e da tecnologia. Encontram-se na Europa, é certo, muitas cidades, belas cidades, cheias de História, cultura, comércio, arquitectura e tecnologia de ponta mas, a Europa é um território muito mais vasto e diverso do que esse mosaico de fantasia a que comunicação e política nos conduzem em imagens e representações. Não! De facto, a Europa é como todo o planeta e o nosso pequeno país, um espaço imenso, rural, empobrecido e, cada vez mais, abandonado.

Estamos hoje, sem disso nos darmos conta, a pagar o preço de um dos riscos da sociedade da informação, mediática e global que construímos. Estamos hoje, mais uma vez, deslumbrados como vem acontecendo a uma velocidade vertiginosa desde meados do século XX, com redes sociais e meios de comunicação que nos fazem esquecer a realidade e nos iludem com uma proximidade que nos afasta do mundo concreto em que vivemos. Uma espécie de realidade virtual tomou conta do nosso imaginário invadido de informação e opinião vinda de todo o mundo e acessível de múltiplas formas… e a proximidade ilusória desta rede globalizada de comunicação afastou-nos de nós e da terra que habitamos.
(...)"



(Excerto da 1ª parte do meu artigo publicado no trimestre em curso na Revista "Viver", ed.Adraces)

Bons Vícios...


O Sustentabilidade É Acção agraciou-nos com o delicioso selo "O Seu Blog É Viciante" (prémio que nos foi também gratificante receber posteriormente por gentileza do Crónicas do Rochedo)... A Nossa Candeia agradece, feliz, a distinção que retribui - ainda que de modo informal para não repetir os nomeados já que outros o mereceriam, designadamente, A Escada de Penrose...
O Prémio "Seu Blog É Viciante" resulta na comunhão de 3 princípios que são um compromisso:

a) Contribuir para divulgar a defesa do ambiente e do equilíbrio do nosso planeta;
b) Contribuir para a consciencialização da necessidade de uma Humanidade mais justa;
c) Melhorar a qualidade deste blogue;
Além disso, o Prémio remete-nos para o alargamento desta Causa pelo que se segue a indicação de mais 10 blogues que merecem a condecoração:











Leituras cruzadas...

Em tempo de campanha eleitoral, quando os candidatos ainda exercitam o tom do discurso para aferir as escolhas que irão materializar as linhas estratégicas das intervenções públicas, medidas e pensadas ao milímetro para bem explorar o impacto mediático, é difícil resistir ao que o país nos vai revelando, numa evidência clara dos interesses (quase sempre subliminares, sob a égide da demagogia), dos princípios (ou melhor, da sua ausência) e das propostas (por um lado, dissimuladas, à direita, na hipocrisia de uma revolta que saliva na vontade de aceder ao poder e, por outro lado, protegidas, à esquerda, pela desresponsabilização da governação)... vale por isso a pena ler a excelente síntese de Valupi no Aspirina B sobre o protagonismo de Manuela Ferreira Leite sobre quem também se pronuncia de forma sistémica José Reis Santos no Simplex. De facto, num contexto em que o pensamento de alguma esquerda se envolve em difusos considerandos como os que justificam as palavras de João Tunes no Água Lisa e considerando a inqualificável e vergonhosa postura protagonizada num artigo publicado no jornal "Avante" que mais não faz do que revelar até que ponto se pode recorrer à mesquinhez quando está em causa o poder (no caso, a Câmara de Almada) mas ao qual Paulo Pedroso reage no Banco Corrido com sangue-frio e dignidade, somos remetidos para a racionalidade que Osvaldo Castro nos propõe no texto "Manter o Rumo... é recusar a ideia coligatória".

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sem conteúdo...

A entrevista de Manuela Ferreira Leite, ontem, à RTP 1, repetiu o padrão a que a líder do PSD quer condicionar o país, como se os eleitores fossem espectadores de um filme de "suspense"... esquece-se que os filmes de "suspense" dependem de boas interpretações e bons argumentos... como não é o caso, suspeito que o filme representará um "fracasso de bilheteira". Para além de um arrazoado de repetições do género "já disse que..." a líder do PSD evocou, um pouco a despropósito, a natureza da democracia para justificar as audições dos assessores de Cavaco Silva ao longo do processo de recolha de contributos para a elaboração do programa do PSD sem sequer se preocupar com a ética deontológica e política ou a separação de competências e funções que, no caso, seria mais do que indispensável para garantir publicamente a imparcialidade do PR no que se refere ao envolvimento na campanha eleitoral (uma vez que não é suposto pessoas de quem está profissionalmente muito próximo não repetirem os seus pareceres e opiniões)... Numa estranha alegação, classificou como "vitimização" as intervenções do Primeiro-Ministro, deixando os espectadores a Justificar completamentetentar perceber ao que se referiria já que ninguém reconhece nas intervenções de José Sócrates uma tal atitude na forma como tem comentado as questões que lhe são colocadas... finalmente, Manuela Ferreira Leite veio falar do "medo de escutas" suscitando mais uma série de suspeitas e fantasmas que, do ponto de vista político, reitera que toda a sua argumentação se resume a evocações vagas e ambíguas, representativas de um pensamento e de uma estratégia que se esgota na mais vulgar demagogia que culminou com o "agitar de cenoura" da conversa estereotipada em tempo de eleições sobre o não aumento de impostos e a eventual baixa de alguns... de facto, Manuela Ferreira Leite não é notícia simplesmente porque nada tem para dizer aos portugueses!
(também sobre o assunto: A Imagem no Público-Eleições 2009 e A Entrevista no SimpleX)