sexta-feira, 11 de junho de 2010

Da Flexibilidade Laboral à Economia Nacional...

Há dias, no habitual frente-a-frente que o Jornal da Noite da SIC-N apresenta sob a tutela de Mário Crespo, Miguel Relvas demonstrou claramente que a posição defendida pela nova direcção do PSD face às questões do desemprego, do crescimento económico e da criação de emprego nada acrescentam ou alteram relativamente ao que a Dra.Manuela Ferreira Leite defendeu. Furioso com as observações avisadas sobre o problema que Bernardino Soares lhe ia colocando, no exercício de um contraditório que a realidade sustenta, Miguel Relvas defendeu mais alterações ao código laboral, afirmando sem reservas a velha solução liberal assente no legitimar de maior flexibilidade e maior mobilidade. Sem resposta aos argumentos do seu intrlocutor que lhe chamava a atenção para o efectivo significado da chamada "flexibilização" no contexto de uma economia sem postos de trabalho, a pretexto de uma pretensa mobilidade profissional inútil e ineficaz que decorre do défice de empregos disponíveis, para além da teimosia cega e surda de quem não tem um pensamento inovador, crítico e criativo sobre a matéria, Miguel Relvas acabou por ver as suas afirmações reduzidas "ad absurdum" na sequência dessa persistência lógica imune à verdade dos factos, na feliz dedução aristotélica de Bernardino Soares que acabou por extrapolar da argumentação do seu interlocutor sobre a vantagem de uma completa precariedade laboral ao desemprego, a seguinte afirmação: "(...) pois... também é preferível o desemprego à escravatura(...)", acrescentando: "(...) isso é política de terra queimada(...)". A demagogia grosseira e insensível das medidas propostas pelo PSD tem aliás eco numa crítica alargada que, entre outros, Manuel Alegre fez a propósito do discurso do Presidente da República que irresponsavelmente e sem sentido de Estado, resolveu declarar que a situação do país é "insustentável"! Não só porque, por um lado, o próprio FMI considerou inviáveis as políticas praticadas pela União Europeia (ler AQUI) em cujo contexto foi defendida e levada à prática a evocada flexibilidade, como, por outro lado, tal como refere Paulo Pedroso no Banco Corrido, o nosso país é o que, segundo a OCDE, maior flexibilidade adoptou nas últimas décadas... Entre oPSD e o discurso de Cavaco Silva no 10 de Junho, a sintonia é total mas, obviamente!, contrária aos interesses da economia portuguesa e das condições de vida dos portugueses! Moral da história: a situação é, ainda, por tudo isto, de estagnação e o melhor que o maior partido da oposição nos oferece, no meio das dificuldades com que nos defrontamos, é uma proposta de agravamento dessas dificuldades! Estamos, de novo, esclarecidos!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Luzes da Ribalta



... com um abraço sincero, agradecido e sentido, a todos os amigos, comentadores, seguidores e outros leitores.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Da Responsabilidade da Educação e da Irresponsabilidade dos Jornais

O texto que se segue, foi publicado por mim, hoje, com base na notícia do jornal Público de ontem, dia 8, para a qual fiz link no post que aqui publiquei ontem. Hoje, dia 9, depois da publicação do presente post, fui alertada para a incompletude e incorrecção da notícia que propiciou o meu "erro de paralaxe" na interpretação da mesma, pela Joana Lopes do Brumas da Memória (leia-se o seu comentário na caixa abaixo). Posteriormente, verifiquei no Jornal de Notícias (ler AQUI) a informação que descreve o que, de facto, vai ocorrer em Aveiro. Ponderei a retirada deste post mas, com um pedido para a vossa melhor compreensão pelo lamentável equívoco que lhe deu origem, mantenho-o a título de exemplificação ilustrada da importância que a comunicação social pode significar para a justeza, objectividade, erros e equívocos em que induz a formação da opinião pública - até porque, sendo uma polémica que se prolonga desde Maio, nada justifica que o Público tenha publicado ontem uma notícia tão evasiva. Finalmente, refira-se que os esclarecimentos que, hoje, foram claramente explicitados designadamente pelo Jornal de Notícias deveriam ter sido publicados em tempo útil para evitar estes episódios desagradáveis... Alterado fica, a partir deste momento, para que o post seja lido nos termos que o justificam, o título do mesmo.
O olhar, seja visual ou intelectual, incorre, por vezes, em erros que, na Física, se designam por "erros de paralaxe". Perdoem-me por isso alguns amigos por quem nutro elevada consideração e de quem gosto (ver aqui, aqui, aqui e aqui), as observações que, neste apontamento, teço, desinteressadamente e de boa-fé, ainda a propósito do desfile escolar de 1200 crianças do pré-escolar e do 1º ciclo, fardadas à imagem da Mocidade Portuguesa que, hoje, decorre em Aveiro e sobre o qual ontem aqui escrevi. Compreendo que alguns livres-pensadores cedam à tentação de considerar que a evocação da memória histórica é, sempre e independentemente do contexto em que decorre, válida "per si", sem que lhes ocorra que a interpretação dos seus protagonistas possa divergir de forma radical da que presumem, em abstracto, poder resultar de tal evocação. Vejamos: crianças em idade pré-escolar e nos primeiros anos da sua escolaridade não podem, por natureza do estádio de desenvolvimento cognitivo possibilitado pelos escalões etários que integram, perspectivar criticamente o desempenho simbólico de evocações históricas complexas como as que são inerentes aos fundamentos organizacionais da Mocidade Portuguesa. Além disso, um desfile de 1200 crianças não é uma peça de teatro designadamente porque, por um lado, não tem texto orientador e esclarecedor da mensagem significada pela reprodução formal e imagética que o simples desfilar no espaço público materializa e porque, por outro lado, o desfile não decorre num contexto cénico elucidativo do sentido que o justifica. Acrescem a estes dados, dois outros que considero não deverem ser minimizados. Refiro-me, em primeiro lugar, ao próprio imaginário de tão pequenas crianças (porque não estamos a falar de pessoas adolescentes ou jovens que possam integrar a representação no estudo da História política do país e/ou da Europa) que, mimetizando uma manifestação de massas, estão mais vocacionados para apreciar o efeito social que causam no espaço público da cidade, fardados e integrados/protegidos pelo anonimato colectivo de um imenso grupo que se impõe pela homogeneidade de comportamentos e se constitui como motivo de regozijo. Desta auto-representação do desempenho infantil podem aliás resultar, ao contrário do que alguns adultos supõem, sérios contributos para a configuração de juízos de autoridade moral e de imposição de práticas, legitimados pela tutela dos adultos - questão que não é negligenciável em sociedades que se defrontam com crises problemáticas de autoridade inter-geracional e com a emergência de fenómenos de violência que vão do bullying a determinadas manifestações de grupo como algumas claques desportivas ou como expressão política de revoltas juvenis. Em segundo lugar, chamo a atenção para a formação de professores e para os quadros conceptuais do ensino que, nos nossos dias, caracterizam a instituição escolar a qual, agrade ou não às famílias, aos cidadãos, aos políticos ou aos profissionais, se defronta com problemas endógenos muito mais sérios, do ponto de vista científico e didáctico-pedagógico, do que todos gostariamos. De facto, quem conhece o mundo escolar dos nossos dias, com todas as suas preocupações e com as efectivas condições científico-pedagógicas em que se desenvolve o seu trabalho, sabe que uma decisão desta natureza (optar por um desfile da Mocidade Portuguesa cuja saudação -relembre-se!- reproduz a saudação nazi!!!) decorre muito mais de uma visão lúdica de entretenimento que recorre a uma memória histórica de fácil reprodução, poucos custos e alto grau de mediatização, do que de preocupações de não branqueamento da História. A análise profunda do que este evento significa pode e deve ir muito mais longe do que o simples enunciado de questões que aqui afloro mas, para já, fico por aqui, lembrando apenas que a peça central do processo educativo são as crianças e não os adultos, pais, familiares, professores ou outros; por isso, as preocupações pedagógicas na administração do conhecimento requerem elevado sentido de responsabilidade social e não podem estar sujeitas a brincadeiras de adultos que manipulam, de forma pouco conscienciosa a própria História, sem a exigível seriedade implicada pelo apoio permanentemente consciente, indispensável ao desenvolvimento socio-cognitivo das crianças.
(O parágrafo inicial deste post foi redigido posteriormente à sua publicação inicial)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Andam a querer educar a Mocidade????




Fiquei incrédula perante uma notícia que, entre outros, o Arrastão e o Crónicas do Rochedo, divulgaram e comentaram. Encontrei-a Aqui. Não compreendo!... mais: além de não compreender, tenho dificuldade em aceitar! A decisão de um agrupamento de escolas de Aveiro em vestir 1200 crianças, frequentadoras de 4 jardins-de-infância e de 5 escolas do 1º Ciclo, com roupas que simulam a indumentária da Mocidade Portuguesa é, além de contrária ao espírito da escola republicana, anti-pedagógica no contexto de uma escola democrática que deveria desenvolver as competências cívicas dos mais novos. De facto, entre tantos episódios que caracterizaram a vida pública e a comunidade escolar ao longo dos últimos 100 anos, é, no mínimo, caricata, a opção por esta ilustração histórica claramente associada ao espírito da obediência acrítica, próprio das ditaduras e de uma ordem de pendor militarizado que, em tudo, contraria o que hoje reconhecemos como válido para o desenvolvimento cognitivo e socio-intelectual das crianças. Porquê? Com que significado? Com que objectivos? - eis as questões que se nos colocam... de qualquer modo, deixo a sugestão: para se inspirarem comecem, por favor, por ler "Liberdade sem Medo" de A.S.Neill, publicado em 1963 e ainda hoje, obra-prima da pedagogia internacional... porque, por favor!, o papel dos adultos é acompanhar o crescimento dos mais jovens!

Contra a Injustiça...


O nosso amigo Rogério Pereira disponibilizou no seu Conversa Avinagrada o Selo "Avinagrar a (In)Justiça" que muito nos honra, não só por sermos considerardos dignos de o receber mas, também, por contribuirmos para a sua divulgação... Obrigado, Rogério! Faremos por o merecer!

domingo, 6 de junho de 2010

Da insustentável leveza política do Dr. Fernando Nobre


Hoje, na TVI, li, por várias vezes, em nota de rodapé, a referência à prioridade que Fernando Nobre diz pretender dar à agricultura, posteriormente referida como um dos seus 10 "desígnios". Para além de vir a ser interessante perceber como pensa uma sua hipotética forma de intervenção na matéria, considerando que a função governativa não integra as competências da Presidência da República, quero apenas, nestas linhas, chamar a atenção para algumas das afirmações deste candidato presidencial na entrevista que, hoje, foi publicada no Diário de Notícias e sobre a qual me limito, previamente, a assinalar o seu enunciar de lugares-comuns destituídos de uma evidente reflexão sustentada e a recorrente tendência para evocar a sua experiência como Presidente da AMI (a que, note-se, a certo passo designa como "a minha instituição"!!! e a qual, diga-se a "talhe de foice", seria interessante conhecer melhor em termos da negociação de meios que a tem viabilizado, nomeadamente porque a acção humanitária envolve dimensões muito mais complexas do que o simples voluntarismo na prestação de cuidados a populações atingidas pela guerra, a doença ou a pobreza extrema). A minha chamada de atenção decorre da sua referência à questão de Olivença de que, incorrecta e bizarramente!, afirma e reafirma: "o problema de Olivença é simultâneo em termos históricos com o problema de Gibraltar, por volta de 1808"!!! Que me desculpem os seus apoiantes mas, de facto, o Dr. Fernando Nobre não denota uma atitude séria relativamente aos problemas sobre os quais se pronuncia, revelando antes uma ânsia desesperada por alcançar nichos de mercados que, aliás, revela não estar preparado para defender. Senão, vejamos: por um lado, evocando que Espanha protesta sempre que um navio de guerra pára em Gibraltar e que Portugal não o faz, F. Nobre obriga-nos a perguntar sobre que tipo de protesto deverá Portugal fazer se em Olivença não passam barcos de guerra ou quejandos que justifiquem o paralelismo da comparação; por outro lado, depois de propôr a eliminação do território oliventino do mapa português, Fernando Nobre recorre a uma pseudo-proposta de "liberdade de movimentação total" que, diga-se em abono da verdade, é o que já, há muito!, se verifica na região, não apenas pelas relações amigáveis entre as populações e as autoridades locais mas, também, por força de lei que, no caso, decorre da eliminação das fronteiras no interior do espaço comunitário europeu que limita a mobilidade dos cidadãos da União Europeia aos territórios exteriores ao designado "Espaço Schengen" (ver aqui)... Finalmente, para perceber a diferença entre os problemas de Gibraltar e de Olivença, o Dr. Fernando Nobre poderia, pelo menos, ter lido o que diz essa enciclopédia generalista de tão fácil acesso que é a Wikipédia, onde claramente se diz que Gibraltar (ver aqui) foi cedido à Grã-Bretanha no século XVIII, em 1713, no contexto do Tratado de Utrecht (ver aqui) como parte do pagamento devido na sequência da Guerra da Sucessão Espanhola (ver aqui)... depois, na mesma enciclopédia de acesso universal através de uma simples consulta na internet, o Dr. Fernando Nobre poderia informar-se sobre a questão de Olivença (ver aqui) e constatar que, neste caso, o problema deflagrou quase um século depois, no contexto do episódio histórico que atingiu a Península Ibérica conhecido por Invasões Francesas que, em Portugal, se inicou em 1801 com a chamada Guerra das Laranjas (ler aqui). Só a título de esclarecimento registe-se que a ocupação de Olivença decorreu do chamado Tratado de Badajoz (ver aqui), assinado exactamente em 1801 e denunciado por Portugal em 1808, em termos reconhecidos internacionalmente como válidos no que ao Direito Internacional respeita, no Tratado de Viena de 1815 (ver aqui) que a própria Espanha assinou em 1817. E pronto!... mais não digo - até porque os argumentos que podem sustentar algum paralelismo entre as questões oliventina e gibraltina, requerem indicação bibliográfica específica que não vem ao caso citar, uma vez que a postura do Dr. Fernando Nobre sobre o problema o não justifica... ou não o teria evocado com a ligeireza érronea, infantil e demagógica com que o foi.

Esplendor na Relva...

Ontem, 5 de Junho, foi Dia Mundial do Ambiente. Instituído em 5 de Junho de 1972 pela Assembleia-Geral das Nações Unidas no âmbito da Conferência de Estocolmo, é celebrado anualmente há 38 anos, ao longo dos quais, lenta mas progressivamente, as causas ambientais adquiriram visibilidade e justificaram a ainda mais lenta adopção de medidas políticas ambientais que, tal como o demonstra a trágica maré negra que se prolonga há cerca de 2 meses e que poderá prolongar-se até Agosto (ler AQUI), ameaça a vida em muito mais do que somos capazes de supôr e assumir. Por isso, celebrámos aqui o Dia Mundial do Ambiente fazendo silêncio sobre o tema... e hoje, pela dôr que nos fica de ver a evidência de uma morte penosa atingir a vida marítima e marinha e os seus negros traços sob a forma de consequências na vida humana, evito ainda as imagens e deixo apenas uma evocação que encontra pretexto no tema "Esplendor na Relva", recriado pelos Pink Martini e ilustrado de forma singela mas significativa para todos por aludir aos quotidianos que deixámos de interrogar e sobre os quais urge o efectivo exercício da nossa competência e do nosso direito de os comandar... porque, se entre nós e a natureza, há uma cultura humana feita de tentativas, erros e culpas, é ainda essa a cultura que dela nos permitirá recuperar as rédeas de uma re-aproximação integrada e indispensável não só à sobrevivência e à existência mas, à vida:

sábado, 5 de junho de 2010

Alerta sobre a Europa dos 15 milhões...


Sim, são 15 milhões! ... 15 milhões de desempregados! ... um número que daria para fazer vários países independentes e que deixa clara a imagem de que é possível a realidade aparentemente absurda que subjaz à expressão "países de desempregados"... realidade que, infelizmente, se verifica já nesta União Europeia que integramos, cujos Estados-membros, com excepção de 8 países (a saber, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Países Baixos, Polónia e Roménia), num total de 27, têm menos de 15 milhões de habitantes. Não erramos, por isso, ao afirmar que, em 2010, o espaço comunitário europeu é -ou virá a ser no curto prazo!- o esforço federativo de integrar 15 milhões de pessoas, sob pena de ter uma população socialmente excluída acima da média populacional de 19 dos seus Estados-membros, reconhecidos como países independentes e entidades autónomas (a saber: Áustria-8,3 milhões de habitantes; Bélgica-10,7 milhões; Bulgária-7,7 milhões; Chipre-0,8 milhões; Dinamarca-5,5 milhões; Eslováquia-5,4 milhões; Eslovénia-2 milhões; Estónia-1,3 milhões; Finlândia-5,3 milhões; Grécia- 11,2 milhões; Hungria-10 milhões; Irlanda-4,5 milhões; Letónia-2,3 milhões; Lituânia-3,3 milhões; Luxemburgo-0,5 milhões; Malta-0,4 milhões; Portugal-10,6 milhões; República Checa-10,5 milhões; Suécia-9,2 milhões). Os dados ilustram bem a gravidade do desemprego europeu e a fragilidade da organização económico-política do modelo financeiro em que assenta a estrutura institucional desta aproximação federativa, cuja hierarquização vertical e profundamente assimétrica relativamente a uma minoria das suas economias nacionais dominantes, põe, verdadeiramente, em causa, a sobrevivência da arquitectura social europeia em que se investiu desde meados do século XX. A solução não está à vista apenas e só porque os princípios da gestão económico-financeira dos mercados liberais e neo-liberais não permitem que a política seja transparente ou sequer reflexa como um espelho, onde os cidadãos possam constatar o precipício para o qual se caminha. Mas essa solução não é, seguramente!, o investimento na designada e, por ora, convenientemente negligenciada, Europa a Duas Velocidades de que os números e os factos nos aproximam... como o não é a alteração da política monetária no sentido da re-criação da vigência de moedas nacionais que mais não fariam do que funcionar como garante da manutenção da desigualdade da riqueza, fomentando e reforçando a interdependência do endividamento externo dos países mais fragilizados - razão de ser da calamidade das contas públicas de muitos países no plano internacional e, também, dos países da Europa do Sul de que somos parte activa. A Europa Social, equitativa e solidária é o único projecto capaz de salvaguardar as democracias europeias e está, de facto, por construir... nomeadamente pela secundarização do seu investimento em políticas de desenvolvimento, sustentadas por políticas sectoriais como as políticas sociais, as políticas ambientais e as políticas regionais... e só inverteremos este caminho quando a consciência e a ideologia dos Estados-membros manifestar colectivamente a sua exigência, apresentando propostas políticas concertáveis, capazes de consolidar de forma eficaz o que agora não passa de um incipiente combate à exclusão e ao desemprego.

A marca de Passos Coelho

Passos Coelho regista em caixa alta a marca do seu programa: Liberalizar Despedimentos e Contratações! A notícia é primeira página do jornal Expresso de hoje mas, a nós, por ora, merece-nos apenas umas linhas: Esperemos que os Portugueses ouçam bem que a proposta económica do principal partido da oposição é a insistência na continuidade, assumidamente agravada, das medidas económicas liberais que provocaram a crise em que Portugal e a Europa estão mergulhados e de onde não se sairá tão cedo! Qual é o espanto?... É verdade que foi sempre esta a filosofia económica liberal e neo-liberal da direita mas, o que é extraordinário é que, apesar dos resultados evidentes nas economias de todo o mundo, mesmo quem procura protagonizar a imagem inovadora da liderança, não consegue desviar-se sequer um milímetro de tais programas e modelos económico-financeiros! Por muito que digam da esquerda e independentemente dos resultados de sondagens e eleições, é, de facto, a direita que revela uma completa incapacidade de avaliar realisticamente a realidade e de se apresentar como uma alternativa eficaz para a revitalização social. Esperemos que, inteligentemente, os cidadãos entendam o problema... afinal, é deste entendimento que resultará -ou não!- a Europa Social em que continuamos a apostar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leituras Cruzadas...

Pensar a actualidade é mais frutífero quando o exercício, feito a várias mãos ou, se preferirem, a várias vozes, denota preocupações e apreensões comuns. Hoje, no plano internacional, considero particularmente relevantes as realidades vividas, por um lado, no Médio Oriente, onde a tensão persistente entre a Palestina e Israel justifica o apoio dos cidadãos à exigência de uma resolução justa e imediata do cerco à Faixa de Gaza (veja-se e assine-se a Petição que Daniel Oliveira disponibiliza no Arrastão) e, por outro lado, a incomensurável maré negra provocada pela exploração sem regras dos recursos naturais finitos no contexto de uma economia liberal sem escrúpulos (veja-se o apontamento ilustrado pelo vídeo que MFerrer apresenta no seu Homem ao Mar)... Enquanto isso, no que ao espaço europeu respeita, mantenho como prioritária a reflexão sobre a sua gestão económica e retenho algumas das principais ideias e das principais problemáticas que têm sido assinaladas nos últimos dias (leia-se o texto de JMCorreia-Pinto no Politeia e registem-se as chamadas de atenção referenciadas por Osvaldo Castro no Carta a Garcia e de Rui Caetano no Urbanidades da Madeira). Por cá, pelo carácter demagógico da sua justificação, são objecto da minha perplexidade aqui partilhada, as duas mais recentes medidas anunciadas pelo Ministério da Educação, a saber, o encerramento das escolas com menos de 21 alunos e a passagem do 8º ao 10º ano sem frequência aprovada do 9º, medidas que não posso compreender sem as atribuir exclusivamente a duas causas óbvias, designadamente, no caso da primeira, à redução de custos que acarreta uma menor contratação de professores e de manutenção de equipamentos e, no caso da segunda, à potencial degradação da qualificação do ensino público - uma e outra concorrendo para desvalorizar o reconhecimento da utilidade do saber e para massificar competências nominais dos mais jovens, contraproducentes para a preparação especializada que a competetividade requer no combate ao desemprego (a este propósito, registo duas observações sobre o tema, uma de João Carvalho no Delito de Opinião e outra de José Adelino Maltez no Albergue Espanhol). E, a terminar, para além de um apontamento sobre a questão estratégica da PT/Telefónica (ver o post publicado por Paulo Querido no Certamente), deixo a referência de um texto reflexivo do Professor Raul Iturra publicado no Aventar que nos enriquece os modos de ler e pensar, com maior equidade, a sociedade e a cultura portuguesas.

Parábola da Crise - contributo para a compreensão dos mercados

Mão amiga fez-me chegar esta história que não resisto a partilhar convosco:
"Os burros, o mercado de acções e a crise:
Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada. Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro. O homem acabou por comprar centenas de burros a 5 euros. Quando os habitantes diminuiram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro. Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo. Foi então que o homem aumentou a oferta para 25 euros por burro mas, como a quantidade de burros ficara tão reduzida, já não compensava o esforço de ir à caça. Para incentivar a continuação do negócio, o homem anunciou que compraria os burros a 50 euros mas, avisando que teria que se ausentar por uns dias, informou que deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros. É então que, na sua ausência, o assistente do comprador de burros faz esta proposta aos habitantes da pequena vila: - Sabéis os burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vendê-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!! Que acham?
Toda a gente concordou. Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um. Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado !

Entenderam agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?
"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Manuel Alegre na Grande Entrevista da RTP


Ontem, na RTP 1, Manuel Alegre foi o convidado de Judite de Sousa, no programa Grande Entrevista. Seguro, assertivo, sabedor e capaz de se fazer entender claramente no que respeita à exposição dos objectivos da sua candidatura, Manuel Alegre reafirmou o projecto político subjacente à sua candidatura presidencial, caracterizando o que entende ser o perfil adequado à democracia contemporânea e à actual situação socio-económica do país e definindo o desempenho do Presidente da República que se propõe vir a ser, como um grande mobilizador da cidadania e do consenso. Do muito que se pode dizer desta excelente entrevista, destaco, por ora, as referências de princípio à defesa da Escola Pública de qualidade, do Serviço Nacional de Saúde, dos esforços de Concertação Social com destaque para o envolvimento de todos os partidos com representação parlamentar e dos sindicatos, à postura crítica relativamente ao funcionamento liberal dos mercados que tem determinado o funcionamento da União Europeia, à não necessidade de revisão da Constituição da República Portuguesa, do combate às discriminações e da vigilância relativamente às condições de vida dos portugueses. Mas, melhor que as minhas palavras, a entrevista fala por si e pode ser vista AQUI.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Memórias da Revolução - Almirante Rosa Coutinho


Personalidade incontornável do 25 de Abril de 1974, o Almirante Rosa Coutinho é um rosto que se guarda das imagens associadas à Revolução, ao Movimento das Forças Armadas e, juntamente com Otelo Saraiva de Carvalho, ao Conselho da Revolução. Faleceu hoje, aos 84 anos de idade. Da sua biografia, a comunicação social destaca o facto de ter cumprido serviço militar em Angola (onde foi preso em 1960 por um dos movimentos de libertação à época, conhecido por FNLA), onde regressou depois do 25 de Abril de 1974, para substituir o então Governador-Geral em funções renovadas, no papel de Presidente da Junta Governativa de Angola até à assinatura, em 1975, dos Acordos de Alvor, cujo artigo 4º garantia a "independência e soberania plena" de Angola em 11 de Novembro e a propósito de cuja proclamação, disse, no final do seu discurso aos angolanos, o Presidente Agostinho Neto: "(...) Compatriotas camaradas: agora que os trabalhos da cimeira estão concluídos, agora que o Mundo inteiro nos olha com a consideração e o respeito que a nossa luta de libertação construíram, saibamos reforçar e consolidar as conquistas obtidas. Um só povo, uma só nação, defendendo intransigentemente, sem subterfúgios ou ambiguidades a democracia e o direito sagrado de podermos entrar no seio da comunidade mundial com as credenciais conseguidas ao longo de 18 anos de luta. FNLA, UNITA e MPLA unidos, pretos, mestiços e brancos unidos são a garantia para construirmos uma pátria independente para o povo angolano. A vitória é certa!". O Almirante Rosa Coutinho integrou os orgãos governativos portugueses do 25 de Abril, designadamente, a Junta de Salvação Nacional e o Conselho da Revolução, tendo liderado os serviços de extinção da PIDE-DGS e da Legião Portuguesa.

"História Viva" - Um Trabalho pela Cultura

A Nossa Candeia agradece, sincera e sentidamente, ao Eduardo Marculino do blog História Viva, a atribuição deste magnífico selo (ver Aqui) que nos honra pelos valores que expressa e pelo substancial contributo para a defesa do património e da cultura universais que este blog representa, enriquecendo, de facto, o trabalho que, cada vez mais, se vai produzindo na blogosfera. Ao seu autor, o meu abraço reconhecido e amigo e ao História Viva, os meus votos de continuação de um excelente trabalho ao longo de uma merecida vida longa e feliz.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Da Construção dos Manifestos...


Há uma geração que tornou possível a Liberdade e nos deu, para a vivermos, nos seus bons e maus momentos, a Democracia!... O meu orgulho nessa geração é imenso e sinto-me, se me permitem!, parte do seu legado! Maior é ainda essa alegria quando encontro, nos dias que correm, as palavras e os actos com que, pela sua força, o seu exemplo, a sua coragem e a sua determinação, identifico a raiz do meu sentido de justiça e liberdade! Hoje, encontrei no Água Lisa, um lindissimo texto de João Tunes que, no Carta a Garcia, Osvaldo Castro, tentando escapar à referência explícita, reencaminhou para o que propõe ser um "pré-argumentário" do Manifesto da campanha de Manuel Alegre! Todos percebemos porquê!... e eu, por mim, subscrevo o sentido, a intenção e... agora, amigos, companheiros e cidadãos, vamos à luta... por uma sociedade que não perca as referências pelas quais tantos lutaram e que, tantos de nós, hoje, queremos manter vivas... por um Futuro Humano, Livre e Digno!

Condenar Israel - Apoiar a Palestina!

Chocante e inqualificável é o mínimo que se pode dizer da actuação de Israel contra os activistas pró-palestinianos (ler aqui e aqui) que tentavam fazer chegar alguma ajuda humanitária a Gaza. A persistência do cerco e a agressividade sistémica contra os territórios ocupados da Palestina, faz lembrar métodos de extermínio dissimulados que não passarão incólumes na História, reconhecido que é o exercício abusivo do terrorismo de Estado de Israel. É urgente que o povo israelita dê o rosto e a comunidade judaica levante a voz contra esta permanente violação dos Direitos Humanos, sob pena da comunidade internacional, pelo menos, em termos de sociedade civil, deixar de reconhecer a legitimidade do Estado de Direito de Israel... porque, em pleno século XXI, Israel não fará o mundo recuar nos seus princípios democráticos, na defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito, pela persistência patológica do seu desempenho como Estado agressor. Enquanto Israel mantiver esta postura de tudo atacar (consequência de uma deformação cultural assente no medo e incentivada, política e socialmente, pela manipulação doentia de um trauma materializado na catarse de uma permanente lógica de guerra), as palavras de ordem continuarão a ser: Solidariedade com a Palestina, Já! Solidariedade com a Palestina, Sempre!

(Este post foi também publicado no Forum Palestina)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Das Presidenciais (1)

Até à data da sua realização, em 2011, muito se irá escrever sobre as próximas eleições presidenciais; contudo, neste momento, sinto necessidade de pensar em perspectiva, ainda que de forma breve, este acto cívico de crucial importância política para o país. Suscita-me a reacção um certo registo emocional que se denota em grande parte das expressões de apoio aos três candidatos que estão no terreno e que, excessivamente, afirmam esse apoio sustentando a respectiva assertividade na sua vontade de evidenciarem uma pública oposição aos restantes. É pouco, é demasiado elementar e é, essencialmente, grave para a responsabilidade cívica, ética, política e social que deve estar subjacente ao exercício da participação democrática esclarecida. Não podem por isso lamentar-se ou, com autoridade moral, comentar criticamente de forma credível, a evocada natureza identitária do país, dita de "brandos costumes" e que, culturalmente, tem determinado o tipo de relações socio-políticas que define escolhas, conteúdos e protagonistas nas áreas estruturantes da gestão do poder e dos serviços. A conjuntura económica e política, quer nacional, quer europeia é, de todos, conhecida e o agravamento da sustentabilidade social não legitima voluntarismos ou corporativismos assentes em questões pessoais ou interesses de grupo. Por isso, considero grave e quiçá perigoso para a democracia, esta tendência de fazer prevalecer sobre o interesse nacional e da Polis, sentimentos de retaliação e honra que caracterizam sociedades cujos laços de dependência interpessoal se sobrepõem à dimensão política e colectiva das decisões. Há, também aqui, um vestígio de uma ruralidade enfeudada a lógicas que se reduzem aos mundos individuais e familiares, alheadas da noção efectiva do bem-comum. Por este conjunto de razões, quem tem responsabilidades na formação da opinião pública, deveria encarar o problema não em termos de consequência de expectativas goradas, desilusões ou projecções utópicas que se alimentam a si próprias, recusando pensar a realidade apenas pelo cansaço humano que o desalento provoca, criando, pela necessidade de acreditar, mitos que, como sempre, depois de escalpelizados, deixam à vista "pés de barro".

domingo, 30 de maio de 2010

O Partido Socialista apoia Manuel Alegre







A Comissão Nacional do Partido Socialista anunciou o seu apoio oficial a Manuel Alegre. A decisão foi transmitida por Francisco Assis num discurso veemente que reflecte os interesses dos portugueses e que se identifica com os princípios, os valores e as razões que sustentam a candidatura de Manuel Alegre. Afirmando que se trata de uma candidatura independente que irá alargar a sua base de apoio para além do eleitorado tradicional do PS, do centro-esquerda à esquerda, Francisco Assis afirmou que o objectivo é ganhar as eleições presidenciais de 2011. A esquerda tem, finalmente, um candidato em condições de dignificar a sociedade portuguesa com as competências políticas, cívicas e culturais que o século XXI requer e de que o estado complexo das democracias europeias contemporâneas precisa.

O Apoio do PS a Manuel Alegre...



O Partido Socialista reúne hoje a sua Comissão Nacional e aí decidirá o seu apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre... No panorama que se coloca hoje aos portugueses, expostos como sempre às tácticas e estratégias políticas das máquinas ou movimentos de apoio aos candidatos (de que o DN destaca uma pequena mas ilustrativa síntese que se pode ler Aqui), esperemos que o apoio do PS a Manuel Alegre seja claro e, acima de tudo, que se venha a revelar útil, empenhado e convicto... porque, como se costuma dizer: "só faz falta quem está"! Por mim e por muitos de nós, Manuel Alegre é, inequivocamente!, o Presidente de que Portugal e os Portugueses precisam! Com alegria e confiança, vamos eleger Manuel Alegre!

O povo saiu à rua...

... é o nome de um texto publicado por mim, há pouco, no Aventar e que pode ser lido AQUI.

Da Arte, da Vida e do Humor - Uma Lição de Elis Regina e Adoniran Barbosa

sábado, 29 de maio de 2010

BB King - um episódio para a história da cultura em Portugal



Deve estar já a decorrer o que, para mim, amante do blues, deve ser um dos mais notáveis eventos culturais que, no que a concertos respeita, integrará a lista dos que merecem a categoria de "notáveis" realizados em terras portuguesas. Trata-se de BB King. O concerto está a acontecer em Sabrosa e, sinal claro do seu efectivo carácter cultural, é o facto de, extraordinariamente, este ser um concerto gratuito (ler AQUI a notícia do Blitz).

Da luta, hoje, 29 de Maio de 2010...


Hoje, sábado, dia 29 de Maio, a expressão do descontentamento social com o rumo das políticas económicas que caracterizam as democracias ocidentais sairá à rua, numa manifestação convocada pela CGTP para as 15h, em Lisboa... e porque o sentido das mensagens deve ser claro, será o Governo o protagonista desta campanha de luta que, um pouco por toda a Europa se faz e irá continuar a fazer sentir, sempre, naturalmente!, contra os respectivos Governos! Um dia virá em que todos os países da União Europeia, em simultâneo, farão manifestações contra as determinações económico-financeiras emanadas de Bruxelas, como forma de exigir que os Governos dos Estados-membros tomem medidas no sentido de reformar efectivamente o rumo político económico-financeiro da UE, dando indiscutível prioridade ao interesse das pessoas através da materialização de medidas concretas, eficazes e concertadas, de diminuição drástica do desemprego, de criação de postos de trabalho, de reforço dos aparelhos produtivos nacionais e de cumprimento pelo inalienável respeito que deve vincular os Estados à defesa dos direitos dos cidadãos. Entretanto, a propósito deste contexto de luta pelo direito das pessoas a condições de vida dignas, ouvi esta manhã, na RTP, ao convidado do comentário noticioso da semana, uma sugestão que, inaudita pelo seu extraordinário conteúdo que nos habituámos a integrar na categoria das "fantasias" e "utopias", é importante registar por se tratar de uma afirmação inequívoca e desinteressada do ponto de vista de quem, objectivamente, está apenas a pensar nas pessoas. O seu autor é o actor Ruy de Carvalho e a afirmação, em resposta à questão da solução para a crise, para o desemprego e para as contas públicas, foi a seguinte: "É preciso ir buscar o dinheiro onde ele está. Portanto, porque é que se não cobram aos bancos 50% dos seus lucros? Ainda ficariam muito ricos... esse dinheiro é de todos nós e temos, por isso, direito a dele também beneficiar!". Pois... a coragem e a lucidez da frontalidade do pensamento desinteressado tem o mérito de encontrar e apontar soluções que, mesmo à vista, são ignoradas porque o excesso de informação e de argumentos, como a árvore, perante alguns olhares, nos impede de ver a floresta. Um dia virá em que os povos exigirão, colectivamente, a coragem política aos governantes de todo o mundo, por sociedades mais justas que possam realmente preservar a vida humana e o planeta em que vivemos... porque, como está à vista na monstruosa maré negra resultante da recente e incontrolável explosão da plataforma petrolífera que está a matar a vida no oceano com consequências devastadoras, não poderemos continuar a proceder irracionalmente na exploração dos recursos naturais e humanos sob pena de, a troco de uma lógica capitalista, industrial e tecnológica, justificada pelo liberalismo e a globalização dos mercados, destruirmos esse magnífico património que é a própria existência humana tal como a conhecemos: enquadrada em sociedades que valorizam os direitos, a igualdade, a democracia e a liberdade.
(As imagens deste post publicadas inicialmente foram alteradas por uma questão de apresentação gráfica do texto)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dos Barómetros Políticos às Prioridades Sociais...


O mais recente barómetro TSF/Diário Económico dá ao PS uma descida percentual de 16 pontos e, consequentemente, permite ao PSD e à sua recente liderança alcançar uma margem próxima dos 44%. As explicações sobre o significado destes resultados, na interpretação do próprio Diário Económico (ler AQUI), são importantes uma vez que esclarecem o seu fundamento, a saber, o facto de decorrerem das negociações para a aprovação do Orçamento Geral do Estado. Entretanto, com as novas medidas de austeridade lançadas pelo Governo e, no contexto mal-esclarecido em que muitas delas, nos últimos 2 dias têm vindo a público (é o caso da dita "sobretaxa do IRS" e dos cortes nos apoios aos desempregados que, recentemente, tinham vindo a ser aprovadas para reforçar a difícil situação em que se encontra uma já significativa percentagem dos cerca de 600 mil desempregados que temos), os sinais de um efectivo descontentamento social começam a fazer-se sentir espontaneamente, não se esgotando nas manifestações organizadas pela oposição. A clareza do discurso justificativo, a desdramatização dos exageros especulativos e a reavaliação de algumas das mais prementes realidades sociais é, de novo, prioritária. Os portugueses merecem, mais do nunca, sentir que os esforços para que estão a ser convocados são resultado de uma séria ponderação, sem retrocessos e hesitações discursivas que agudizem a disponibilidade para a criação de uma imagem de desorientação governativa. Além disso, é fundamental que, neste momento, o Governo denote que, para além do défice e das contas públicas, proteger os cidadãos da pobreza extrema e do risco de agravamento do endividamente incomportável, é, ainda, a prioridade do Estado... para que não sucumba de vez a ideia da defesa do Estado e da Europa Social.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Presidenciais 2011 - O Candidato do PS, segundo Vital Moreira


A política deve, acima de tudo, servir a "res publica"! Recorrentemente, utilizar a política para responder a interesses corporativos ou questões pessoais pode constituir-se como atentado ético à nobreza que, conceptualmente, se requer à responsabilidade social que implica a gestão da Polis. É, por isso, digno de nota, o texto que, hoje, o eurodeputado independente Vital Moreira, Professor de Direito Constitucional, publicou no seu blogue Causa Nossa, revelando que o sentido do Estado se deve, sempre!, sobrepôr, a qualquer tentação personalizada que, sob a capa de hesitações, dúvidas ou demogogia, ponha em causa os interesses colectivos de uma Nação. O problema é, aliás, particularmente pertinente e grave no momento actual, uma vez que a construção do federalismo europeu se defronta com uma profunda crise económico-social que, ao atingir todos os seus Estados-membros, acentua a necessidade de coesão social que, terá que se confrontar com reformulações da sua arquitectura económica e, simultaneamente, com especificidades nacionais que é preciso saber defender. (Ler AQUI o texto do Professor Vital Moreira)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ouvir a Direita e Escutar a Esquerda entre o Desemprego e as Desinteligências... deixa-nos Livres para Pensar


Ouvi ontem que a Brisa se prepara para eliminar os postos de trabalho dos "portageiros", substituindo-os por máquinas capazes de proceder à operacionalização dos pagamentos. Fiquei chocada!... sim, sei que já não deveria chocar-me com "tão pouco" mas, a verdade é que fiquei indignada com o desassombro com que as entidades empregadoras, em contextos de crise económico-social tão grave, apregoam, como se de uma boa notícia se tratasse, a extinção de emprego para um número significativo de cidadãos. É uma questão de inteligência ou falta dela! É, além do mais, uma questão de princípios! Nos tempos que correm, encontrar máquinas a quem se paga é tão vulgar como "beber copos de água" e do anúncio em análise nada de interessante resulta, a não ser a comum constatação que decorre do antagonismo de interesses entre o bem-comum (entendido como uma espécie de ecológico bem-estar social) e os dos empregadores (conhecidos também como patrões, capitalistas, etc.). Por isso, a ideia provoca apenas a imagem de uma poupança sem rosto que resulta em lucros feitos de lágrimas de pessoas "de carne e osso"... E por falar em desinteligências, é urgente ter presente que a desconsideração humana e a aritmética do lucro cego, continua a ser o discurso torpe da direita! Ontem, na entrevista que Miguel Sousa Tavares fez a Eduardo Catroga no programa "Sinais de Fogo", ouvir o ex-Ministro das Finanças do PSD dizer que a crise se resolve com a dupla e simultânea diminuição dos impostos a pagar pelas empresas e do consumo dos cidadãos, a que se pode acrescentar, no dizer deste contabilista, o aumento da poupança das pessoas... fez-me tremer e pensar que, a partilhar da fé comum que emerge nas profanas expressões de espanto, certa seria a minha sincera e profundamente verdadeira invocação: "Deus nos livre de tais governantes e de tais planos de governação"! Extinguir empregos e entregar populações à indigência e à miséria, "cortando-lhes os víveres" e esmifrando-lhes a sobrevivência em nome da poupança é de uma inaudita crueldade acéfala nos tempos que correm. E de tal ordem foi a minha indignação que, hoje, ao ler os destaques da esquerda (ver o texto do Daniel Oliveira publicado no Arrastão, a referência de Nuno Ramos de Almeida no Cinco Dias e o texto de Ricardo Paes Mamede no Ladrões de Bicicletas) sobre a entrevista de Joseph Stiglitz, me ocorreu a urgência de, a todos!, relembrar que nada do que o excelso economista afirma, se destacar pela novidade já que, em plena discussão da adesão ao Euro, por cá, se travaram sérios argumentos sobre o assunto que, na altura, levaram a que, humildemente, eu própria, apresentasse uma inesperada comunicação a um Congresso Extraordinário sobre o Alentejo, realizado no concelho de Moura, sob o título: "A Moeda Única Europeia" (que viria a ser publicada no Diário do Alentejo). Por isso, se é bom trazer à memória dos dias os contributos actuais de quem pensa com a autonomia de que Stiglitz dá mostras como contributo para a formação de uma opinião pública esclarecida, melhor seria que reformulassemos a conhecida ideia de Marx que apela à prática da transformação teoricamente enunciada e deitassemos, todos juntos!, mãos à obra - porque, se as frases para compreender e transformar o mundo estão escritas, agora, o que, de facto!, nos falta é encontrar os meios adequados à sua concretização. E isso, em democracia, só com boa-fé e pelo diálogo poderemos realizar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Valupi, o Mestre...

Valupi é uma personalidade fantástica do mundo cultural português... uma identidade ficcionada cuja realidade é mais forte que o mundo hipócrita em que vivemos... um homem que chama "os bois pelo nome" com a franqueza desassombrada de quem não receia nem a sombra de quem quer que seja, senhor da ousadia rebelde e insubmissa de quem conhece o valor da palavra, o peso da desmistificação da demagogia e a liberdade de pensamento que se requer numa sociedade democrática exemplar! E se eu lhe devia já, pelo menos um post de reconhecimento que em comentário lhe prometera (ver AQUI), para o qual buscava ainda a difícil inspiração e graça merecedora do seu nível, hoje, depois disto (ver AQUI), são estas as palavras que penso em directo para este teclado onde escrevo, coração nas mãos e razão no lugar onde se encontram a ética e a justiça: Obrigado, Valupi!... You're really a special one! :) e até acredito que tenhas sido o inventor da Vénus de Milo :)
Aquele abraço!

domingo, 23 de maio de 2010

Leituras Cruzadas

As democracias sobreviverão se souberem resolver o dilema que se lhes coloca: insistir na continuidade de um modelo de gestão ditado pela lógica financeira ou optar pela reestruturação político-económica de que carece o objectivo de consolidação da Europa Social. Inevitável, a reorganização federal que, paulatinamente, tem vindo a ser construída, implica opções económicas capazes de reforçar as competências produtivas nacionais, reduzindo drasticamente o extremo grau de dependência do funcionamento dos mercados (real, nominal e especulativo). Se assim não fôr e se a União Europeia perder a oportunidade que a actual crise oferece de se reformar estruturalmente, não será por certo uma Europa Social aquela onde vamos continuar a viver! Sinais evidentes de que este não é o caminho certo são, designadamente, as situações a que foram conduzidos várias economias europeias, de que Portugal é um caso paradigmático porque a sua persistente debilidade económica, permitiu que o mesmo endividamento que tem aguentado o país, desembocasse na crise socio-económico que estamos agora a pagar. E se, infelizmente, o problema nos não atinge apenas a nós (leiam-se os textos de Daniel Oliveira no Arrastão, de Vitor Dias no Tempo das Cerejas e de Osvaldo Castro no Carta a Garcia), o caso português defronta-se ainda com uma realidade política interna que revela contradições e sérias dificuldades na procura de soluções concertadas, capazes de atenuar os efeitos sociais das medidas de austeridade (leiam-se os textos de Valupi no Aspirina B, de JMCorreia-Pinto no Politeia, de Filipe Tourais no País do Burro, de MFerrer no Homem ao Mar, de Weber no Mainstreet e de Francisco Clamote no Terra dos Espantos). Como se não bastasse, a oposição ocupa o espaço de estudo, análise, debate, negociação e re-negociação permanente que é preciso desenvolver na democracia portuguesa, em discussões que revelam interesses pouco respeitosos para com o Estado de Direito (leiam-se o destaque de Osvaldo Castro no Carta a Garcia e o texto de Pedro Soares de Albergaria e de Eduardo Maia Costa no Sine Die). Entretanto, a realidade continua o seu trajecto (leia-se o texto de Manuela Araújo no Sustentabilidade é Acção) e os esforços pacíficos e inequivocamente válidos de algumas medidas, continuam demasiado lentos face à urgência da intervenção humana seja na protecção da natureza e do ambiente (leia-se o texto de Carlos Júlio no A Cinco Tons), seja no combate à pobreza e ao desemprego (leia-se o texto de Paulo Pedroso no Banco Corrido)... A terminar o Leituras Cruzadas de hoje, deixo um destaque para o texto de João Tunes no Água Lisa, uma chamada de atenção para a poesia de Marcela Palermo do La Tramamericana e um agradecimento muito especial ao meu grande amigo Poet'anarquista!

sábado, 22 de maio de 2010

Obrigado, Mourinho!


Não tenho o hábito de escrever ou comentar futebol mas, hoje, não resisto! Acompanho o trabalho de José Mourinho desde o Futebol Clube do Porto e sinto-me, desde então, adepta incondicional das equipas de que é treinador! Porque, de facto, é simplesmente deslumbrante, a inteligência estratégica do melhor treinador do mundo!... Mourinho é português e sinto orgulho por isso!... O seu aturado e incansável estudo, esforço e determinação merece a admiração incondicional de todos! ... Um treinador faz uma equipa! - eis a grande lição!... Por tudo isto e pelo futuro: Obrigado, José Mourinho!

Do Inquérito Luso-Castelhano...


Hoje de manhã ouvi, na RTP1, a divulgação de um inquérito feito a portugueses e espanhóis em que se tentava apurar da receptividade de um e outro povo relativamente à criação de uma união ibérica. Com todas as relatividades (não sei como foi constituída a amostra mas a RTP garantia uma fiabilidade acima dos 95%), a que se não pode deixar de acrescentar a dimensão e percepção da crise económico-social que atravessamos, é interessante constatar que 50% dos portugueses se mostrava favorável à ideia enquanto apenas 30% dos espanhóis partilhavam essa opinião... saliente-se contudo que, segundo um especialista da matéria, 30% da população espanhola é, no caso, também, uma elevada taxa de boa recepção à ideia - nomeadamente porque, segundo disse!, este é um assunto que não faz parte da agenda espanhola! Do facto, destaco apenas que esta aproximação às representações sociais nacionais reflecte uma profunda descrença na capacidade da sociedade portuguesa resolver os seus problemas... ora, este problema é muito mais grave para a auto-estima do país e para a sua resiliência, do que se pode ser tentado a pensar, através da redução do problema a questões de descontentamento político com o Governo!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vale a pena ver e ouvir!

Um exemplo cívico de pedagogia mediática...

Actualidades políticas... Surpresa - ou talvez não?!



Convém esclarecer, "a priori", que este apontamento não pretende opinar, discutir ou explicar o que aqui se regista mas, apenas, chamar a atenção para a sua constatação. Apesar de toda a "gritaria" política e mediática, foram hoje divulgados alguns dados e informações que merecem a reflexão de todos: o barómetro mensal denota uma ligeira subida do PS, regista descidas para o PSD e o CDS e constata que a maioria dos portugueses considera inevitável a subida de impostos! Além disso, Madrid garante que, conforme o previsto, o TGV chegará à fronteira portuguesa do Caia até 2013!... Moral da história: nem sempre o que parece é!... por isso comentadores e políticos, ao invés de tomarem por realidade os seus desejos, deveriam atender à cultura e ao quadro de representações sociais da maioria da população portuguesa. Talvez assim, com interpretações e leituras ajustadas à realidade, tornassem mais credíveis as suas especulações e contribuissem de forma positiva para ajudar a formar uma opinião pública esclarecida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Do Primeiro-Ministro aos Banqueiros e da Oposição ao PE


Demagogia e falta de escrúpulos caminham, excessivas vezes, de mãos dadas e subjaz-lhes, sempre!, uma total falta de bom-senso! Nada disto seria grave se não afectasse, de facto, os interesses do país e dos cidadãos mas, em verdade se diga: afecta!... afecta e agrava a confiança das pessoas, dos mercados e, consequentemente, a economia nacional. Depois da entrevista que o Primeiro-Ministro deu ontem à RTP 1, onde se reconheceu a determinação e a consistência da governação por si liderada vieram hoje os banqueiros deitar "gasolina na fogueira" suportando as declarações de F.Ulrich (que diz estar para breve a intervenção do FMI em Portugal!!!) com uma manifesta ausência de sentido de responsabilidade social, alardeando que as pessoas vão viver pior (grande novidade!!), ignorando e branqueando completamente a culpa da lógica dos mercados financeiros e do liberalismo "sem peias" na eclosão de uma crise que não pára de crescer desde 2007. Ao invés destas "lágrimas de crocodilo" desejável seria ter ouvido que iriam colaborar no esforço colectivo dos portugueses e dos europeus, baixando ou eliminando "spreads", taxas de juros ou anunciando novos mecanismos de negociação de créditos/débitos no activo!... mas, não! É muito mais fácil puxar fogo "à palha" e assumir um grau de vitimização ridículo aos olhos dos cidadãos que respiram de alívio por não serem eles os governantes! E no âmbito da referência à entrevista de José Sócrates, ontem, dela registo apenas 2 notas, a saber: 1- o facto de terem insistido no pedido de desculpas do PM aos portugueses por contrariar o propósito eleitoral de não subir os impostos; 2 - o facto de, em comentário na RTPN, Morais Sarmento, ter dito que não iria haver eleições este ano porque José Sócrates manifestara claramente que não iria abandonar o Governo. Pois bem! O facto é que só faria sentido tal pedido de desculpas se a medida decorresse não das exigências europeias que se colocam ao país mas, apenas de uma decisão pessoal ou corporativa; quanto às afirmações de M.Sarmento, é curioso constatar como a esforçada "habilidade" política do seu argumentário revela a ansiedade de governação do PSD, ao expôr o que nunca foi claro senão para este partido ou seja, que José Sócrates tencionaria interromper o seu mandato. A acentuar este nervosismo do PSD, conhecemos hoje a intervenção do agitador eurodeputado Paulo Rangel que, mais uma vez, se lembrou de ir estimular a intriga no espaço europeu, tentando reactivar a desconfiança dos mercados, contrariando a lógica de maturidade política, solidária e coerente, dos restantes Estados-membros do Parlamento Europeu. Depois de tudo isto, a apresentação na AR de uma moção de censura do PCP ao Governo, na próxima 6ªf, e as posturas de "dividir para reinar" que se vão fazendo ouvir, levam-nos a pensar que, na realidade, os anseios corporativos se continuam a sobrepôr, inquestionavelmente, ao interesse nacional. Nenhuma destas afirmações contraria ou negligencia a consciência da gravidade dos problemas, designadamente, o do drama do assustador número de desempregados com que Portugal se confronta! Pelo contrário! É a consciência da gravidade da situação que apela ao esforço de todos no sentido de criar ou colaborar para que sejam criadas condições de resolução dos problemas, de forma crítica mas, efectivamente, construtiva e eficiente!... mas, quando se chega a este ponto da discussão, as alternativas do PSD esgotam-se no pouco criativo apelo ao reforço dos mecanismos liberais que nos conduziram à crise e, no que respeita às do PCP e do BE, está por provar e demonstrar que têm, de facto, propostas viáveis que se não reduzem à simples indicação de apenas algumas mudanças táticas ou estratégicas que, em pouco, ajudariam a debelar as dificuldades que caracterizam o quadro real da economia portuguesa. Nos tempos que correm o que os portugueses exigem aos políticos é... trabalho!... estudar, propôr, negociar, reformular e voltar a negociar, sem desistências ou atitudes cegas de pura negação seja da realidade, seja, gratuitamente, de todas as propostas que sejam apresentadas sem ser pelos próprios!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Também por Federico, um dos desaparecidos...

"(...) O poeta é uma árvore

com frutos de tristeza

e com folhas murchas

de chorar o que ama.

O poeta é o médium

da Natureza

que explica sua grandeza

por meio de palavras.


O poeta compreende

todo o incompreensível

e as coisas que se odeiam

de amigas, as chama.

(...)

Poesia é o impossível

feito possível. Harpa

que tem em vez de cordas

corações e chamas. (...)"

(Federico Garcia Lorca - excertos do poema "Este é o Prólogo", trad. W.Agel de Melo)

O poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca é um dos desaparecidos da Guerra Civil de Espanha, depois de assassinado em Granada em 1936, na sequência do seu inequívoco apoio à República e da sua assumida orientação sexual homossexual. O seu corpo pode estar entre os restos mortais encontrados nas valas comuns que, entre outros meios de prova, fundamentam o esforço do Juiz Baltazar Garzón em investigar os crimes do franquismo, lançando um inquérito sobre as vítimas da ditadura. A iniciativa do juiz Baltazar Garzon dera resposta à exigência do Comité dos Direitos Humanos da ONU relativamente à abolição da lei da amnistia (aprovada dois anos depois da morte de Franco, para impedir a recuperação dos corpos das valas comuns por milhares de familiares das vítimas da guerra civil) mas, a interposição de recurso por 3 organizações de extrema-direita (entre as quais se conta a reconhecida "herdeira" do movimento franquista Falange), conseguiu que a Justiça espanhola suspendesse de funções o Juiz Garzón que tem recebido apoios das organizações, activistas e simpatizantes da luta pela defesa dos Direitos Humanos de todo o mundo! Pela não cumplicidade com a iniquidade, pela Justiça, pela Liberdade e pela Democracia, é justo o grito que, como uma senha, se agita nos dias que correm: NO PASARÁN!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da Homofobia à Intolerância Religiosa - Do Brasil ao Irão e à ONU




Hoje, 17 de Maio, celebra-se o Dia de Luta Contra a Homofobia e, a propósito do persistente combate que é urgente continuar a travar pelos Direitos Humanos e contra todas as formas de discriminação (sexo, religião, etnia, idade, deficiência, orientação sexual, estatuto económico, etc., etc., etc.), ocorreu-me a notícia que ontem foi divulgada a propósito da manifestação organizada na praia de Ipanema, no Brasil, contra a visita do Presidente Lula da Silva ao Irão onde a perseguição a pessoas em função da orientação sexual e religiosa é um atentado imoral aos direitos cívicos dos cidadãos que se inscreve numa ideologia anti-democrática que nega o Holocausto e recusa o combate ao recurso a armas nucleares. No Irão, são vítimas de perseguição não só cidadãos e cidadãs homossexuais e mulheres que lutam pela emancipação da condição feminina, mas, também, todas as pessoas que professam ideologias políticas e religiões diferentes (de que é justo destacar a Comunidade Fé Bahaí). A terminar este apontamento, registo, com sincero regozijo, a afirmação de José Sócrates sobre o seu apoio à eventual candidatura de Lula da Silva a Secretário-Geral da ONU (ler Aqui)... até porque, apesar dos justos protestos organizados no Brasil contra a visita do Presidente brasileiro ao Irão, para além do perfil profundamente realista e humanitário de Lula da Silva, é necessária à eficácia do exercício deste cargo da ONU de reconhecida importância internacional, a capacidade de manter e reforçar o diálogo com todas as partes para garantir a redução da margem de eclosão da violência e aumentar os resultados da negociação diplomática... em nome de uma eficiente acção interventiva, capaz de consolidar o reconhecimento e o respeito internacional dos Estados pelos Direitos Humanos.

domingo, 16 de maio de 2010

Para um Domingo de Primavera...


... o tema "Tem que Acontecer" de Zeca Baleiro, solidário com o mundo feminino! :)

sábado, 15 de maio de 2010

A Mensagem Política de Bento XVI



A visita do Papa Bento XVI a Portugal foi, essencialmente, política. Num momento em que os escândalos sexuais atingiram profundamente a credibilidade da instituição em todo o mundo, urgia uma manifestação pública de não-repúdio à Igreja Católica e, por isso, foi escolhido um país dito de "brandos costumes" e um povo de fé que, independentemente, das práticas rituais institucionais, continuasse as suas manifestações massivas de religiosidade popular. O culto mariano e o 13 de Maio representando exactamente esse alheamento oficial, apresentava-se, por isso, no espaço europeu, como o cenário mais adequado aos objectivos estratégicos do Vaticano que, de facto, preparou com profissionalismo todo o marketing que envolveu esta visita a que, os portugueses como bons hospitaleiros e na qualidade de cidadãos pacíficos, deram o acolhimento organizacional previsível tanto mais que, a parceria social da Igreja, através da sua rede institucional de intervenção social e a própria Presidência da República, se empenharam na demonstração da fidelidade tradicional aos valores e à mensagem jierárquica de uma doutrina tomada como dogma e independentemente dela poder (ou não) contrariar a obra e o pensamento de outros teóricos e agentes católicos. E se os 4 dias de visita poderiam surpreender, o facto é que forma necessários para que Bento XVI pudesse exibir uma imagem pública cujo climax foi preparado para as celebrações do 13 de Maio em Fátima, onde os peregrinos iriam de igual modo, quer o Papa estivesse (ou não) presente - e apesar de ser compreensível algum acréscimo no seu número, por todo o lado onde passou!, dada a curiosidade e o interesse em ver, "ao vivo", o representante máximo da entidade que se reclama legítima representante dessa fé popular em que assenta o catolicismo mariano. Para o final foi pois guardado o cerne da doutrina que Bento XVI quer deixar como sua marca no século XXI, depois de todo o apelo ao multiculturalismo, à pluralidade e à liberdade religiosa que tem caracterizado as últimas décadas, assente no esforço de pacificação de preconceitos e de relativização dos fundamentalismos - atitude política de reconhecida utilidade social no sentido da coexistência pacífica que é preciso assegurar no quadro de mobilidade que caracteriza as sociedades contemporâneas. Assim, para além da condenação do aborto, do casamento gay e do apelo ao cuidado recrutamento dos recursos humanos nas instituições cívicas de intervenção social ligadas à Igreja, Bento XVI veio ainda, politicamente, levantar um certo espírito de cruzada que não podemos deixar de associar, mais ou menos remotamente, a outras evocações religiosas em contextos culturais diferentes. Falamos da sua referência à minoria religiosa católica que as tendências demográficas fazem prever no curto e no médio prazo e, mais que isso, a uma espécie de reacender da militância pela dita identidade cristã europeia reivindicada politicamente de há muito contra a laicidade e a liberdade democrática da Europa Social que queremos construir. Ora, sabendo-se que defendemos o respeito pelos direitos das minorias nos verdadeiros contextos democráticos, é muito importante que se não confunda o trigo com o joio e que, sob a capa do medo, se levantem novas e mais diversas expressões fundamentalistas que, sob pretexto religioso, revertam em mais discriminação e consequentemente, em mais violência social. E, nesse sentido, é preciso que os cidadãos reforcem as suas competências cívicas exigindo, cada vez mais incisivamente, uma sociedade laica, garante da igualdade de oportunidades para todos, valorizadora da diversidade e da coexistência cultural. A terminar este apontamento, para além do que aqui escrevi há dias, permito-me relembrar outro facto ocorrido na sociedade portuguesa há pouco mais de um ano e sobre o qual escrevi em Abril de 2009 (ler AQUI).

Da Razão das razões...


... cantava assim Luís Cília, em 1969.
(Obrigado à Tina que, por disso se lembrar, nos permite agora, a todos, relembrar a persistência do sentido do poema de José Saramago!)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Indignação contra a Justiça - Por Baltazar Garzón!

O Juiz Baltazar Garzón foi hoje suspenso do exercício das suas funções pelo poder judicial espanhol (por unanimidade!!! - pasme-se!) e viu também suspensa a sua integração no Tribunal Penal Internacional na sequência do processo que lhe abriram para impedir a continuidade do seu trabalho que se não esgota (como todos sabemos!) na luta pela reposição da verdade sobre os Crimes Contra a Humanidade cometidos pelo regime de Franco (vale a pena ler AQUI o que se escreveu no "El Pais"). À saída da audiência, o Juiz Garzón foi vivamente aplaudido ao som da palavra de ordem: "Garzón Amigo, o Povo está contigo"!
Justamente emocionado como se pode ver neste vídeo (que localizei através do Carta a Garcia e cuja disponibilização aproveito para agradecer):

é ainda no sentido de dar a conhecer a opinião de nuestros hermanos sobre este escândalo, que aqui partilho convosco este seu sintomático exemplo:

O Mundo precisa da coragem de Homens como Baltazar Garzón e da Solidariedade dos Povos de que, neste caso, são exemplo, quer o povo de Espanha, quer todos os cidadãos Europeus que não desistiram de manifestar o seu apoio a quem dignifica a Justiça e a Democracia!

Austeridade...

As debilidades estruturais da economia portuguesa foram agravadas de forma incontornável (independentemente dos argumentos demagógicos de uma oposição que insiste em reduzir o problema a um único culpado, a saber, o Governo), primeiro pela crise financeira internacional que deflagrou no Verão de 2009 e depois por uma das suas mais abrangentes sequelas políticas, ou seja, pela actual crise do Euro. Por isso, o reforço do PEC e o anúncio das medidas de austeridade que ontem foram divulgadas e explicadas ao país, não surpreendeu ninguém, sendo aliás, de registar que a maior parte dos cidadãos estava já preparada para receber piores notícias designadamente porque, tal como já acontecera relativamente ao contributo que a comunicação social portuguesa deu para a dimensão assumida pela especulação dos mercados que, abusivamente e perigosamente, acentuou a comparação nacional com a grega, desta vez, também, não faltaram vozes a criar o pânico, salientando hipóteses que, felizmente!, não chegaram a concretizar-se - pelo menos nos moldes em que chegaram a ser apresentadas: cortes brutais nos subsídios de desemprego, retenção dos subsídios de férias e de Natal, etc., etc., etc. E se é certo que todo o agravamento fiscal e todas as medidas de austeridade são negativas para o poder de compra dos cidadãos e se algumas das medidas anunciadas poderiam ter sido preparadas de forma mais cuidada (é o caso da revisão das listas do IVA no escalão dos 5%), não deixa de ser verdade que as medidas pelas quais o Governo optou, com o apoio do PSD, denotam uma preocupação de equidade social que se requer a um estado democrático que se não rege pelo neo-liberalismo económico cego. Sendo um facto que a recuperação económica do país e o crescimento da riqueza dependem da revitalização do sistema produtivo nacional (como dizem quer Jerónimo de Sousa-PCP, quer António Costa-PS), a urgência da resposta aos mercados para efeitos de liquidez para a gestão corrente da vida nacional dependia agora da adopção de medidas imediatas cujos cálculos podemos considerar ponderados, face à calamitosa percepção e representação da economia nesse contexto comunitário e global de que é, neste momento, impossível, alhearmo-nos. Para além dos sinais que a redução salarial de políticos e gestores evidencia, o facto é que o aumento do IVA ficou por 1% (e não para 2% como se pensou), o aumento de IRS não afecta os salários mínimos e sobe 1% para salários que rondem os 2.375 e 1.5% para os que transcendem este valor e o do IRC cobra com maior proporcionalidade os rendimentos mais volumosos. Esperemos que o resultado previsto não encontre mais escolhos pelo caminho e que, daqui a 18 meses (final de 2011), possamos voltar a respirar um pouco mais serenamente. Até lá, a contestação social é previsível, justa e, reconheça-se!, necessária para que as populações europeias emitam sinal de que a Economia, o Estado e a Europa Social são o projecto político a que continuam veiculados!... contudo, seria útil que as forças contestatárias (sindicatos, partidos e organizações cívicas) mantivessem o discernimento e não fizessem do Governo o seu único bode expiatório, perdendo a oportunidade de se manifestarem como uma força política que a União Europeia deve ter em consideração a título de parceria privilegiada, designadamente no que se refere ao previsível reforço do seu carácter federal.

(Publicado também Aqui)

Saldanha Sanches

Faleceu Saldanha Sanches... É pena!... A sua voz faz falta ao país! (ler Aqui as palavras com que alguma comunicação social se lhe refere mas, principalmente, vale a pena ler Aqui as palavras do seu amigo João Tunes).