terça-feira, 18 de agosto de 2009
Critérios!?...
Enquanto pelo mundo se sucedem atrocidades contra a sobrevivência do planeta, se expulsam do seu habitat populações, se ignora a dimensão rural dos países e se propagandeiam manipulações que fazem a "agenda" da comunicação social, os pobres continuam mais pobres e agrava-se, dia-a-dia, o seu despojamento enquanto os "media" dão destaque à criação de "casos políticos", noticiando duas e três vezes a mesma notícia como se de duas ou três realidades distintas se tratasse numa clara evidência de que a estratégia política "joga" tudo na imagem comprometida de acordos político-partidários eleitoralistas e informais... como se a comunicação social fosse uma parte das forças em campanha!... sem qualquer requisito profissional de gestão do distanciamento e da objectividade, sem atender sequer aos interesses e direitos dos públicos a que pretende dirigir-se... disso tivemos exemplo, nos últimos dias, no nosso país, no tratamento do caso da crítica sofisticada a uma medida justa preconizada por José Sócrates que diz respeito às taxas fiscais a aplicar sobre rendimentos acima da média e que levou uma estação televisiva a recorrer ao testemunho de fiscalistas para provar que, quem tem mais de 10.000 euros de rendimentos mensais, após as deduções fiscais obtém 5.400 euros líquidos, montante considerado indispensável para despesas correntes de uma família!... fiscalistas que disseram ser "miséria" um ordenado de 1.000 euros!... o que dói é o absurdo de um insulto que se dirige desta forma à realidade social do país, onde a maior parte das pessoas não ganha 1.000 mensais... disso foi também exemplo o caso de, dois dias após o anúncio dos novos números do desemprego, a comunicação social anunciar, como se não se tratasse da demonstração sequencial e evidente desses números, o facto de ter aumentado, nos Centros de Emprego, o número de pessoas inscritas... entre outros!... entretanto, os problemas de fundo que a todos afectam e a discussão das suas possíveis soluções, ficam sem resposta e sem visibilidade, prova de que os dramas maiores das sociedades contemporâneas são remetidos para esse espaço de silêncio dos "sem voz" que justificou e continua, cada vez mais, a justificar a persistência da luta pela democracia, os direitos humanos, a liberdade e a dignidade humana... Em período pré-eleitoral é urgente conhecer o que pensam e o que estão dispostos a fazer os concorrentes candidatos ao exercício do poder... para que nos não defrontemos com trágicas
"soluções" como as de... Cabo Polónio!
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domingo, 16 de agosto de 2009
Memórias Recentes para refrescar a Memória...
... porque as Memórias têm, também, um carácter preventivo, "Infinita Maleza" de Manu Chao... para que se não esqueça e... não repita!
Leituras cruzadas...
As representações sociais são particularmente interessantes por evidenciarem, muitas vezes, dimensões do "não-dito", induzido, dissimulado ou inconsciente... é o caso da mais recente, infeliz e desnecessária exposição política do PS que não pode deixar de levantar dúvidas sobre o que pensam das mulheres, os defensores da paridade... de facto, depois da escolha de Joana Amaral Dias para mandatária de Mário Soares, é caso para pensar que um erro repetido é mais do que uma simples coincidência... No brevissimo post de Pedro Correia no Delito de Opinião, os comentários, dão uma ideia do que pensam os portugueses que não acreditam que o mérito resida na "fashion" ou no nome de família... de facto, a nomeação para mandatária da juventude, de uma pessoa que se pronuncia de um tal modo sobre a vida que dá a sensação de pertencer a um filme do tipo "Ironia e Mau-Gosto", merece, no mínimo, ser interpelada como o faz Sofia Loureiro dos Santos no Defender o Quadrado. Quando se pensa, dada a proximidade eleitoral, estar em causa o futuro da governação nacional e se assiste ao desenvolver de estratégias que justificam análises como a que Paulo Pedroso enuncia no Banco Corrido ou a que Valupi descreve no Aspirina B, sendo certo que, por razões a que alude o texto de Rui Paulo Figueiredo no Câmara dos Comuns, há um silêncio bilioso que espreita em busca de fragilidades para se aproveitar, maquiavelicamente, do que António Manuel Venda ilustra no Floresta do Sul é, convenhamos!, confrangedora esta "inutilidade" de última hora que, por uma daquelas complexas associações de ideias que podem até levar-nos a pensar no absurdo, me faz evocar as palavras de Miguel Vale de Almeida no Os Tempos que Correm.
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sábado, 15 de agosto de 2009
A Gravidade do Impacto Económico das Falácias Políticas
Ao anúncio do primeiro sinal de crescimento do PIB após 3 trimestres de queda contínua, seguiu-se a divulgação da actual taxa de desemprego: 9,1% ou seja, cerca de meio milhão de portugueses. A notícia, preocupante, teve um impacto social interessante: para a população em geral significou a confirmação das previsões que vinham a ser divulgadas desde que a crise deflagrou, não implicando, por esta razão, nenhuma surpresa extraordinária, nomeadamente porque os cidadãos têm uma noção clara da dimensão deste flagelo já que o vivem diariamente nas famílias e na gestão da sobrevivência; para a oposição, oportunista e sensacionalista, foi a oportunidade para, uma vez mais, demagogicamente, atribuirem culpas ao Governo por uma realidade que transcende em muito a capacidade de intervenção do Estado... porque o desemprego decorre da fragilidade do tecido económico, da ausência de criação de postos de trabalho, da falência das empresas - tal como a pobreza resulta da precariedade, da mobilidade e da flexibilidade laboral capaz vez mais atingida e exposta à exploração dos trabalhadores, vítimas do aumento incontrolado dos horários de trabalho e de uma assustadora e crescente prática de baixos salários... a título de enquadramento macro-económico contam-se, entretanto, como se não bastasse o que acabamos de sistematizar, ou melhor, na sequência destas realidades, as condições económicas inerentes ao deficitário investimento externo e ao recorrente endividamento externo assente numa reduzida taxa de exportações. É evidente por tudo isto que, quer a crise estrutural, quer, em si próprio, o problema económico nacional, não decorrem de uma legislatura. Mais, uma rede de problemas interactivos desta natureza cria uma espécie de bloqueio aos efeitos das medidas positivas que, conjunturalmente, podem alterar, sectorialmente, aqui e ali, a realidade. Por isso, sejamos sérios: antes de mais, reconhecendo que foi a persistente reivindicação político-partidária dos grandes defensores do mercado liberal que conduziu a economia às condições que configuram o panorama nacional; depois, denotando a consciência do papel dos compromissos comunitários e internacionais em que reside grande parte dos condicionalismos que conduziram à desmaterialização progressiva do aparelho produtivo nacional e, finalmente, mas não menos importante, quiçá determinante, o facto da alternância política em que o eleitorado vai apostando, numa lógica simplista de penalização do agravamento das condições de vida, que deita por terra esse recente e martelado argumento das maiorias govenamentais dos últimos 15 anos... porque uma maioria de 4 anos, seguida de uma maioria de sinal contrário por outros tantos anos, significa, nada mais, nada menos do que um jogo de soma zero que não permite a rentabilização das medidas políticas adoptadas pela governação e, consequentemente, a emergência dos seus efeitos e do seu impacto na vida dos portugueses. A gravidade das falácias políticas da oposição em que assentam as suas campanhas demagógicas e sensacionalistas é e será a principal responsável pelas dificuldades com que continuaremos a deparar-nos, no caso de não haver uma maioria socialista para governar... e digo uma maioria socialista porque o seu programa governativo, na sequência do que tem vindo a ser feito, é o único com garantias de execuibilidade ou seja, o que, no espaço de tempo de uma legislatura, pode concretizar medidas viáveis de recuperação económica, a mais urgente das quais é o combate ao desemprego e o atenuar dos efeitos do empobrecimento e da exclusão social que paira, como uma ameaça, cada vez mais próxima, sobre os portugueses.
(Este texto tem publicação simultânea nos blogues; Simplex, PNET Política e Público-Eleições 2009)
(Este texto tem publicação simultânea nos blogues; Simplex, PNET Política e Público-Eleições 2009)
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Uma luz ao fundo do túnel...

A economia portuguesa cresceu 0,3% no 2º trimestre de 2009. Apesar da prudência exigida pela fragilidade da situação e dos dados agora apresentados pelo INE, o facto é que, após 9 meses de contínuo crescimento negativo do PIB, um sinal positivo de saída da recessão técnica é agora, já não apenas uma esperança mas, uma realidade... como alguns economistas e jornalistas da especialidade notaram, podem ocorrer variações que conduzam, de novo, ao decréscimo económico mas, a capacidade de estagnar a descida do Produto Interno Bruto e de conseguir sinais mensuráveis de recuperação, é, de facto, assinalável... continuando presente no horizonte a sombra ameaçadora do desemprego, realidade para a qual alertaram já entidades patronais e sindicatos, é indiscutível o mérito deste sinal que, sem pretender, de modo algum, apresentar-se como indicador da ultrapassagem de uma crise estrutural para a qual não há soluções milagrosas, quer dizer imediatistas, confirma os resultados positivos do empenhamento do Estado na recuperação nacional... e se, por um lado, se pode atribuir grande parte deste sucesso a essa acção governamental de apoio à economia que deixa a descoberto a fragilidade da autonomia dos agentes económicos privados em geral, por outro lado, é evidente que a linha de intervenção económica traçada pelo Governo seguiu uma orientação adequada ao período conturbado que atravessamos. Sem erradicar a sombra dos tempos difíceis que atravessamos, fica pelo menos reduzida a falta de expectativas ao nível da recuperação económica e estimulado o reforço na confiança, essencial a investidores, empregadores e consumidores.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Uma certa rebeldia...
Há figuras carismáticas que, para o bem e para o mal, caracterizam o demasiadamente parco e repetitivo panorama do pensamento público nacional... Medina Carreira é uma delas... sobre a entrevista que acabou de dar ao jornalista José Gomes Ferreira na SicNot, acabei de escrever o texto: "Contributos para pensar o Estado Social Hoje".
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Imoralidades...
Pode ler-se aqui o texto que acabei de publicar no Simplex sob o título: "Imoralidades"...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Leituras cruzadas...
Hoje surgiu, com alguma surpresa da comunicação social, uma notícia de todos reconhecida, há muito, no nosso país: a classe média já não consegue enfrentar o endividamento e falha o cumprimento dos compromissos bancários. O problema é antigo e não faz sentido ser apresentado como se estivesse em causa uma novidade, apenas porque as instituições de gestão do endividamento reiteram uma realidade que elas próprias já tinham divulgado, há um bom par de meses... aliás, mais grave ainda, o Banco Alimentar Contra a Fome já referiu, repetidas vezes, que a ele recorrem famílias que integram, designadamente, médicos e professores... por isso, das duas, uma: ou médicos e professores não integram a classe média ou o que o Banco Alimentar Contra a Fome afirmou foi tomado de ânimo leve - como se fosse possível fazer afirmações desta natureza no caso de serem infundadas. Num país em que a relação entre custo de vida e desemprego é extremamente gravosa e em que todas as instituições vocacionadas para a assistência social registam o aumento em número e diversidade de utentes, os pobres de hoje não são os indigentes de ontem mas, entre eles, regista-se, face à desestruturada rede de apoios sociais que, as pessoas em idade activa, rapidamente, por extinção ou reestruturação dos locais de trabalho, se encontram em situações que podem vir a ser, face à estrutural mudança das suas vidas, os indigentes de amanhã... Uma reestruturação socio-económica é, cada vez mais, um imperativo nacional (veja-se o artigo de Carlos Santos no O Valor das Ideias), sob pena de realidades como a violência social e a criminalidade aumentarem exponencialmente... o fenómeno cuja dimensão se não esgota no nosso país (por mais que Paulo Portas se esforce em o associar à governação para rentabilizar, demagogicamente, a expressão popular do que o célebre Ricardo III de Shakespeare designou por "inverno do nosso descontentamento") assinala com evidência os efeitos dessa imensa crise económico-financeira que vamos reconhecendo como causa... a não ser assim, como poderemos justificar os surtos de violência urbana atribuídos aos jovens e as tendências registadas no que se refere ao aumento do défice em França (leia-se no Politeia, sobre este assunto, o texto de JMCorreia Pinto e, no que a um plano mais alargado respeita, o de Rui Herbon no A Escada de Penrose). Entretanto, enquanto se preparam os argumentos e a estratégia de campanha das forças políticas, Cavaco Silva assume, contrariamente ao que é requerido a um Presidente da República, um intervencionismo que, ao invés de contribuir para o reforço da confiança institucional de que os cidadãos precisariam, se limita a reforçar posturas partidárias do que é afinal o seu partido, "caindo por terra" o lema criado e adoptado pelo exercício dos seus antecessores, a saber: ser "Presidente de todos os portugueses"... da pertinência da questão, adquire-se uma imagem que vale a pena ter em consideração em dois textos que vale a pena ler: um de Valupi, no Aspirina B e outro, de JMCorreia Pinto no Politeia.
... e enquanto a sociedade avança com estereotipos que, por vezes inconscientemente, denotam as representações socio-culturais que determinam os nossos comportamentos (veja-se o significado do episódio de Hilary Clinton na República Popular do Congo que Maria João Pires destaca no Jugular ou o hastear da bandeira monárquica na Praça do Município, facto sobre o qual merece a nossa atenção o texto de Valupi no Aspirina B), desaparece deste "prime time" da política a preocupação primeira dos cidadãos: emprego, liberdade e garantias de continuação na inclusão social...
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Da Arte - da representação, da liberdade e da dança
... "Zorba, o Grego", um filme de 1964 inspirado na obra de Nikos Kazantkazis, realizado por Michael Cacoyannus e interpretado por Anthony Quinn e Alan Bates.
... a título de chave-de-ouro para este mosaico intitulado "Da Arte..."... pela Vida!
Da Arte . entre Tradição e Modernidade...
Do piano à blogosfera, a eternidade de um "Nocturno" de F.Chopin.
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Da Arte - do sentir, da voz e da partilha
Quando o poeta fala, a alma cala...
De: Pablo Neruda
Por: Pablo Neruda
Da Arte - do desenho, da ilustração e da trova
A música é a forma como ouvimos o silêncio das estrelas e o tempo o esboço do corredor da memória por onde caminhamos ao longo de uma história que é, afinal,
o património do que somos...
Música: "Nightingale" de Leonard Cohen
Ilustrações: Josephine Wall
Da Arte - entre a liberdade, a política e a música
"A arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade" (John Kennedy)
Da Arte - dos Contos...
"A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas; não, copiar a sua aparência" (Aristóteles)
Conto de: Óscar Wilde
Da Arte - a trilogia das imagens, das palavras e dos sons
"A arte é o sentimento das coisas humanas unido ao pressentimento das coisas divinas"
(D'Yzarn in "Les Yeaux D'Yzarn" de Jean-Jacques Rouch)
Música: Tarrega
Poema: Pablo Neruda
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Da Arte - entre a pintura e a filosofia...
... há, entre as artes, pontes que tornam uno o pensar e o dizer sobre as mais diversas formas de expressão...
... aqui, através da "Maternidade" de Almada Negreiros e a citação de F. Schiller, fica a analogia do que designarei por... "O Início":
"A arte é a mão direita da natureza. A última só nos deu o ser mas, a primeira tornou-nos homens"
domingo, 9 de agosto de 2009
Da Arte como política de celebração da vida...
A "Valsa" de F. Chopin... ou de como a poesia se fez música... para sempre!
Prémios Comprometidos Y Más 2009...

Sustentabilidade É Acção é um trabalho de referência no panorama da blogosfera envolvida na defesa da vida e do planeta. Um blog útil e indispensável para a promoção militante da qualidade de vida... por tudo isso e pelas razões que lhe são adjacentes, A Nossa Candeia ficou feliz com a distinção que lhe foi atribuída, ao integrar a lista de agraciados com o Prémio Comprometidos Y Más 2009. Uma Causa internacional e prioritária como é a Sustentabilidade Ecológica que envolve os cidadãos, convicta de que os actos individuais são hoje uma fonte fidedigna de militância por um mundo melhor, justifica o reforço da sua divulgação... nesse sentido, dando continuidade a este trabalho, A Nossa Candeia prolonga esta distinção, tal como foi sugerido, a 15 blogues que passo a indicar, por ordem alfabética e tentando não repetir os já agraciados:
sábado, 8 de agosto de 2009
A arte e a alma de um povo...
Há figuras assim, incontornáveis... com linguagens próprias, únicas como uma pele... Raul Solnado foi assim... conheci-o com 5 anos, nos ecrãs da televisão a preto e branco, num programa chamado "Zip-Zip"...
(este genérico foi retirado do YouTube onde se pode ler que terá sido transmitido apenas uma vez porque o Major Baptista Rosa, decisivo para a transmissão do programa quando corria o ano de 1969, abandonou a equipa... manteve-se o símbolo do Zip-Zip, o boneco mais giro do Portugal triste de então)
... e foi no Zip-Zip que ouvi a mais fabulosa rábula sobre a guerra... a Guerra Colonial de que, à época, se não podia falar e que trazia no seu âmago duras realidades, essas sim, indizíveis como só as dores das mães e das mulheres sabiam reconhecer na partida e na ausência dos filhos da terra, meninos arrancados à vida rural de um país pobre que nunca tinha férias ou viajava... meninos que iam perder a inocência para uma guerra que não era a sua e de que nunca voltariam intactos. Raul Solnado disse tudo isso... num tempo em que, repito, se não podia falar. Pela coragem e pela arte de uma vida que se tornou parte da alma de um povo, obrigado Raul!
(este genérico foi retirado do YouTube onde se pode ler que terá sido transmitido apenas uma vez porque o Major Baptista Rosa, decisivo para a transmissão do programa quando corria o ano de 1969, abandonou a equipa... manteve-se o símbolo do Zip-Zip, o boneco mais giro do Portugal triste de então)
... e foi no Zip-Zip que ouvi a mais fabulosa rábula sobre a guerra... a Guerra Colonial de que, à época, se não podia falar e que trazia no seu âmago duras realidades, essas sim, indizíveis como só as dores das mães e das mulheres sabiam reconhecer na partida e na ausência dos filhos da terra, meninos arrancados à vida rural de um país pobre que nunca tinha férias ou viajava... meninos que iam perder a inocência para uma guerra que não era a sua e de que nunca voltariam intactos. Raul Solnado disse tudo isso... num tempo em que, repito, se não podia falar. Pela coragem e pela arte de uma vida que se tornou parte da alma de um povo, obrigado Raul!
... foi preciso ainda um bom par de anos até que eu pudesse perceber a rábula de Raul Solnado, intitulada "A Guerra de 1908"... foi preciso ter encontrado meninas que se queixavam de não saber notícias dos irmãos que tinham ido para a guerra e visse procissões de mulheres que faziam promessas para que os soldados voltassem bem, inteiros e com saúde... foi preciso ouvir com atenção as mensagens de Natal e Ano Novo que os "rapazes" portugueses debitavam com coragem, rapidamente, aos microfones da televisão, a garantir às famílias enlutadas na alma que estavam vivos ainda que longe, no meio da mata - uma mata que o Zeca Afonso cantou e disse tão bem, na sua imortal canção com o mesmo nome... foi preciso o 25 de Abril!... para que eu, então já com 10 anos, percebesse a alegria incontida das pessoas com o fim da guerra... só depois, quando voltei a ver Raul Solnado na televisão e recordei a sua rábula, compreendi a sua inesquecível grandeza! ... Ao Raul, a minha sentida e sincera homenagem!
O Sudão, afinal, está vivo!

A discriminação sobre as mulheres e os Direitos Humanos continuam como uma das frentes da batalha que todos travamos diariamente por todo o mundo. Da violência doméstica que, finalmente!, alcançou visibilidade na opinião pública aos crimes de guerra que justificaram o alerta de hoje do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban-ki-Moon, as mulheres continuam a ser as maiores vítimas dos atentados contra a liberdade e a igualdade. No Sudão, uma jornalista, Lubna Ahmed al Husein, foi chicoteada 40 vezes, em sinal de humilhação pública, por usar calças. O castigo, inicialmente imposto de 10 chicotadas, foi aplicado a um grupo de mulheres que conversavam, vestidas com trajes ocidentalizados e considerados vergonhosos pela sociedade sudanesa que há cerca de 30 anos está sujeita à chamada "lei islâmica"... as mulheres podiam escolher ser chicoteadas uma dezena de vezes, de imediato, no acto de "flagrante delito" ou não aceitar o castigo, expondo-se à possibilidade de serem chicoteadas publicamente mais tarde 40 vezes, em caso de não obterem anulação da pena (ler AQUI). Foi o que escolheu a jornalista que, felizmente!, foi agora objecto de uma manifestação de solidariedade realizada no próprio Sudão e de que se pode ler um relato AQUI... Um castigo que acabou por servir uma boa causa. Obrigado, Lubna! A tua coragem serviu para mostrar que, afinal, o Sudão está vivo.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Resistir à Demagogia...
A propósito da ética da responsabilidade em Portugal, é importante destacar exemplos de boas práticas contra a demagogia... mesmo que não correspondam a tudo o que desejariamos ver anunciado e praticado no país que queremos melhor para todos... um país onde as mudanças vão acontecendo, mais lentamente do que seria desejável, é certo mas, no contexto da estrutural tensão entre o hábito e a inovação que caracteriza a dinâmica social. Os acontecimentos que marcam os últimos dias e semanas em nada têm contribuido para o capitalizar da esperança... contudo, a desesperança, o negativismo e a gratuitidade demagógicas não são, de modo algum, a melhor forma de ultrapassar a crise socio-económica da actualidade... de alguns pequenos exemplos retiramos centelhas dessa mesma esperança sem a qual se tornará, também por nossas mãos, mais difícil, conquistar o futuro... bom senso e auto-estima, precisam-se!... para nos protegermos da tentação demagógica!... (ver AQUI).
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Celebrar a Vida é Condenar o Extermínio...
Uma Lua Cheia, côr de ouro velho acabado de limpar, ergue-se na tela azul forte do céu sobre o Tejo e sorri à humanidade... a beleza reflexa do sol que nela se encaixa, apaga todas as lágrimas, todos os medos, todas as dúvidas... e dá voz ao pensar que acompanha os nossos olhos erguidos e gratos, pela natureza com que aprendemos o indizível espanto de amar a vida...
... a vida em nome da qual não poderemos ser cúmplices da demagogia que apregoa como "limpos" os resíduos de uma produção energética que matou massivamente, faz hoje 64 anos, em 1945, em Hiroshima e Nagasaki repetindo a crueldade, por um irreversível e fatal incidente acidental que, há 23 anos, em 1986, aconteceu em Chernobyl... hoje, todos nós, humanos e conscientes e a própria democracia, enquanto escola de cidadania, temos a obrigação de, por todos os meios, não deixar esquecer...
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Leituras cruzadas...
Enquanto se incendeia o ódio que a pobreza, a fome e o obscurantismo alimentam em espaços menos longínquos do que se pode imaginar, localizados em pontos estratégicos do planeta, que podendo unir, separam civilizações, povos e culturas (vale a pena ler o texto de JMCorreia Pinto no Politeia sobre o Afeganistão), vivemos a Democracia, no nosso país e na Europa, como se de um dado adquirido se tratasse, ignorando o violento potencial que os conflitos sociais arrastam, de formas mais ou menos evidentes. E de tal modo é grave e opaco este pressuposto que não se vislumbra, entre os protagonistas partidários portugueses, uma visão de presente ou de futuro reveladora de valores e princípios inequívocos e universais, constatando-se, por exemplo e com estranheza, entre a direita e a esquerda, a proclamação de interpretações e opiniões verdadeiramente chocantes. Refiro-me ao profundo e assustador equívoco que, do PSD ao BE, tem vindo a ser afirmado publicamente, a propósito da legitimidade de candidatura de arguidos a actos eleitorais... porque, na realidade, o princípio da presunção de inocência não seria minimamente "beliscado" se os arguidos não fossem candidatos; sê-lo-ia se e apenas se, no caso de serem candidatos, ao longo do processo de candidatura, viessem a constituir-se como arguidos, sendo afastados dessa candidatura, assumida e exclusivamente, por essa razão. A questão dos princípios que, supostamente, separaria a honestidade intelectual que se requer à política, da permeabilidade à corrupção e ao corporativismo, fica posta em causa, nestas considerações que já foram defendidas em primeiro plano nas televisões, por líderes políticos como Guilherme Silva ou Francisco Louçã, porque a confiança dos cidadãos e a credibilidade nos valores e nas instituições, surge lesionada pela secundarização do interesse público, refém do apoio de um grupo a um dado cidadão - apoio esse que, em alguns casos se tem demonstrado válido pela aferição da sua inocência mas que, noutros, tem resultado em situações inequivocamente graves (lembremo-nos do caso BPN e Dias Loureiro)... Vivemos de facto uma realidade virtual de que pouca conta nos damos, entretidos no jogo de espelhos da política, da tecnologia e da mediatização... ao ponto de um princípio geral do direito (a presunção de inocência) ser invocado para justificar opções que, pelo seu carácter deferido no tempo, condicionam o voto à incerteza do carácter e do cumprimento de compromisso com boas práticas que é suposto conduzirem o processo de escolha dos eleitores... compreende-se assim que, considerando o que tem ocorrido no processo de elaboração de listas dos partidos às próximas Eleições Legislativas, no Delito de Opinião tenham surgido dois sintomáticos textos, um de Sérgio de Almeida Correia intitulado "Política de Verdade ou a Verdade da Política?" que ilustra o distanciamento da política relativamente à ética e, outro, de João Carvalho, "Tudo pela Derrota?" que, numa perspectiva alargada, reflecte o paradoxo a que chegou a vida partidária, na senda de uma ânsia de poder capaz de não prescindir de compromissos internos mais ou menos claros, em detrimento da transparência pública que se exige às eleições, desvalorizadas ao ponto de um dos maiores partidos só disponibilizar os seus conteúdos programáticos quando faltar apenas um mês para o acto eleitoral, adiando até ao limite as respostas que os cidadãos procuram, como evidenciam as que se colocam no texto de Carlos Santos no O Valor das Ideias. Felizmente, o mundo não pára aqui e vão, apesar de tudo, chegando notícias do contínuo esforço em repensar o mundo (como nos demonstra Rui Hebron no A Escada de Penrose) e investir na prevenção das catástrofes e na preservação do planeta, da vida e do património (como se comprova no Sustentabilidade É Acção, de Manuela Araújo).
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Hiroshima, Hoje!

Dia 6 de Agosto, partir das 19h, no Largo de S. Domingos, em Lisboa, assinala-se o 64º aniversário do Bombardeamento Nuclear de Hiroshima, ocorrido no dia 6 de Agosto de 1945... três dias depois, foi bombardeada a cidade de Nagasaki.
PARA QUE NÃO ESQUEÇA!, entre música, arte e presenças de paz, cívicas e solidárias que significam: HIROSHIMA NUNCA MAIS!...
... queremos dizer, por tudo isso e pelo futuro: NUCLEAR? NÃO OBRIGADO!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
A Política - entre o abuso do poder e a ausência da ética
A ser verdade o que é noticiado no texto de Paulo Ferreira no Câmara dos Comuns, comprovam-se os pressupostos das redes interpessoais como factor decisivo para a persistência e disseminação da corrupção em Portugal e, consequentemente, de algumas dificuldades que podem concorrer para a conhecida lentidão da justiça no nosso país. Infelizmente, já quase não surpreendem este tipo de revelações, dada a persistência com que se verifica a permissividade dos costumes ao nível da ética política que tem, no caso de Isaltino de Morais, um exemplo paradigmático e assustador na medida em que evidencia a total incapacidade de respeito não só com as instituições mas, acima de tudo, com as populações... longe vão os tempos em que, por uma simples suspeita, muito antes da sua própria exploração, as pessoas se demitiam com dignidade, sem sequer aguardarem a prova da sua inocência... hoje, a auto-estima dos políticos permite-lhes, na senda do exemplo de Berlusconi e estimulados por provocações do género das que Alberto João Jardim costuma protagonizar, sem que a própria classe política ou as instituições da República se pronunciem em termos de apreciação ou recomendação, a insistência na ocupação abusiva do poder, aproximando Portugal de uma espécie de mexicanização que, perigosamente, arrisca tornar-se banal aos olhos da opinião pública e da comunicação social, fragilizando, excessiva e contraproducentemente, a democracia...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Exemplos úteis...
Há notícias que demonstram que nem toda a política é temerosa ou egoísta e que pode, ainda hoje, constituir-se como exemplo da dignidade que lhe presumimos pela efectiva prioridade que o interesse das populações lhe merece... disso é exemplo a que podemos ler: AQUI.
domingo, 2 de agosto de 2009
Uma Alegoria Cultural para a problemática da Identidade Política
Permitam-me a alegoria... uma alegoria construida a propósito da dança, enquanto expressão cultural, entre a etnia cigana, num processo ilustrado em 3 momentos que culminam com uma "chave" (4) para o entendimento do que se pretende transmitir com a sua evocação... uma alegoria que me ocorreu a propósito da ideia da convergência e da resistência que a mesma cria, como se lhe fossem inerentes alguns anti-corpos... uma alegoria que emerge porque, convém lembrar!, a identidade é sempre, num contexto dialéctico, uma síntese que, pela sua própria natureza, se caracteriza pela miscegenação em que se pode decompôr e de que resulta, como unidade... dito de outro modo, o contacto com a diversidade não significa a perda da identidade ou, como o disse, no século XVIII, Lavoisier: "na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma" - pensamento que, a partir da química, abriu caminho à lenta percepção social de que, pelo contrário, a interacção é motor de desenvolvimento, de adaptação e enriquecimento... porque, a aculturação não é, exclusiva e necessariamente, uma violência (apesar de nos surgir tantas vezes nas suas formas extremas, a saber, genocídio e etnocídio)... e porque, em particular no mundo de hoje, impedi-la é quase uma impossibilidade...
1 - Dança cigana - Índia (Rajastão):
2 - Dança cigana - Turquia:
3 - Dança cigana - Rússia:
4 - "Chave" alegórica:
Lições da Crise - procuram-se!
Depois da eclosão da crise cujos reflexos económicos estão ainda em desenvolvimento por todo o planeta, urge perguntar: quais as lições que, efectivamente, resultam desse terramoto da arquitectura financeira que afectou inequivocamente o sistema bancário em que assenta o crédito institucional e privado?... apesar de todas as reflexões provocadas no decorrer do que se receou ser a "hecatombe" que conduziu, por um lado, ao ressuscitar de marxismos, keysianismos, supervisões, regulações e intervenções dos Estados, e, por outro lado, à crítica desassombrada de neoliberalismos, capitalismos, mercados, banca e off-shores, a questão que se coloca é a de saber que conclusões consensuais se retiraram da gravidade desta ocorrência e que medidas serão adoptadas, de factum, pelas instituições internacionais e nacionais no sentido de recuperar a confiança no sistema e de restaurar os mecanismos processuais da liquidez que garante o investimento e o consumo... Face às elevadas (e está por provar se realmente sustentáveis) taxas de desemprego e endividamento, ao aumento exponencial da pobreza e ao desinvestimento social em todas as dimensões da vida societária com excepção dos meios de subsistência, assiste-se, com estranheza!, ao silêncio público dos protagonistas políticos, económicos, financeiros, intelectuais, científicos e sociais sobre o assunto... estranheza maior porque foi consensual o reconhecimento da necessidade de adopção de novos modelos de gestão -mesmo entre os defensores do mercado sem regulação que caracteriza o conhecido "capitalismo selvagem" que, face à realidade, caiu "em desgraça"... de Obama ao G8, de Sarkozy a Durão Barroso e Angela Merkel, em reuniões e cimeiras diversas, o problema assumiu contornos de prioridade internacional... contudo, nem as medidas de supervisão do sistema bancário que todos acordaram em promover, voltaram a ser notícia... nem a determinação em proibir todo o tipo de off-shores... e menos ainda o foram as propostas de apoio à articulação de programas de apoio ao investimento e ao consumo dos cidadãos... mais grave nesta ilacção que retiramos de uma espécie de constatação de incapacidade de, inteligentemente, aprender com a crise, é o facto de ser conhecida a existência de instrumentos susceptíveis de serem direccionados para a resposta à crise: fundos comunitários, incentivos bancários, micro-crédito... o que falta é a redefinição de regras, no sentido da sua adequação, justa e acessível, às necessidades, competências e capacidades das pessoas... falta afinal, intervenção política!... em período eleitoral, depois de perdida a oportunidade de pensar conjunta e seriamente o problema em Junho passado, antes das Eleições Europeias, seria meritório e interessante que o debate fosse agora promovido... para se desmascararem demagogias e para se apresentarem propostas viáveis e eficazes, reconhecidamente úteis para a vida dos cidadãos... para se combater a abstenção, para se voltar a acreditar na política e na governação mas, acima de tudo, para se devolverem condições de vida dignas às populações.
Rara e eterna...
... na voz de Nana Mouskouri e Serge Lama, a nossa humanidade sussura: "Parle moi..."
sábado, 1 de agosto de 2009
Mais de três décadas de um mesmo grito...
A natureza humana encontra sempre expressão para os seus anseios... anseios comuns, pensamentos diversos e uma eterna reconstrução da esperança... Sísifo somos nós todos, perante a realidade...
Três composições musicais separadas por 40 anos... Entre Miles Davis, Elvis Costello e Joe Cocker, uma sonoridade comum: a da proximidade entre singular e universal, individual e colectivo...
... uma proximidade que se encontra na continuidade de um sentido construido com palavras, sentimentos e expressões que emergem da arte, ultrapassam o tempo e deixam registo da nossa profunda, frágil e digna humanidade...
"Não podemos ignorar..."

"Aos 58 dias" é o título do texto que acabei de publicar e que pode ser lido AQUI... porque os cidadãos não deixam de ver o que se dissimula sob o ruído da retórica...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
Leituras cruzadas...
A ética política que caracteriza o panorama público português tem o seu melhor exercício no caso que Valupi tão bem intitulou com a criatividade habitual: "Louçã tem Dias" e que se pode ler no Aspirina B... concorre para dificultar o caminho à esperança da lucidez, a notícia que deu origem ao bem humorado "Ternura é (9)" de Carlos Barbosa de Oliveira no Delito de Opinião e, na senda da actualização dos absurdos, extensível às mais distintas realidades, vale a pena ler os textos de Cipriano Justo no Eleições 2009 e de Fernando Cardoso no Ayyapa Express. Face a esta breve mas sintomática, coexistente e sucessiva corrente factual, vale, também por isso, a pena, reconhecer um mínimo de decência na forma como está a ser conduzido o processo de que dá nota João Abel de Freitas no Puxa Palavra... e lavar a alma na melhor prosa portuguesa de que João Tunes dá exemplo no Caminhos da Memória.
A História - coexistência e sucessão de estórias...
Um alerta... retratos, testemunhos, ideias, imagens e práticas... para construir o reconhecimento da realidade e perceber os valores a que a História nos conduz...
A Nitidez...
"O meu olhar..." de Alberto Caeiro...
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Entre a precipitação e a irritabilidade...
Entre a precipitação e a irritabilidade, ficam excessos e inutilidades... lamentáveis! ... de que são exemplo, entre tantos outros, a afirmação gratuita feita em Chão da Lagoa por Alberto João Jardim que resolveu agora dizer que "é preciso lutar contra o fascismo",reiterando a falta de discernimento habitual em que o recurso à palavra se resume a uma pobre estratégia de manipulação populista... ou a argumentação excessiva e demagógica da mais recente polémica mediática alimentada pelo líder do BE, Franciso Louçã, sobre a qual escrevi um texto que pode ser lido AQUI.
domingo, 26 de julho de 2009
Democracia Representativa - Programas e Candidatos - um olhar entre a Renovação e os Sindicatos de Voto

A apresentação dos programas partidários assume, por estes dias, particular destaque, uma vez que o seu teor representa o enunciar das políticas que podemos esperar ver defendidas e executadas pelos seus protagonistas... minimalista, o programa do PSD resume-se a um documento que contorna uma exposição clara e necessária de princípios, regras e medidas, substituindo-o por uma espécie de sumário, breve e vago, de afirmações cujo objectivo é, apenas, evidenciar a oposição ao PS... por esta razão, torna-se quase incontornável a questão da "agenda escondida" a que já me referi em textos publicados nos blogues Eleições 2009 do Público e PNET Política (para os quais fiz, aqui mesmo, ligação) e que JMCorreia Pinto colocou no Politeia de forma clara, chamando a atenção para a vertente presidencial do problema que, apesar de pouco discutida é, de facto, no contexto político actual, muito pertinente. Nos dias que correm, em plena crise social e económica, é confrangedor verificar que um dos partidos a quem o eleitorado confere geralmente resultados significativos, recorre à técnica das alusões e do não-compromisso, para ocultar o sentido e o significado económico-social e político das medidas que pensa vir a adoptar, adiando o momento da sua revelação para efeitos de manipulação de uma opinião pública que, como sempre acontece em tempos de crise, procura a acusação fácil contra a governação actual, refugiando-se na apologia linear e gratuita da oposição; por outro lado, é lamentável que, esse mesmo partido, numa opção demagógica e sectária na escolha de candidatos que, por exemplo, exclua ostensivamente algumas das suas mais-valias, denotando afinal a presumida homogeneidade de opinião que a sua líder tão bem representa... Entretanto, no que ao Partido Socialista se refere e apesar das Bases Programáticas do seu Programa investirem na promoção de indispensáveis Políticas Sociais que marcam, transversalmente, as restantes áreas da governação e sem as quais o eleitorado se não reconheceria como objecto da sua proposta política, é notória a ausência de um debate assumido sobre algumas das mais polémicas questões da legislatura que agora termina e que devem ser repensadas, nomeadamente para efeitos de agremiação da esquerda no sentido de ser alcançada uma vitória eleitoral em Setembro... entre elas, o Código do Trabalho. Contudo, a despeito do calendário em curso, incontornável e urgente como temática a integrar a agenda setting da discussão política, encontra-se um tema suspenso que é, incontornavelmente, a análise de uma das mais sérias questões da democracia representativa, a saber: o processo de constituição de listas à AR, orgão maior da Democracia. Que critérios, que estratégia e que objectivos definem a selecção e organização partidária das listas de candidatos a deputados?... o problema é particularmente importante porque estes candidatos, mais do que simples cidadãos da confiança dos aparelhos partidários, locais, regionais ou nacionais, deverão ser representantes dos interesses cívicos dos cidadãos com competências para o efeito, condição de que depende o grau de confiança e credibilidade do eleitorado... por isso, não se percebe que, no quadro da democracia representativa, a não ser por motivos de manipulação através do uso da imagem e em detrimento da substancialidade política, um partido que pretende vencer eleições, negligencie redutoramente a visibilidade de políticos reconhecidos pela qualidade do trabalho desenvolvido, de craveira e obra feita, reconhecidos pela Esquerda e não só, como pessoas sérias, empenhadas e eficazes na defesa de matérias como os Direitos, Liberdades e Garantias (é o caso do Presidente da 1ª Comissão Parlamentar, Osvaldo Castro) ou a Comunicação Social (é o caso de Arons de Carvalho)... a questão que devemos colocar e que importa perceber é se, sob a aparência de um projecto de renovação os partidos continuam -ou não? - simplesmente, a cumprir os preceitos da constituição dos "sindicatos de voto" garantidos a priori nas federações, para efeitos de cristalização do exercício do poder, reproduzindo a velha estratégia de trazer para o palco nacional, pessoas que nem as populações que, presumivelmente devem representar, reconhecem como adequadas à defesa dos seus interesses e necessidades?!... O problema é, efectivamente, um problema sério que desemboca no reconhecimento cívico do papel da democracia representativa. Todos o sabem mas, poucos o querem discutir e enfrentar... e quando surgem as oportunidades para proceder em conformidade com esta consciência, é lamentável perceber que a pretensa renovação repete os erros do passado, ficando os cidadãos sem perceber as razões que levam a que um partido com as responsabilidades e as ambições políticas do Partido Socialista, insista nesta lógica empobrecedora da transparência, da meritocracia e da seriedade democrática!...
sábado, 25 de julho de 2009
Fartos!... mesmo muito, muito fartos!
"No Irão morreram mais de 20 pessoas em protesto contra os resultados eleitorais e exigindo mais democracia. As liberdades fundamentais foram suspensas. Nas Honduras, militares golpistas extraditaram o presidente democraticamente eleito. Os protestos já geraram duas vítimas mortais. As liberdades fundamentais foram suspensas. Na China, 140 pessoas morreram em protestos contra a suposta hegemonia de uma etnia. 1400 pessoas foram presas e as liberdades fundamentais foram suspensas.
Estamos fartos disto! Estamos fartos de repressões e ditadurices. Estamos fartos de desrespeitos claros aos mais básicos direitos fundamentais. Estamos fartos de ver a liberdade ser suspensa. Estamos fartos de ver a democracia ser adiada em tantos países. Estamos fartos da paz ser constantemente hipotecada. Não pode ser! Estamos fartos e, dentro das possibilidades de cada um, vamos fazer barulho por isso! Temos dito!"
Este texto é um contributo para a iniciativa da ATTAC Portugal: www.fartos.net a que já aderiram, na sequência do repto lançado, muitos e interessantes blogues. De acordo com a sugestão feita sob a forma de corrente, a qual integro na sequência do desafio de Carlos Santos em O Valor das Ideias, também eu lanço o repto, nos termos em que esta manifestação de solidariedade está organizada, a 12 blogues amigos, procurando não repetir aqueles que já foram indicados por anteriores adeptos desta causa:
Água Lisa
PuxaPalavra
Praça Stephens
Sustentabilidade é Acção
O País do Burro
Ali-Se
Forum Palestina
Irrealidade Prodigiosa
Tocando sem Tocar
Vermelho Côr de Alface
A Estrada da Miss
Abluente
sexta-feira, 24 de julho de 2009
SimpleX...
Fiz hoje a minha estreia no SimpleX... das razões que assistem a esta colaboração, redigi o breve testemunho que podem ler AQUI.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Nota Prévia a eventuais Projectos de Revisão Constitucional...
"O Caso Mental Português" é uma espécie de manifesto sociológico da autoria de Fernando Pessoa cuja pertinência e actualidade justificam a sua evocação em contextos diversos... desta vez, a propósito da polémica suscitada pelas mais recentes declarações públicas de Alberto João Jardim. evoco-o num texto que se pode ler AQUI.
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domingo, 19 de julho de 2009
Mistérios...
Na sua heteronímia, Fernando Pessoa escreveu:"(...) O único mistério das coisas é elas não terem mistério nenhum (...)"... foi, segundo penso, exactamente por isso, que os homens criaram a poesia e a ficção... para pintarem com sonhos, lendas e fantasias a beleza simples da realidade quando, crianças de olhos cansados, a não conseguem já, só por si, reconhecer.
Observação: este post é um contributo para a celebração do dia 20 de Julho, data em que, há 40 anos, os Homens desceram em pleno solo lunar!
sábado, 18 de julho de 2009
A Democracia Ameaçada...
Acabei de publicar no blog do Público, um texto sobre a nuvem de ameaças políticas que, neste momento, ensombra com gravidade o regime democrático... o texto pode ler-se AQUI.
Alegoria Contemporânea...
... numa espécie de galeria apocaliptica... com "Apocalypticodramatic" dos Tryo... no albúm "Ce que l'on séme"...
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A Corrupção...

Quando se fala da corrupção em Portugal, alegam-se procedimentos, apontam-se factos e critica-se a impunidade do crime seja o do tráfico de influências ou uma qualquer das suas formas mais activas... depois... depois, estranha-se esta mesma impunidade, esta negligência, os "brandos costumes", a cumplicidade, a aceitação tácita, a tolerância e a desculpabilização que assenta, quase sempre, na falta de provas... raramente se evoca o fundamento cultural desta interiorização do que a sociedade global contemporânea caracteriza como corrupção - e que a Lei reconhece como tal - mas que, no contexto da sociedade tradicional e rural de há 40/50 anos cujas raízes se prolongam até aos nossos dias, correspondiam a simples modos funcionais de exercer o controle da organização societária não perspectivados como tal mas, pelo contrário, como a ordem "natural" (leia-se: habitual) das coisas... O interconhecimento, as relações de parentesco constituídas em redes alargadas de consanguíneos, parentes por afinidade ou por simples motivações correlativas à vizinhança e à territorialidade marcavam a lógica de recrutamento e selecção dos actores, designadamente, na área da política... e é aqui que reside a dificuldade de levar à prática, de forma efectiva, "no terreno", o combate à corrupção... porque num país pequeno como é o nosso, onde os principais detentores de riqueza trazem como fundamentos da memória a realidade transviada e demagógica da sua vivência socio-familiar e onde o acesso ao poder se mantém próximo do exercício do poder económico, factores como o interconhecimento, o parentesco e a vizinhança (lato sensu) determinam ainda o modelo pelo qual se rege o "corpo" dos agentes activos nos desempenhos públicos e privados... são filhos dos filhos e netos, sobrinhos, primos e outros colaterais quem, de facto, domina o desempenho dos cargos públicos... por presumível transmissão de carácter? por eventuais e demagógicas lealdades?... a que preço?... ao preço do constante adiar da construção e institucionalizão dos procedimentos técnicos que visam a sua imparcial e equitativa homogeneidade, no quadro de uma efectiva igualdade de oportunidades... em Portugal, como em muitos outros países, de forma mais ou menos flagrante, rejeita-se o esforço de aplicação de metodologias e princípios de trabalho ao serviço de uma cada vez mais indispensável meritocracia, na medida em que essa opção feriria sempre - ou pelo menos numa probabilidade muito elevada - as redes sociais da sociedade rural e do interconhecimento, em que a corrupção se gere como uma espécie de reciprocidade cuja avaliação fica afinal, exclusivamente dependente de si própria ou dos protagonistas que a eternizam... ... é isto que me ocorre dizer: enquanto a cobardia deixar reféns os dirigentes nacionais da sua rede de favores, não será fácil vencer a luta contra a corrupção... até porque, perante os valores tradicionais, esta não é reconhecida como tal... a questão é, de facto, mental e de natureza cultural, razão pela qual só assitiremos à sua ultrapassagem quando interiorizarmos os valores que deveriam estar presentes no senso-comum, muitos dos quais, apesar de consignados na Lei, não participam ainda das nossas práticas, afastadas, de facto, dessa construção social da esperança que, de há muito, andamos, sem sucesso, a tentar aferir...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Da Extrema-Direita à Negligência dos Brandos Costumes!

Ao contrário do que os comentadores têm vindo a dizer, mesmo os que se pretendem políticos, politólogos ou intelectuais, não considero que as palavras sejam negligenciáveis, particularmente quando são a expressão incontida e evidente da autenticidade do pensar... refiro-me às declarações de Alberto João Jardim que denotam o seu apelo a um Golpe de Estado através da concretização de uma revisão constitucional que, de há muito, advoga e que, a todo o momento evoca... haverá de facto uma agenda escondida do PSD para o caso de alcançar a governação?... espero que os cidadãos tenham o discernimento de intuir e compreender o problema, deixando de escamotear a realidade com demagogias gratuitas... de facto, considero que se trata de uma revelação extraordinariamente grave pelo dito e o não-dito que nela se arrasta! Não, não se trata de alarmismo... na Itália chegou ao poder, por mais de uma vez eleito um homem que os mais tranparentes valores democráticos excluiriam sempre da representação pública de um povo, no Parlamento Europeu presidido por um polaco estão hoje sentados 35 eurodeputados de extrema-direita e, em Portugal, a dar sinal de uma vitalidade clandestina, soa de novo a voz terrível de Alberto João Jardim que não é, podem estar certos!, um ingénuo ou um brincalhão gratuito... aliás, estou, neste momento, a ouvir na SICNotícias, Pacheco Pereira dizer que a afirmação de Jardim "não é estapafúrdia" porque a ideia está a ser discutida "nas instituições europeias" e Lobo Xavier a dizer que concorda com Alberto João Jardim porque "não há condições para retirar a condenação das organizações fascistas da constituição... e chamo a atenção para a desigualdade constitucional que isso representa... em relação às ideologias comunistas"... ainda pensam que eles andam a brincar?!
Timor - um caso de ambivalências estratégicas...

O recente anúncio público sobre as tensas relações dos militares portugueses da GNR com o poder, os grupos políticos e a população em Timor-Lorosae, justifica a abordagem da ambivalência relacional do poder político timorense com os seus aliados, nomeadamente com os que estão "no terreno"... a situação geo-estratégia de Timor não pode, de facto, resistir à influência dos contextos relacionais de vizinhança tal como nenhum país pode escapar à influência regional - excepção a esta realidade é o caso de Israel e todos sabemos a que preço... um preço duplo que passa pela violentissima e continuada agressão do povo palestiniano e, por outro lado, pela dependência de um proteccionismo externo de que os EUA têm sido os principais protagonistas em troca de serviços menos transparentes que a História se encarregará de divulgar!... mas, regressando à questão timorense, registe-se a força das circunstâncias e a correlação de forças que, no plano interno podem, neste contexto, explicar (sem que esta explicação justifique a tolerância, o silêncio e o relativizar das ocorrências) a forma de tratamento de que, neste momento, são objecto os soldados portugueses que aí se encontram em "missão de paz". A negociação de apoio político internacional para a independência de Timor-Leste encontrou em Portugal o espaço ideal, sob alegações de uma partilha afectiva de um passado histórico (que branqueou completamente a relação colonial entre os dois países e os dois povos - como se fosse possível "apagar" a História) e, fundamentalmente, pelo apelo ao uso de uma língua comum (que hoje é evidente não ter, de modo algum, expressão potencialmente dominante) e à prática de uma religião comum... A verdade é que o factor determinante do apoio português massivo à causa timorense foi, indiscutivelmente, a Igreja Católica... e, mais uma vez, como repetidamente ao longo da História, este apoio assentou nessa auto-representação da Igreja que persiste em investir na "expansão da fé", sonhando o evangelizar da Ásia, particularmente, da Ásia islâmica de que a Indonésia é exemplo maior... para além do projecto megalómano que reproduz os estereótipos dos fundamentalismos, enquanto projectos culturais hegemónicos, a Igreja arrastou os portugueses nesse "espírito de missão" de que o "cantar" de um "passado glorioso" é responsável, no mais profundo inconsciente da sociedade portuguesa, ao qual o próprio poder político nacional não resistiu num ímpeto de filantrópica boa-vontade que, de um eventual imaginário relativo ao retirar de dividendos do potencial de recursos naturais timorenses, rapidamente desistiu, percebendo que os custos e a própria disponibilidade timorense para esse efeito não estava na agenda dos líderes, nem no campo das possibilidades económico-fianceiras viáveis para ambas as partes. Conseguir a independência foi a única forma de Timor-Leste garantir o reconhecimento da sua autonomia e identidade cultural mas, o isolamento regional nunca esteve nos horizontes políticos dos seus dirigentes... a independência de Timor-Leste grangeou um respeito institucional internacional a este território, decisivo para a contenção invasora da Indonésia... imaginar que a sua estratégia de afirmação nacional implicava ou se confinaria ao deslumbramento pela protecção portuguesa, é um sintomático sinal do que poderemos designar por "ingenuidade política" que, na sequência desta definição, continuou a investir no envio de "missões de paz" para um território que, neste momento, não precisa de continuar a alardear a sua ligação católica e afectiva a Portugal, por ter adquirido já, no plano internacional, um estatuto que lhe pode garantir apoios bem mais "interessantes" como é o caso não só da ONU mas, acima de tudo, dos EUA e da Austrália... A luta de Timor-Leste pela consolidação da sua política nacional é um processo complexo de que, além de tudo o que aqui se enuncia, se não pode alhear o seu próprio passado identitário societário e cultural de que Ruy Belo deixou, na passada década de 50 do século XX, um excelente e belo testemunho sobre os rituais de morte, a arquitectura tradicional ou a organização social tribal...
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Da Memória - memórias e patrimónios...
O blogue "Não Apaguem a Memória" foi hoje suspenso, mantendo-se para efeitos de consulta dos textos e documentos publicados... felizmente, a título de objectivos, a intenção deste Movimento Cívico vai continuar presente na blogosfera, através do Caminhos da Memória onde, exactamente ontem, foi inserido um texto de homenagem a Hermínio da Palma Inácio. É importante que a Memória perdure... na vida e na personalidade dos povos, das culturas, das sociedades e dos cidadãos... porque a Memória é a matéria-prima da identidade e, como tal, torna-se facilmente presa da manipulação... se não houver transmissão, aprendizagem e compreensão da dimensão patrimonial da Memória o seu determinante poder para a construção e afirmação dos seres e das coisas, fica gravemente exposto às tentações ideológicas do poder dominante que branqueia o passado para controlar o presente e preservar o seu poder, no futuro... Em Espanha, o movimento associativo que levou à proclamação governamental da "Lei da Memória" reivindica agora, através de 65 associações representativas de muitissimos mais cidadãos, famílias e até gerações, uma alteração qualitativa desta Lei que o Governo de "nuestros hermanos" proclamou mas, que ficou de aperfeiçoar... trata-se de reivindicar, nas palavras de Miguel Ángel Rodriguez, Professor de Direito Penal na Universidade de Castilla-La Mancha e um dos redactores do movimento que integra as Associações de Memória Histórica: "Que seja o Estado e não as famílias, quem assuma os trabalhos de identificação e exumação das vítimas". A reivindicação, trazida a público sob a forma de Manifesto, intitula-se: "Pelo Normal Cumprimento do Convénio Europeu de Direitos Humanos em Espanha para o Caso dos Desaparecidos" e classifica a Lei da Memória História como uma "lei da vergonha histórica", lembrando que Espanha é o segundo país do mundo com mais "desaparecidos" que, enquanto se sentiu a influência da Guerra Civil e do franquismo, atingiu a efectivamente vergonhosa e revoltante cifra de 1.500 pessoas, número que, convém salientar como o fazem os protagonistas desta iniciativa: "só fica atrás do Cambodja de Pol Pot". A intenção, a que Zapatero ficou de responder em reunião a realizar durante o ano em curso, 2009, é a de legitimar uma investigação "oficial, efectiva e independente" que, para além dos "desaparecidos", faça luz sobre outra tragédia, paralela e simultânea, a saber "o caso dos meninos perdidos" ou seja, das crianças separadas das famílias republicanas por razões de estratégia e chantagem política levada a efeito contra los Rojos.
[Obs: a) informação recolhida na edição de dia 8 de Julho do jornal "El País"; b) tradução minha das citações referidas;]
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Leituras cruzadas...
Hoje é dia de "Leituras Cruzadas"... muitas, que os textos merecem e, acima de tudo, os temas e as perspectivas justificam. No momento em que, no Parlamento Europeu, foi eleito para seu Presidente um político polaco e em que o grupo de eurodeputados de extrema-direita atinge pela primeira vez um número que já não podemos ignorar (35), é interessante e requer a nossa maior atenção o facto de, por exemplo, na Itália populista e demagógica de Berlusconi, essa Itália fabulosa de Fellini, Visconti, Gramsci, Da Vinci mas também, de Mussolini, Chicciolina e Alexandra Mussolini, ser possível a afirmação assustadora de que, no Água Lisa, João Tunes nos deu conta, ele que também anotou com clarividente discernimento o que a demagogia inquisitorial propaga no nosso país onde, a reboque do fundamentalismo clerical se vai, paulatinamente, atentando contra os princípios essenciais das sociedades democráticas, como Manuel Correia bem reflectiu no PuxaPalavra. Felizmente, vão surgindo outras vozes que nos permitem ver nesta concertada intentona contra a transparência da difícil construção da Liberdade e da Igualdade, caminhos alternativos assentes na crítica e na objectividade analítica que não opta pelo facilitismo bacoco do reaccionarismo conservador. É o caso das lúcidas chamadas de atenção sobre algumas polémicas e candentes situações internacionais que, a propósito das posturas institucionais sobre as Honduras e o Afeganistão, JMCorreia Pinto aborda no Politeia ou, no que à situação política nacional se refere, Osvaldo de Castro explicita no Praça Stephens, João Rodrigues enuncia no Ladrões de Bicicletas e Miguel Vale de Almeida exemplifica em Os Tempos que Correm... da realidade dos dias, da perenidade dos factos e da gravidade das opções do presente que comprometem, sempre, o futuro, ficará o devido registo na História que, apesar de todas as leituras e justificações possíveis, não poderá ocultar os traços de profunda aberração com que, com excessiva ligeireza negligente e gratuita, vamos viabilizando políticas, legitimando demagogias e alimentando dogmatismos - como bem explica, a propósito de Auschwitz e da escravatura, A.C.Valera no Irrealidade Prodigiosa.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Acordai!...
Regressei hoje de uma curta pausa, junto ao mar, onde gaivotas e alfazema sobrevoam e se debruçam sobre a areia fina onde o sol escalda e o mar acalma... na viagem de fim de tarde, doeu-me, como sempre!, o Alentejo!... esse Alentejo, sóbrio e contido, imenso e desértico, abandonado, injustiçado como se fosse um castigo a dimensão da terra e o poder dos homens, cada vez menos!, na planície desmineralizada... "Oh, Alentejo dos Pobres, Terra da Desolação, Não sirvas quem te despreza, É tua a tua Nação"... a canção, já antiga e que se pensou nunca mais ter que ser cantada, volta à memória e, sobre ela, enuncia-se, sussurante, a frase incrédula: "é o preço!?"... foi então, enquanto avançava no asfalto da estrada anónima que atravessa o solo que já foi fértil e sagrado, que se me desenhou, caleidoscópico, um esboço de pensar: um texto que escrevi há uns dias aqui mesmo, o texto de Manuel Alegre no Expresso de sábado, o texto de Baptista Bastos,publicado no DN na passada 4ªfeira e, a terminar, o som cantado do poema de José Gomes Ferreira "Acordai" na inesquecível composição do Maestro Fernando Lopes Graça... sim, é isso!... um esboço de pensar que, de repetido, se formulou composto na expressão de uma evidência que tão dificilmente parece ser compreendida: É urgente a Convergência da Esquerda... uma convergência estrutural, séria e digna do país que temos e da gente que somos... com António Costa na Câmara Municipal de Lisboa e Manuel Alegre na Presidência da República, por exemplo... com um Governo capaz, eficaz e sólido, que não seja vulnerável às fragilidades que os seus opositores sempre terão capacidade para explorar... sim, é isso! Há prioridades... ou, como diz a sabedoria popular, "cada coisa a seu tempo"... pois... agora é urgente, acima de tudo, ter em conta o que tão bem reflecte Baptista Bastos quando, no texto supra-citado, com clarividência vê: "tudo o que assusta"...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Burkas no Ocidente...
"As Noites das Mil e Uma Noites" de Naguib Mahfouz... já leram?... vale a pena! Numa linguagem clara, evocativa das referências a um passado persa, glorioso, quase em tom de parábola, a narrativa, metafórica, explica, densamente!, a psicologia que domina por certo a população de cultura árabe ou, pelo menos, a menos ocidentalizada... tão densamente que ficam as percepções, representações e tensões entre sunitas, xiitas e carijiitas, num registo oral de uma sociedade ainda afastada de uma espécie de mediatismo nacionalista, definido de acordo com paradigmas ocidentais... Sindbad, um dos personagens das histórias de Sherazade, cidadão comum na comunidade de bairro que Mahfouz retrata, transmite ao sultão os ensinamentos das suas viagens: um deles diz que, por vezes, pelo poder que têm de se voltar contra os próprios, as "velhas tradições" devem ser abandonadas... A propósito do uso da burka e da sua pretensa proibição em França, ouvi, num excerto de reportagem, a alegação feminina da segurança e da protecção das mulheres contra designadamente, os rapazes e a cultura masculina do ocidente... a questão, dramática do ponto de vista cultural, pode contudo, resultar de uma manipulação familiar e étnica dos valores em nome de projectos hegemónicos de grupos hoje minoritários que, com interesses políticos e económicos, podem recorrer à intervenção cívica para adquirir visibilidade... por isso, é, mais do que nunca, urgente a Educação Cívica, Laica e Sexual para todos... por sociedades democráticas, multiculturais e saudáveis...
Listas e Programas...
A propósito do calendário eleitoral, a problemática recorrente da definição das listas e programas, torna-se a prioridade político-partidária... entre a anomia ou a assertividade -eis a questão sobre a qual acabei de publicar no Público um pequeno texto que se pode ler aqui.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
De Xinjiang ao Tibete... pelos Direitos Humanos!
Na próxima 6ªfeira, dia 10 de Julho, Hu Jintao, Presidente da República Popular da China, visita Portugal... depois dos acontecimentos de ontem na região de Xinjiang em que foram mortas 140 pessoas e 800 ficaram feridas, podemos olhar para a China esquecendo ou minimizando a sua persistente violação do Direitos Humanos? Não, claro que não... num país em que 56 "minorias" são constantemente perseguidas, o argumento da organização "anticomunista" não pode relativizar a realidade... uma realidade que, no Tibete, se mantém, desde 1959... por isso, divulgo aqui o apelo do Grupo de Apoio ao Tibete:
"Visto estarem previstos encontros entre o Sr. Hu Jintao e o Presidente da República, o Primeiro-Ministro de Portugal, assim como o Presidente da Assembleia da República, apelamos à vossa tomada de acção.
Desta vez não organizaremos nenhuma manifestação ou acção de rua, devido à fraca adesão que anteriores acções têm tido, apenas vos propômos o envio de mensagens electrónicas para os acima referidos poderes políticos.
Entre o dia 6 de Julho (aniversário de S.S. o Dalai Lama e celebração do Dia Mundial do Tibete) e o dia 10 de Julho (data da chegada do Presidente da República da R.P.C.) apelamos a que se enviem emailes diários, apelando a que se aborde a questão Tibetana e se exija o cumprimento dos direitos humanos no Tibete.
Seguem os seus contactos:
Presidente da República
belem@presidencia.pt
ou
http://www.presidencia.pt/?action=3
Primeiro-Ministro
http://www.portugal.gov.pt/pt/Pages/Contacto.aspx
Presidente da Assembleia da República
http://www.parlamento.pt/sites/PAR/PARXLEGA/Contacto/Paginas/default.aspx
O Grupo de Apoio ao Tibete enviará também cartas ao P.R. e P.M. de Portugal assim como ao Presidente da A.R, alertando para a abordagem da questão Tibetana quando da visita a Portugal de Hu Jintao (brevemente disponível para consulta).
Caso desejem que o V/ nome seja referido como signatário na carta mencionada, p.f. informem-nos até ao fim de segunda-feira, 6 de Julho, Dia Mundial do Tibete!
Obrigada!"
"Visto estarem previstos encontros entre o Sr. Hu Jintao e o Presidente da República, o Primeiro-Ministro de Portugal, assim como o Presidente da Assembleia da República, apelamos à vossa tomada de acção.
Desta vez não organizaremos nenhuma manifestação ou acção de rua, devido à fraca adesão que anteriores acções têm tido, apenas vos propômos o envio de mensagens electrónicas para os acima referidos poderes políticos.
Entre o dia 6 de Julho (aniversário de S.S. o Dalai Lama e celebração do Dia Mundial do Tibete) e o dia 10 de Julho (data da chegada do Presidente da República da R.P.C.) apelamos a que se enviem emailes diários, apelando a que se aborde a questão Tibetana e se exija o cumprimento dos direitos humanos no Tibete.
Seguem os seus contactos:
Presidente da República
belem@presidencia.pt
ou
http://www.presidencia.pt/?action=3
Primeiro-Ministro
http://www.portugal.gov.pt/pt/Pages/Contacto.aspx
Presidente da Assembleia da República
http://www.parlamento.pt/sites/PAR/PARXLEGA/Contacto/Paginas/default.aspx
O Grupo de Apoio ao Tibete enviará também cartas ao P.R. e P.M. de Portugal assim como ao Presidente da A.R, alertando para a abordagem da questão Tibetana quando da visita a Portugal de Hu Jintao (brevemente disponível para consulta).
Caso desejem que o V/ nome seja referido como signatário na carta mencionada, p.f. informem-nos até ao fim de segunda-feira, 6 de Julho, Dia Mundial do Tibete!
Obrigada!"
domingo, 5 de julho de 2009
Apontamentos...
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Não me peçam...
Zeca Afonso foi um homem de dizeres felizes... quase parafraseio aqui o seu "Não me obriguem a vir para a rua gritar..." para vos dizer: não, hoje não quero falar de coisas feias... permitam-me o intervalo!... um interregno breve face às taxas de desemprego de 9.3% em Portugal, de 9.5% em termos de média europeia ou de 19% em Espanha... permitam-me deixar de lado, por instantes, os BPN's, os BPP's, Manuel Pinho ou Cavaco Silva (para quem parece que a melhor defesa é o ataque uma vez que, depois do caso Dias Loureiro, resolveu dinamizar a sua pretensa actuação intervencionista sempre que uma notícia pode acarretar custos para o PS!!??)... estou junto ao mar... e escrevo porque me ocorre -além da natureza, a beleza, a bondade e a arte que decorrem, por exemplo, de uma peça extraordinária que acabei de descobrir numa das cenografias de Pina Bausch- a persistência dos valores... no caso, a luta contra as discriminações que se me afigura sempre oportuna e pertinente mesmo quando:
Fecho os olhos
e vou... no som de uma gaivota
que enfeita a noite
em direcção ao mar!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Orgulho Solidário...
Felizmente, temos motivos de orgulho... na gala "Solidários até à Medula" da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, ficou a saber-se que, desde que esta Associação foi criada, o nosso país passou de um dos países com menor número de dadores de medula para o 4º país do mundo com maior número de dadores... É caso para dizer: a generosidade de um povo nasce da sua consciência, a consciência constrói-se com conhecimento e o conhecimento consciente sustenta a solidariedade! ou, muitissimo mais bem dito, repito aqui as palavras de José Cura, Maestro, Tenor e membro da APCL: "O Amor pelo próximo viaja sem passaporte"!!!...
Uma Demissão Incontornável...
Lamentável é o mínimo que se pode dizer... uma vergonha! Manuel Pinho demonstrou hoje na AR uma total ausência de sentido de Estado ao responder com um gesto bizarro a uma intervenção de um dos deputados portugueses, no caso, Bernardino Soares. Na verdade, sempre suspeitara de Manuel Pinho... nas suas atitudes transpirou sempre muito provincianismo e uma imensa, inconcebível e ridícula prepotência... uma espécie de "menino da mamã", birrento e caprichoso, incapaz de um diálogo cordato... um homem afinal mal-educado, sem o mínimo sentido de responsabilidade política, que foi capaz de se dar ao luxo de, a título de brincadeira de "mau-gosto", pensar que lhe seria admitida uma atitude como a que hoje protagonizou... e cuja auto-estima narcisista até ao insuportável, lhe permitiu pensar que tinha "condições para continuar no Governo"... felizmente, Sócrates não cedeu à tentação de justificar o facto, mesmo em período pré-eleitoral! ... se já era tardia, a demissão de Manuel Pinho aconteceu no momento certo... pelo menos provou que, no nosso país, por ora e apesar de muitos exemplos, aparências e conjunturas, ainda não vale tudo!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Sintonias...
Pina Bausch morreu ontem... mas, dela fica a Celebração da Vida, que podemos continuar a dedicar a quem queremos homenagear e agradecer pela generosidade, a partilha e a interacção... com amizade e em nome da alegria, para o João Tunes, autor do precioso Água Lisa, a "Sagração da Primavera", segundo Pina Bausch.
"Los Hermanos" - entre a Democracia Formal e a Liberdade Democrática
Enquanto se inicia a retirada das tropas norte-americanas do Iraque (processo que se prevê vir a estar concluído em Agosto de 2010) e o Irão se confronta com um resultado eleitoral que fez emergir reacções em nome da democracia e contra a ditadura, nas Honduras, o golpe de Estado dinamizou um sangrento conflito entre a vigência de um normativo constitucional e o sentimento popular de uma traição... pequenos/grandes exemplos que reeditam a reflexão sobre a relação entre a institucionalidade democrática e o exercício da liberdade que é suposto andar de "mãos dadas" com a Democracia... pequenos/grandes exemplos que nos recordam da eleição de má-memória de Adolf Hitler, dos assassinatos na Guiné, da violência no Zimbabwé ou, simplesmente, das desigualdades, das discriminações e da violência social que continua latente na organização social independentemente da caução política dos seus modelos de gestão... A garantia formal da institucionalidade democrática não significa o exercício democrático... entre uma e outra dimensão do problema reside a própria antítese democrática que encontra no espaço disponível para toda a manipulação a possibilidade legítima da contradição da sua própria essência fundante... A democracia, hoje, como ontem, dá a pensar ao mundo as suas potencialidades de uso e recurso... por isso é que urge o conhecimento, a participação e o empenho cívico dos cidadãos na vida democrática que, contrários à expressão da recusa que as abstenções revelam, podem impôr limites à legalidade paradoxal dos preceitos formais, conferindo a toda a arquitectura socio-política a natureza plástica que se adequa à manifestação da vontade dos povos e garante o exercício da sua liberdade...
Etiquetas:
Direitos Humanos; Sociedade; Política;
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