sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

De Praga ao Tibete... traumas, povos e culturas


Os povos manifestam, no que são e na forma como reagem, a personalidade cultural que os foi configurando ao longo da História em percursos feitos de conflitos, traumas, coexistências e vivências... Por isso nunca são evidentes nem lineares as suas formas de expressão, nem o deveriam ser as interpretações que deles e das suas culturas se fazem sem atender aos processos históricos em que radicam as razões dos comportamentos colectivos... Entre uma cultura de montanha, isolada e sempre em busca de um ritmo de integração na natureza que garanta o equilíbrio psicossomático e os efeitos da brutal ocupação chinesa que data de há quase 50 anos (1959), eivada de sentimentos de superioridade moral demonstrada pelo exercício da força, da crueldade e da aculturação forçada, o Tibete viu a sua cultura votada ao exílio, destituída do reconhecimento público da sua autonomia e da sua singularidade... Por outro lado, na Europa Central, o povo checo, entre ocupações alemãs e soviéticas ou o esmagamento da Primavera de Praga (leia-se o texto publicado no Praça Stephens), chegou à Europa Comunitária, simultaneamente ansioso e receoso da perda da sua soberania, acusado de um certo anti-europeismo, apesar de ser checa a actual Presidência da União Europeia. Num e noutro caso, as diferentes formas de manifestação de resistência cultural aos modelos envolventes revelam apenas as dificuldades de afirmação identitária em contextos onde a experiência lhes tem demonstrado a subjugação aos interesses vizinhos... como acontece aliás, nas diversas Comunidades Regionais de Espanha e mesmo em Portugal onde grande parte das opções políticas decorrem quase sempre dos condicionalismos determinados pelas relações internacionais... e esta é uma realidade a considerar quando se equaciona o futuro... porque, cada vez mais, emergem sinais de que o mundo globalizado de hoje pode vir a exigir um modo de ser e de estar regionalizado... e a única resposta que temos para percorrer com o mínimo de conflitos qualquer um dos caminhos que presente e futuro se conjugem para consolidar é, ainda e sempre, o máximo respeito pelos Direitos Humanos.

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